O tempo é o senhor da razão e a necessidade é a mãe de todas as virtudes. Estas duas frases proferidas usualmente não caíram do céu ou surgiram do nada e sim da experiência humana.
Desde o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, o mundo tem convivido com terrorismo ambientalista, que nunca perde oportunidade para aterrorizar a humanidade, responsabilizando as instalações nucleares, quando na realidade também foram vítimas de uma má escolha da sua localização em área exposta a terremotos e tsunamis.
O tempo passou e a razão começa a ser restaurada no planeta fruto da necessidade. A Europa sentiu a fragilidade e a carência da energia, infelizmente para que o choque de realidade atingisse o velho continente foi preciso ocorrer uma guerra com milhares de vidas perdidas para que os europeus percebessem que a solução criada pelos ambientalistas, as energias eólica e solar, não seriam suficientes para resolver o imbróglio energético. Estava decretado o renascimento da energia nuclear banida açodadamente por líderes assustados.
Ainda neste ano de 2024 DC o assunto geração de energia surge ‘com força’, as Jornalistas Julia Payne e Kate Abnett assinaram matéria na Reuters, em 24 de março, “Os líderes pró-nucleares da Europa procuram o renascimento da energia atómica”, onde narram as últimas decisões em relação à energia nuclear.
“Líderes de países europeus pró-nucleares e especialistas em energia apelaram na quinta-feira a um renascimento da energia nuclear numa cúpula em Bruxelas, procurando reconstruir a indústria europeia após anos de declínio gradual. O impulso político para expandir a energia nuclear – uma fonte de energia com baixo teor de carbono – faz parte do esforço para cumprir as ambiciosas metas climáticas da Europa. Mas enfrenta ventos contrários, incluindo a falta de investimento e custos excessivos e atrasos que têm afetado projetos recentes.
“Sem o apoio da energia nuclear, não temos hipótese de atingir as nossas metas climáticas a tempo”, disse o chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, aos jornalistas antes da cúpula sobre Energia Nuclear, em Bruxelas. A energia nuclear caiu em desuso na Europa devido a preocupações de segurança após o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, que levou a Alemanha a encerrar imediatamente seis centrais nucleares e a eliminar gradualmente os restantes reatores. Os três últimos foram encerrados em abril de 2023.
Mas a necessidade de encontrar alternativas ao gás russo após a invasão da Ucrânia por Moscovo em 2022 e o compromisso da União Europeia de reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em 55% até 2030 renovou o interesse na energia nuclear. No entanto, os países da UE continuam divididos sobre a promoção da energia nuclear, com dois campos entrincheirados – um liderado pela França, que acredita que a expansão nuclear é crucial, e o outro, incluindo os países antinucleares, Áustria e Alemanha, que querem que o foco permaneça nas fontes renováveis. Como eólica e solar.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, disse que a Europa deve libertar-se de ser “refém de abordagens ideológicas”. Numa declaração conjunta, os países comprometeram-se a “trabalhar para desbloquear totalmente o potencial da energia nuclear, tomando medidas como condições favoráveis para apoiar e financiar de forma competitiva a extensão da vida útil dos reatores nucleares existentes”.
A declaração também se compromete com a construção de novas centrais nucleares e com a implantação precoce de reatores avançados, incluindo pequenos reatores modulares em todo o mundo, mantendo ao mesmo tempo os mais elevados níveis de segurança e proteção.
O chefe da agência atômica da ONU, AIEA, Rafael Grossi, disse que o financiamento era uma questão fundamental, acrescentando que a energia nuclear precisava ser tratada em igualdade de condições com outros projetos energéticos. “Ainda temos uma arquitetura internacional e institucional que proíbe o financiamento de projetos nucleares”, disse ele. Grossi disse na conferência que desde a conferência climática COP 28, a maioria dos países concordou agora que a energia nuclear era parte da solução, o que deveria ajudar a garantir o financiamento. “Muitas decisões das instituições financeiras dependem de os governos quererem algo ou não se oporem a isso”, disse ele.
O primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, sugeriu envolver o Banco Europeu de Investimento no financiamento de novos reatores. “Não falta financiamento privado. Muito pelo contrário, o que falta são as circunstâncias adequadas para iniciar o financiamento privado e um banco multilateral deve ser uma alavanca para multiplicar o investimento”, disse ele. Em resposta a uma pergunta, De Croo também disse que as cadeias de abastecimento da indústria nuclear europeia precisavam de se desligar da Rússia o mais rápido possível, equilibrando ao mesmo tempo as operações existentes.
Vários países europeus dependem da tecnologia russa e do urânio para fornecer e manter os seus reatores. Os Estados Unidos também procuram reviver a energia nuclear. “Apoiamos a iniciativa francesa para encorajar o Banco Mundial e outros bancos de desenvolvimento a eliminarem a restrição ao financiamento nuclear”, disse John Podesta, conselheiro sénior do Presidente dos EUA para energia limpa, aos jornalistas.
Ele acrescentou que o Congresso aprovou recentemente US$ 2,7 bilhões para reiniciar um programa de enriquecimento, especialmente para combustíveis avançados, como o urânio de alto teor e baixo enriquecimento (HALEU), que, de acordo com a Associação Nuclear Mundial, é urânio enriquecido usado principalmente em reatores de pesquisa e produção de isótopos médicos.”
As mudanças em nosso universo são uma constante, principalmente no raciocínio dos líderes que bem ou mal escolhemos. A aceitação e o renascimento da energia nuclear é um primeiro grande passo na derrocada do terrorismo ambiental. Nada como o tempo e a necessidade para que as pessoas percebam para onde o ‘vento sopra’, apesar das barreiras midiáticas promovidas pelos ambientalistas.
“Os conhecimentos de uma era são encarados como verdades definitivas e perenes, ledo engano a história nos mostra que tais conhecimentos sempre são suplantados pelos de eras futuras na medida que a humanidade evolui”