O mercado de apostas online tem crescido de forma exponencial no Brasil nos últimos anos, impulsionadas pela digitalização e pela popularidade dos esportes, especialmente o futebol. Com a legalização das apostas em 2018, diversas plataformas surgiram, atraindo milhões de brasileiros em busca de lucros rápidos e entretenimento. No entanto, o que muitos veem como uma forma divertida de ganhar dinheiro pode se transformar em um perigo com consequências graves, tanto do ponto de vista financeiro quanto psicológico. Cerca de 22 milhões de brasileiros (14% da população) dizem já terem feito algum tipo de aposta enquanto apenas 3,7 milhões de brasileiros tiveram alguma experiência com a Bolsa de Valores. Pelo menos é o que mostra o estudo Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.
Um dos maiores riscos associados às apostas é o vício. Assim como outros tipos de jogos de azar, as apostas criam um ciclo viciante de ganhos e perdas que pode levar à compulsão. Muitos apostadores, especialmente os iniciantes, não percebem a rapidez com que o jogo pode tomar conta de suas rotinas e finanças. A adrenalina proporcionada pela incerteza do resultado e a possibilidade de uma grande vitória incentivam o apostador a continuar apostando, mesmo após perdas significativas. Esse comportamento pode evoluir para um vício, trazendo sérios problemas psicológicos e sociais, como ansiedade, depressão e isolamento. Segundo o Banco Central, os inscritos no programa Bolsa Família direcionaram cerca de R$ 3 bilhões para bets (casas de apostas eletrônicas), via Pix, somente no mês de agosto de 2024.
Os estragos das Bets são consideráveis na economia. Por exemplo, no mês de setembro, até a 3ª semana, as exportações somam US$ 20,4 bi e as importações US$ 16,9 bi, com saldo positivo de US$ 3,5 bilhões e corrente de comércio de US$ 37,4 bilhões (dados do gov.). Enquanto isso, os valores mensais que os apostadores enviam para as bets variam entre R$ 18 bilhões (US$ 3,27 bilhões) e R$ 21 bilhões (US$ 3,82 bilhões), segundo estudo do BC. Portanto, é possível destacar que o tamanho das bets representa em setembro cerca de 93,43% e 109,14% do saldo positivo de exportação do Brasil. De janeiro até a terceira semana de setembro, as exportações totalizam US$ 247,5 bilhões e as importações US$ 189,9 bilhões. O superávit é de US$ 57,6 bilhões e a corrente de comércio de US$ 437,3 bilhões.
Por fim, é importante destacar que a falta de uma regulamentação eficaz no Brasil contribui significativamente para esses problemas. Embora as apostas esportivas sejam legais, o país ainda carece de um sistema robusto que regule e fiscalize adequadamente as plataformas de apostas, especialmente as que operam online. Essa ausência de regulamentação permite que muitos apostadores, inclusive menores de idade, participem sem qualquer tipo de proteção. Além disso, faltam campanhas educativas e medidas preventivas para conscientizar a população sobre os riscos do jogo. Sem uma regulação mais rígida, o aumento de problemas relacionados ao vício e às perdas financeiras tende a continuar afetando milhares de brasileiros. Portanto, as Bets não são um bom negócio. O estrago é grande.
Os Estragos das Bets no Brasil
