• Os fatos que irei narrar agora são uma sequência aos dos artigos anteriores sobre ações ou condutas ilícitas, até agora impunes, relativas à eleição de 2006. Neste domingo abordo os contratos fictícios utilizados para pagar cabos eleitorais com recursos do FUNDEB e a fraude realizada na à licitação da Estrada de Ferro do Amapá – EFA. Licitação esta que concedeu a Eike Batista a condição de montar o empreendimento que lhe rendeu 5,5 bilhões de dólares, apenas 45 dias após iniciar a comercialização dos papéis da MMX na bolsa de valores.
• Demonstrei, em texto anterior, que o governo de Waldez, candidato à reeleição naquela ocasião, às vésperas da eleição, realizou cerca de 20 acordos com credores e que nesses acordos milionários há fortes indícios de extorsão. Na licitação da EFA também há indícios de corrupção.
• Esses são alguns dos fatos relacionados à eleição de 2006 que esclarecem a surpreendente e milagrosa vitória de Waldez sobre Capiberibe. Eleição na qual, é bom recordar, as pesquisas prévias de intenções de voto indicavam, três meses antes do primeiro turno, um percentual de 28% para Waldez Góes e 58% para João Capiberibe.
• As duas questões, licitação da Estrada de Ferro do Amapá e pagamento de cabos eleitorais com recursos do FUNDEB, foram inicialmente investigadas, mas, logo em seguida, desapareceram do cenário, especialmente da mídia, como por encanto. O encanto dos poderosos que tudo podem.
• Nesse cenário, a Estrada de Ferro do Amapá foi objeto de investigação da Polícia Federal através da “Operação Toque de Midas”. Investigação sobre a qual a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal divulgou nota destacando os obstáculos criados para a realização da operação, o que pode ser constatado no site https://web.adpf.org.br/noticia/adpf/operacao-toque-de-midas/ Não se tem notícias sobre o desenrolar das investigações, certamente, pela atuação de pessoas com grande influência, fato que ajuda a explicar a virada eleitoral de 2006.
• Quanto aos cabos eleitorais pagos com recursos do FUNDEB, tive atuação firme ao descobrir, e proibir, acordos que estavam sendo realizados na Justiça do Trabalho pelos Procuradores-Chefes da Área Trabalhista na PGE. Na ocasião, o titular da pasta afirmou que não poderia aceitar minha ordem porque estava autorizado pelo governador e pelo secretário de planejamento. Contudo, determinei por escrito a proibição e não tive notícia de sua continuidade. Porém, o mal já estava realizado. O duplo prejuízo para o povo do Amapá se concretizara com o desvio dos recursos do FUNDEB e o pagamento dos que foram usados para burlar as regras eleitorais.
• No desenrolar e/ou na evolução desses acontecimentos, evidencio as ações orquestradas pelo promotor de justiça Afonso Guimarães, que acusou inocentes em ações absurdas – ações estas que ainda tramitam na Justiça – e silenciou sobre as fraudes que ora estou narrando.
• Foram centenas, talvez milhares de ações impetradas por cabos eleitorais que forjavam uma história fictícia sobre supostos serviços prestados em instituições de ensino do Amapá. E a ação, que não era contestada, quanto aos fatos, pelos Procuradores-Chefes da Área Trabalhista, transformavam as mentiras em verdade para a Justiça.
• Desse modo, foram forjadas dívidas que eram pagas com recurso do FUNDEB, mediante acordos espúrios efetuados na Justiça do Trabalho. O dinheiro era desviado e lavado através dos atos praticados pelos agentes dos ilícitos, que induziam membros do MPT e do Judiciário em erro. Foram valores astronômicos desviados para pagamento de cabos eleitorais que mudaram a história das eleições, e muito prejudicaram os educadores e a educação do Amapá.
• O portal Seles Nafes registra que tentaram reimplantar essa prática em 2013, conforme se observa no endereço https://selesnafes.com/2019/05/seis-anos-depois-procuradores-que-foram-presos-sao-inocentados-no-amapa/ ,contudo, como ela já era conhecida, foi impedida pela Justiça
• Nesse contexto, verifico que a compreensão de que a governança está nas mãos de eleitos – que podem ser mudados através do voto a cada 4 ou 8 anos (senadores) – está gerando o despertar da população. Essa percepção aliada ao sofrimento decorrente da dor causada pela falta de oportunidades de trabalho, por doenças e pela morte de parentes e amigos, em função da Má Gestão e Corrupção dos maus eleitos, está gerando revolta e evidenciando que a política atual não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências…através do voto. É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!