Todos os textos e falas precisam ser vistos sistematicamente, de acordo com o contexto em que estão inseridos e do qual, evidentemente, surgiram e o naufrágio do Titanic nos lembra que há muito além da ponta do iceberg.
É preciso mergulhar fundo para se ter adequada compreensão da vida social e política, pois nada é simples e óbvio ou passível de classificação como sim ou não e correto ou errado.
A história nos mostrou exemplos disso, há cerca de 100 anos, em várias sociedades e culturas, nas quais o sentimento maior e de caráter unitário nacional foi substituído por visões partidas e sectárias formas de lealdade partidária.
Antes de se revelar na superfície como atos eminentemente políticos, seja de centro, esquerda ou direita, há manifestações de ordem moral e cultural, religiosa e próprias das tradições de cada grupamento social e das suas raízes históricas.
Vimos como movimentos de radicalização levaram ao esvaziamento do caminho do meio e permitiram o surgimento e, mais do que isso, a consolidação de ideologias extremistas, que permitiram que a construção de ideais partidários fizessem desfilar bandeiras de partidos no lugar da nacional, como ocorreu nos desfiles em Nuremberg e, com as devidas peculiaridades, na Itália de Mussolini e na URSS de Stálin, bem como na China, onde a estrela maior da bandeira nacional representa o partido comunista.
Em certa ocasião, em solo norte-americano, ouvia os alto-falantes ecoarem o justo aviso de que havia heróis presentes (“our heroes are here”!), levando as pessoas a parar o que faziam para os admirar e, com aplausos, homenagear. Além disso, lá não é incomum vermos bandeirinhas tremulando em casas e carros e pessoas orgulhosamente trajando bonés e camisas com as cores nacionais.
Enquanto isso, aqui não temos visto essa homenagem voluntária, nata e popular aos militares ou aos pracinhas que lutaram na 2ª Guerra e o hino nacional nem sempre é cantado com entusiasmo.
Essa perceptível diferença deve nos dizer alguma coisa!
A propósito, há um “orgulho americano” sempre presente nos filmes e séries de TV e os seus maiores partidos não esvaziam a força da bandeira americana e não a substitui pelas suas bandeiras partidárias.
Uma visão partida abala o vigor dos sentimentos e conceitos inerentes à Soberania e o extremo valor da unidade linguística, da nacionalidade brasileira e da honra nacional.
Aqui temos visto quem quisesse atribuir papel moderador a quem não o possui. O Poder Moderador estava presente no art. 98, da Constituição imperial de 1824 e era imanente ao Imperador do Brasil, que o exercia privativamente, na condição de Chefe Supremo da Nação, permitindo-lhe agir para manter e fomentar a independência, o equilíbrio e a harmonia dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. A propósito, bom é relembrar que o art. 99, daquela Constituição, afirmava que a Pessoa do Imperador era inviolável e sagrada, poupando-o de qualquer responsabilidade.
Tal condição não encontra paralelo na Constituição Federal de 1988, republicana, onde nenhum órgão ou entidade recebeu potestades inerentes ao Poder Moderador.
Portanto, no Brasil contemporâneo, esse papel não é passível de sofrer um tipo de fagocitose e ser envolvido por outro Poder ou qualquer sorte de organismo governamental ou célula orgânica de poder.
O Judiciário pode ser o guardião da Constituição, como expressa o art. 102, da Constituição Federal, o que não significa que o texto constitucional se lhe atribua o papel moderador típico. Não devemos ter facetas de poder moderador, nem depender de salvadores da pátria. O povo é o senhor de si e dos seus destinos e, com liberdade e confiança, precisa exercer o sufrágio universal e ter o Estado a seu favor e não como gestor à parte e senhor dos seus destinos.
Contudo, o peso do tempo sobre o sistema econômico e político nacional e o jugo pesado que a carga tributária e os baixos salários colocam sobre os ombros dos trabalhadores e dos setores produtivos, aliado a campanhas desconstrutivas de valores como honra, patriotismo e nacionalismo, nos deixam numa encruzilhada, porquanto algumas coisas parecem “fora de moda” ou ultrapassadas – embora não sejam ou estejam assim, nos países que vemos mais desenvolvidos e com melhores condições de salário, liberdade, competitividade e produtividade.
Podemos não ter tudo à nossa disposição, mas devemos estar dispostos a lutar por melhores condições para cada um, para as nossas famílias e para o país. Não se preocupar com os destinos da Nação significa não nos interessar pelos próprios destinos, na medida em que, de certo modo, não revelando interesse pelo coletivo, nos abandonamos à própria sorte.
É o contrário da lógica que alimentou os “esforços de guerra” durante a 2ª Guerra Mundial e, depois, a reconstrução dos países destruídos por aquele conflito. Não se faz, aqui, apologia de guerras e conflitos de toda sorte, apenas se analisa que, durante as guerras, a sociedade civil é mais exigida e a colaboração de cada um se faz importante para o resultado final.
Mais do que isso e como elemento para reflexão, sabemos que no ano de 1995, no hotel The Fairmont, na Califórnia – EUA, 500 líderes e cientistas se reuniram para debater os caminhos da civilização no Século XXI e que uma das coisas debatidas foi a análise crítica entre a “sociedade ocidental de exigências” e a “cultura asiática do sacrifício”.
Outro aspecto relevante e que não deve ser desconsiderado é a ideia da sociedade econômica 20 x 80, pela qual apenas 20% da população seriam suficientes para fazer funcionar a economia (o consumo e a força de trabalho). Nesse contexto, a maioria (80%) simplesmente ficaria de fora e, para estes, houve quem falasse que se lhes deveria destinar “tittytainement” (neologismo, com a soma das palavras tittys e entertainment), algo como anestesia por diversão e comida – soando como versão modernizante da expressão “pão e circo” dos antigos romanos.
Parafraseando o contexto, seria necessário que cada um se preocupasse em estar nos 20%, indispensáveis para o seu país, tanto quanto cada nação deveria lutar para estar nos 20%, indispensáveis no mundo globalizado, com a economia mundializada.
A propósito, o considerado potencial, danoso ou próspero, se agrava com a hiperconectividade atual.
Como vemos, aspecto fundamental de reflexão, tanto para líderes quanto para as mentes comprometidas e preocupadas com os destinos próprios e da Nação, está na unidade nacional, ante os desafios que o mundo contemporâneo nos impõe, pois o fracionamento da unidade e do sentimento nacional, a visão partida e a fragmentação das forças produtivas e políticas só serve a quem não é brasileiro ou não se sente orgulhoso de o ser.
Quando outras nações agem em prol dos seus e com posturas expansionistas, não podemos ser, simplesmente, receptivos… Se outros são nacionalistas, por qual motivos não podemos ser e defender e proteger os nossos interesses? Soberania Nacional só pode ser vista como conceito ultrapassado quando nações equivalentes também o considerarem assim, quando forem ameaçadas ou de algum modo vítimas de embargos econômicos e medidas que prejudiquem os seus povos e as suas economia e segurança territoriais.
Antes de encerrar, aumenta em proporção o quadro analisado quando os jornais têm noticiado que a reforma tributária recém iniciada pode nos legar a maior carga tributária do mundo, aumentando ainda mais o peso sobre o povo, a indústria, o comércio e as mais variadas cadeias produtivas: isso mais fará sorrir os nossos concorrentes internacionais.