A Polícia Federal (PF) desmontou uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína por meio dos portos de Santa Catarina. O grupo usava mergulhadores profissionais para esconder drogas nos cascos de navios e também enviava entorpecentes ocultos em cargas lícitas destinadas à Europa.
A Operação Tirocinium foi deflagrada na manhã de terça-feira (19/5) e resultou em 18 prisões preventivas, 31 mandados de busca e apreensão e quatro medidas cautelares diversas da prisão.
A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 646 milhões em bens e contas bancárias dos investigados.
Segundo a PF, a organização criminosa atuava nos portos de Navegantes, Itapoá e Imbituba e tinha ligação com facções criminosas. A investigação revelou um esquema sofisticado que combinava tráfico internacional de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Em entrevista à coluna, o delegado da PF Alessandro Netto Vieira afirmou que chamou atenção dos investigadores a diversidade do modo de atuação do grupo.
“O objetivo era desmantelar uma organização criminosa que utilizava o modal marítimo para o tráfico de drogas e também atuava no tráfico de armas de fogo. Chamou muito a atenção da Polícia Federal a diversidade do modo de atuação”, afirmou.
As investigações apontam que os criminosos exportavam cocaína para países como Espanha, Itália e França. Para isso, escondiam a droga em cargas lícitas, como placas de madeira e sacos de alimentos, além de utilizarem empresas de fachada e operações comerciais fictícias.
Outro método identificado era a atuação de mergulhadores profissionais, responsáveis por colocar drogas na parte submersa dos navios.
“Eles costumavam enviar drogas escondidas em caixas-mar de navios ou ocultas em cargas lícitas. Também utilizavam mergulhadores profissionais, que faziam mergulhos noturnos de alto risco”, detalhou o delegado.
De acordo com a PF, os mergulhos dependiam de apoio interno nos navios.
“Esse tipo de operação precisava da cobertura de alguém dentro da embarcação para desligar o motor e permitir que os mergulhadores inserissem a droga no casco”, explicou Alessandro Netto Vieira.
Três mergulhadores foram presos durante a operação nas cidades de Tijucas, Imbituba e São Francisco do Sul.
Ao longo das investigações, iniciadas em 2023, a PF apreendeu cerca de 4,6 toneladas de cocaína e realizou sete prisões em flagrante. Também foram apreendidos fuzis, pistolas, granadas, grande quantidade de munições e até uma metralhadora calibre .50.
Em março deste ano, a PF localizou um bunker ligado ao grupo em Joinville (SC), onde encontrou granadas e uma metralhadora.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a descoberta de um esquema de “locação” de armas de guerra.
Além das drogas e do arsenal, a operação teve como foco o núcleo financeiro da organização criminosa. Segundo a PF, um dos investigados alvo da operação estava com mais de R$ 100 mil em espécie. Também foram apreendidos mais de 30 carros de luxo e dezenas de imóveis.
As investigações apontam que o grupo movimentou mais de meio bilhão de reais nos últimos quatro anos por meio de lavagem de dinheiro com empresas de fachada e “laranjas”.
Os mandados foram cumpridos em dez cidades de Santa Catarina, Joinville, São Francisco do Sul, Araquari, Balneário Camboriú, Itajaí, Tijucas, Barra Velha, Garuva, Jaraguá do Sul e Imbituba, além de São José dos Pinhais (PR) e Uberaba (MG).
Agora, a PF vai analisar o material apreendido para identificar novos envolvidos e aprofundar as conexões internacionais da organização criminosa.
Fonte: Metrópoles

