Assunto chato de constante mesmice. No Brasil só se fala e acontece corrupção. Parece genética ou doença endêmica, sem cura e que nunca acaba. Nossos melhores valores são subtraídos por todos os meios e nunca os satisfazem. Por tudo pagamos caro. Nada demora e por lei, brasileiro ao nascer vai pagar pela estadia e pedágio de saída.
Roubalheira e desrespeito ao bem público estão grandes demais. Deixamos parir uma casta e elite de autênticos desclassificados nomeados apenas políticos. Já nos acostumamos até permiti-los com descabida passividade, dizendo apenas serem todos iguais. Se no Brasil colônia havia uma corte e um único poder cedente, na pessoa do Rei, na República demos continuidade a cultura. Em nosso sistema, governo continua apenas poder cedente exclusivo e nossos legisladores sua suntuosa corte, cabendo ao povo apenas a condição de obediência ou então comprá-los, como têm acontecido. Nunca atuam como representantes de nossa gente como deveriam ser, gerando sempre sistemática submissão do povo, culpado até maior de não tomar a si o entendimento que o país é seu e que ele e terras são a nação brasileira.
A pouca vergonha do poder nacional já começou na descoberta do Brasil. Na carta onde o espertalhão Pero Vaz de Caminha comunicava ao senhor El Rei o grande achado do que seria Brasil, sem nenhuma cerimônia já solicitava que o mesmo rei acolhesse nas benesses da Corte duas de suas “cupinchas”. Para esse pelo menos o castigo logo veio. Chegando ao destino, Calicut na India, Cabral o enviou a terra para negociar sua chegada com os senhores, não indianos, mas árabes dominantes do comercio local. Deve ter proposto alguma safadeza aos“omis”, porque cortaram a cabeça dele e a mandaram para Cabral. Com raiva e pena do patrício Cabral fez o que não devia, recuou as canhoneiras e destruiu o lugar, indianos inclusive a ferro e fogo de seus canhões. O esperto Pero foi vingado.
Importada a safadeza, numa de nossas primeiras grandes obras foi estabelecida de vez a parceria desonesta do público/privado. O Marques de Pombal manda para ca, um nobre bastardo, para desnecessariamente construir uma fortaleza, São Jose, nas barrancas do Amazonas em Macapa-AP. Obra para dois anos, levou 18, seu custo foi onze vezes ultrapassado. E jamais deu sequer um tiro… Só não ficou mais caro que os estádios da Copa Petista.
Foram tão ruins os exemplos emanados da coroa portuguesa, que demos continuidade a tais hábitos exatamente por não chamarmos a nós a intenção de construir uma nação. Todo mundo veio para fazer a própria “vida” deixando uma herança a ser continuada por uma classe com domínio do grande povo gerador das produções. Vieram os Barões do café, que deram um trabalhão enorme, os senhores de engenho do nordeste com suas sesmarias seguidas dos donatários em latifúndios do sul brasileiro, acrescentando a eles os senhores das ricas minas e das Gerais.
Pois bem, aconteceu a estes privilegiados controladores uma infelicidade terrível. Imperador de férias ou doente, apareceu em seu lugar provisoriamente uma Princesa. Não é que se submetendo a pressões até externas, como inglesa, a danada de súbito liberta os escravos. Alegria geral, menos para a citada e falsa corte de nossa aristocracia. Os cafezeiros importaram até japoneses para a lavoura, um navio inteiro, de gente o Kasato Maru. Tendo que paga-los o lucro para luxo e ostentação se acabou. Ao sul com a briga do Contestado la se foram os latifúndios. No nordeste açucareiro e explorador, acabaram se os “coronéis”. Em Minas Gerais sem ter quem ao trabalho, preferiu se dizer, que as minas se esgotaram para que ninguém as cobiçassem. Trabalhadores com salário para extração de ouro, nunca, seriam roubados.
Com tantos “iluminados” desocupados de poder econômico e sem maiores influências, agiram como Cabral, abrindo espaço a vingança. Gregos já diziam, mentes e inteligências para o mau, na ociosidade são perigosas. Assim, deram um jeito, apoiados em um tolo e dorminhoco Marechal, de correr com toda a monarquia. Lá se foi embora Imperador levando junto sua “malvada” princesa.
E UMA VEZ INSTALADA A REPUBLICA ESSSA TURMA SE MANDOU TODA PARA A POLÍTICA, onde estão até hoje a continuar seu nefasto domínio de podridão. Ficou bem assentado que o melhor investimento em nosso país seria sempre a política voltada a causa própria, jamais a interesse nacional.
Conservam enorme poder, e cautelosos buscam manter silentes com exorbitantes proveitos, possíveis opinantes de expressão em contrário, sejam atentos expectadores, meio de comunicações, Juízes de tribunais, as isentas religiões com seus ganhos, doutores em direito ou medicina e até técnico de futebol para alegrar a área circense.
Tornaram- se os profissionais.
E continuarão até nosso povo se convencer que o país é seu e nunca deles. Pode demorar, mas quem sabe um dia…
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.