A situação eleitoral nos principais países do ocidente é de crise.
Como venho afirmando há muito o ocidente se ressente de líderes fortes. Qualquer um pode perceber que as duas únicas lideranças que se destacam uma está no Leste Europeu e a outra na Ásia. Para ser mais claro no Leste Europeu a Rússia (país que não integra a União Europeia) com Vladimir Putin e na Ásia a República Popular da China com Xi Jinping. Na União Europeia não conseguimos divisar nenhuma liderança que se destaque, apenas o Macron querendo posar de poderoso e nos Estados Unidos Joe Biden o 46° presidente americano em avançado estado de deterioração, que ele mesmo reconheceu renunciando à reeleição, não conseguindo liderar seu próprio pais. Biden vinha tentando destruir tudo o que os outros 45 presidentes construíram.
O site RT publicou, em 04/07/2024, o artigo “As eleições no Ocidente estão a mascarar um processo oculto irreversível”, assinado por Sergey Poletaev, analista de informação e publicitário, cofundador e editor do projeto Vatfor. Transcrevo trechos.
“Um dos sinais dos tempos é a tendência global em direção a cultos de personalidade e à irremovibilidade de líderes. E, aparentemente, sociedades liberais no Ocidente também estão se movendo nessa direção.
A situação atual nos principais países ocidentais pode ser chamada de crise de seus sistemas políticos, mas isso é apenas a ponta do iceberg – na realidade, estamos observando um problema muito maior. Esta não é a primeira vez que isso acontece desde a Segunda Guerra Mundial (lembre-se da situação nas décadas de 1960 e 1970), mas a profundidade e a escala das mudanças que estão ocorrendo no mundo hoje sugerem que o momento é propício para grandes mudanças nas instituições globais, incluindo o sistema eleitoral.
A propaganda ocidental nos convenceu de que as eleições são o resultado de uma competição justa e que quase qualquer um pode chegar ao poder, desde que suas ideias sejam apoiadas por um número suficiente de pessoas. Claro, esse não é o caso – nenhum país seria capaz de funcionar se mudasse radicalmente de curso a cada poucos anos.
Na realidade, essas eleições são o estágio final da legitimação ou, por assim dizer, da aprovação pública, de ideias e pessoas que passaram por um longo processo de seleção pela classe dominante. Em um mundo ideal, esse sistema supõe um ciclo de feedback perfeito – se o país e a sociedade estão se movendo na direção errada, isso se reflete nas eleições; então, novas pessoas com novas ideias abrem caminho na política, e o país ajusta seu curso geral sem sofrer choques desnecessários. Como sociedades saudáveis preferem estabilidade e previsibilidade, quaisquer forças populistas ou extremistas não teriam chance de chegar ao poder.
Foi exatamente isso que aconteceu no Ocidente depois da Guerra Fria. Nos últimos 30-40 anos, as eleições ocidentais se tornaram uma farsa. Claro, não parece tão ruim quanto o sistema soviético com seu candidato único. Mas uma atmosfera competitiva não significa necessariamente que existem alternativas – e até recentemente todos os candidatos ocidentais tinham que se encaixar em uma única agenda liberal convencional.
Um candidato ou partido poderia ser um pouco mais ‘direitista’ ou ‘esquerdista’, mas o curso político geral nunca era ajustado e qualquer tentativa desse tipo era considerada heresia. Como resultado, esses votos perderam sua função principal: monitorar o sentimento popular e ajustar suavemente o curso político. O enfraquecimento do sistema eleitoral levou à perda de feedback público. Hoje em dia, qualquer político ocidental pode entender as palavras do falecido líder soviético Yuri Andropov, ‘Não conhecemos a sociedade em que vivemos.’
No entanto, em vez de reconhecer esse fato, vemos uma negação quase completa. Estamos fazendo tudo certo, diz o Ocidente, mas forças obscuras estão nos oprimindo cruelmente; é culpa delas, então precisamos nos unir em torno do líder/ do partido/ de nossos ideais; não podemos deixar os inimigos da democracia chegarem ao poder. A desintegração do sistema liberal-globalista é um processo historicamente objetivo, e o sistema eleitoral tradicional está se desintegrando junto com ele. A Rússia sabe o que acontece quando você substitui a política pela engenharia política – isso aconteceu nas eleições presidenciais de 1996 na Rússia. Na época, o Partido Comunista, liderado por Gennady Zyuganov, competia com o então presidente Boris Yeltsin, cuja popularidade estava caindo rapidamente, e as novas elites russas pós-soviéticas enfrentavam a perspectiva de um renascimento comunista completo.
Yeltsin conseguiu vencer a eleição de 1996 e, mais tarde, sem se desacreditar, nomeou um sucessor, lançando assim as bases do poder político moderno na Rússia. Mas, ao contrário dele, parece que [o presidente dos EUA Joe] Biden e [o presidente francês Emmanuel] Macron estão fadados ao fracasso. Os democratas não conseguem apresentar Biden como um candidato forte, mas não têm um plano B, e tentativas de última hora de substituir Biden só levarão a uma grande briga dentro do partido. O resultado da corrida presidencial está se tornando cada vez mais imprevisível, e nessa situação tudo é possível, até mesmo uma tentativa de assassinato do principal concorrente de Biden, Donald Trump. (Este artigo foi publicado antes da tentativa de assassinato do candidato americano).
Quanto a Macron, ele obviamente foi mais esperto que ele mesmo. Como resultado de sua própria decisão de convocar uma eleição antecipada, ele está prestes a ser derrotado e perder sua maioria no parlamento. A França pode enfrentar três anos de caos com as mais sombrias perspectivas para a classe dominante liberal. Dos sete líderes do ‘mundo livre’, apenas a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni não poderia ser chamada de pato manco – e ela chegou ao poder como representante das forças de direita, mas foi forçada a seguir um curso político convencional. O que estamos vendo agora é um momento histórico importante, mas para o bem deste artigo é ainda mais importante notar o que acontecerá a seguir. Nem todas as repúblicas liberais sobreviverão a esta crise.”
A análise de Sergey Poletaev é tão atual e real que chega a ser assustadora. A carência de lideranças no chamado mundo ocidental é extremamente evidente. Na minha modesta opinião o último grande líder europeu foi Margaret Thatcher, 1925 a 2013, política britânica que exerceu o cargo de primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990 e líder da Oposição entre 1975 e 1979. Foi a primeira-ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo.
Talvez as mudanças que se vislumbram com as eleições do Parlamento Europeu. Mudanças não apenas ideológicas que ensejarão, praticamente, um tsunami político capaz de promover mudanças de lideranças dos países membros criando, quem sabe, alguma liderança forte. Agora ao ocidente somente resta esperar.
“Grandes líderes quase sempre são grandes simplificadores, que conseguem passar por discussões, debates e dúvida para oferecer uma solução que todos possam entender.” – Colin Powell, ex secretário de estado norte-americano.