A celebração do dia da Consciência Negra começa a partir do Rio Grande do Sul. Por volta de 2011 o país inteiro abraça o dia 20 de novembro. Os estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro todos têm feriado nesse dia. No entanto, inúmeras cidades já decretam a suspensão das atividades no período.
A escolha da data foi feita por conta do dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Ele foi um dos maiores líderes negros do Brasil, que lutou pela libertação do povo contra a escravidão que imperava no país, quando ainda era Império. Desta forma, a ocasião visa reconhecer os descendentes africanos e a construção da sociedade brasileira atual.
Aqui no Amapá o Movimento Negro sempre buscou lutar por políticas Públicas, reconhecimento, pertencimento e valorização da cultura e da nossa identidade.
A União dos Negros do Amapá (UNA), o Instituto de Mulheres Negras do Amapá (IMENA), o movimento Quilombola, entre outros, sempre resistiram e lutaram por igualdade racial. O racismo estrutural é uma agressão e um desrespeito AA dignidade e aos direitos sociais. No Amapá a realidade ainda é complexa. O Estado ainda é atrelado a velha política. A maioria acaba se transformando em minoria. A invisibilidade violenta impera e empurra dos negros e os pobres para as senzalas de hoje. Em 1943 quando da criação do Território Federal do Amapá, os negros foram praticamente expulso da frente da cidade. Sempre foi assim. Temos uma história de resistência.
Nossa identidade é o berço do Marabaixo, nossa maior identidade. No dia 15 de junho de 2010 um conflito gerado por intolerância e falta de conhecimento levou os marabaixeiros à porta da delegacia. No dia seguinte o movimento negro foi pra rua exigir respeito. Para lembrar a resistência e denunciar o preconceito, a Assembléia Legislativa do Estado por iniciativa do então Deputado Dalton Martins, aprovou a Lei que criou o Dia Estadual do Marabaixo, justamente celebrado no dia 16 de junho.
No dia oito de novembro de 2018 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) declarou o Marabaixo como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Também n dia 23 de novembro de 2018 foi fundada a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo (AABM).
Cerca de 109 milhões de brasileiros se declaram negros ou pardos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As políticas públicas voltadas para esse público, que representa 56,1% da população do Brasil, são celebradas por um grande marco: O Estatuto da Igualdade Racial (Lei Nº 12.288, de 2010). Racismo no país é crime, mas infelizmente o estado brasileiro não está preparado para lidar com a violência social nas suas várias instâncias. Muitas conquistas foram alcançadas, porém, precisamos continuar resistindo. O custo de brigar por respeito é alto. Muitos sacrifícios, portas que se fecham e amizades desfeitas. O importante é seguir o curso da história e da consciência. Viva Zumbi dos Palmares!