Ser criança é ter mil sonhos no coração e acreditar que todos eles são possíveis. É fazer do imaginário a sua realidade, brincar com bonecos como se eles tivessem vida e pular e correr como se fosse dotado dos poderes dos seus heróis preferidos. Ser criança é também residir em um mundo especial onde a brincadeira é a sua maior responsabilidade e por isso deliciam-se em não terem de pensar em mais nada.
Ser criança é não ter preconceito, é não julgar e não ter planos maldosos. Ser criança é sinônimo de pureza e lealdade. É fazer amigos antes mesmo de saber seus nomes. É ser capaz de perdoar os que a fizeram chorar e segundos depois brincar como se nada tivesse acontecido. Ser criança é se divertir com pouco o tempo todo. É ser feliz a todo instante. Eles fazer do imaginário uma realidade e acreditar fielmente que sonhar tem poder para tornar qualquer sonho em realidade.
Ser criança é uma viagem heroica, como um filme de ficção científica como Star Wars (Guerra nas Estrelas). Cada criança é Lucky Skywalker ou Lucy Skywalker, e estão sempre lutando contra o império do Mal, mas o império do mal não é seu pai ou mãe, avós, amigos ou sua escola, mas sim uma crença de que a criança é um ser único e universal. Não é! Ela é um ser cultural, que vive uma experiência social e pessoal, construída e ressignificada continuamente.
Para Paulo Freire: “É fundamental, portanto, olharmos para as crianças como produtoras e transmissoras de culturas que devem ser identificadas, potencializadas e preservadas, ou seja, precisamos olhar e conhecer as crianças com base no olhar que elas próprias têm sobre si e o mundo e suas infâncias.
Como escreveu Roseanna Murray, “O mundo é sempre novo, e a terra dança e acorda aos acordes de sol. Faça do seu olhar imensa caravela. Caravela para olhar, conhecer e dar voz às nossas crianças e às suas tantas infâncias.
MOLECAGEM
Vi um menino brincando no tempo,
Correndo e pulando contente
Soltando o pião com fio de lã.
Em seu rosto, olhares atentos
Em sua boca, o sorriso da gente
E nos olhos o brilho da manhã.
Na biqueira molhava seu rosto,
De poeira sujava seu corpo
jogando peteca no quintal.
A chuva molhava a roseira
A tarde acendia a fogueira
Para as noites frias de luau.
Brinca, moleque, brinca, danado
Vai pra rua, mas tenha cuidado
E não esqueça de cedo voltar.
Faça barulho, não fique calado
Dê um sorriso, não seja acanhado
Mostre o mundo em teu olhar.