Mediante a tanta insensatez afloradas nestes últimos tempos, de muito fogo, muito calor e falta d’agua, agravadas por retóricas de pessoas que deveriam ser mais responsáveis, apenas a evitar ser grosseiro, faço republicar crônica que lamenta e desencanta aqueles que comunicam:
APENAS LETRA EM JORNAL
De repente me desiludi lendo um jornal, relatório do Banco Mundial. Segundo ele, apenas 23% dos brasileiros conseguem ler bulas das caixas de remédios. E sacaneia mais: acrescenta que somente 8 % da nossa gente entende tudo que ali está escrito.
Atônito, não chegaria a ficar triste com isso em relação a nossa cultura, se essa informação não trouxesse outra conclusão mais incômoda, pelo menos a mim. Segundo eles, todos esses números resultados de extensa averiguação, são iguais aos colhidos junto a leitores de jornais ou revistas informativas. Afirmam mesmo que bem mais da metade dos assíduos leitores de toda a imprensa nacional são levados a confundir, ou embananam, notícias com opiniões. Não distinguem uma coisa da outra, e ainda dentre eles apenas 8% elaboram as informações de maneira satisfatória. E mais, segundo o capeta do Banco, não acontece entendimento durante a leitura que confira de utilidade ou preparo para participação na projeção da sociedade com vistas a criação de estruturas da própria nação.
Em toda essa história, que nem sei se verdadeira, na minha apreensão vem de fato de ainda querer continuar a escrever, mesmo com ciência do agora publicado sobre tal desinteresse e baixa capacidade dos leitores em absorver escritos politizados. Quero duvidar um pouco da generalização dessa pesquisa, mas mesmo se assim o for vou continuar a escrever. Sou teimoso já dizia meu pai. Mãe, então, nem digo o que ela falava. Prossigo, ainda que por discussão, prazer na missão ou “pra contrariar”.
Quanto ao universo dos que leem, não apenas a mim, lógico, mas todos aqueles que escrevem pelos interesses sociais e nacionais, a coisa ficará bem complicada. Desde muito, a humanidade percebeu que poderia haver entendimento não só entre homens e pessoas, assim como de povos inteiros ao se estabelecer a comunicação como propriedade para o desenvolvimento e progresso. Logo, e muito rápido, se entendeu que a informação seria sempre uma importante ferramenta não só para aquisição de conhecimentos gerais, mas para a saúde, educação ou até para alcançar riquezas.
Um grande magnata da impressa em nosso país dizia: ‘ A informação reina absoluta como maior fonte de capital e é fundamental para elaboração da base política de qualquer país’.
Sempre concordei com ele, indiscutivelmente ela é a mais formidável, seguida do relacionamento, e lá longe, no final da fila, dinheiro propriamente dito, embora por aqui ele tenha tomado a dianteira (ainda bem que o magnata morreu sem assistir ao hoje!). Mas, mesmo com tais ‘poréns’, o País inteiro assistiu como passou por uma brutal evolução comercial e econômica, exatamente pela cultura do comercio exterior adquirida por nossos novos empresários. O próprio e bem-sucedido agronegócio nacional é filhote dessa incansável busca de saber e aculturação em outras fontes.
Falando, entretanto, das tristezas sofridas na área política, aí realmente cresce a tendência em validar o tal estudo de nível mundial. Realmente, é duvidoso e até esquisito. Em um país deste tamanho, ao se aplicar a democracia, como fazer então para que não só a educação política e a instrução, mas também as informações cheguem a todos? Se for um indivíduo, uma vontade emergida em voto, ideal seria trazer a todos noção bastante para melhor acontecerem os necessários discernimentos às escolhas gerais. Numa nação como esta, extremamente heterogenia culturalmente, mas sem nenhum habito de boa percepção e atenção à informação, como diz o cruel relatório, o que poderíamos nós arranjarmos se, experientes, já sabemos como tudo haverá de terminar, e sendo todos eleitos pela desatenciosa maioria, que tem seu ápice com a eleição do próprio ‘imperador’ aqui conhecido como presidente? Portanto, embora a reclamação seja geral, dá para entender então o porquê de tantas seguidas traquinagens dessa mirabolante ‘tchurma’ política em exercícios de mandato que, apesar de tantos reclamos, nunca muda. Da então para acreditar que quem os elege não sabe de nada, vai na onda. Só sobram mesmo aqueles benditos 8% o resto.
Aborrecido mesmo fico se for verdade, por entender que escrevemos apenas para esse tantinho de gente. A grande massa nos ignora e não dá muita confiança. Pois, com esse poder de elegerem a quem desejam, desprezam não só a mim e muitos outros, mas também a quem nos poderia substituir, as redes sociais, que no desprezo tem se permitido enveredar meio a tantas mentiras cobiçosas.
Sinal então de que as eleições no brasil são resolvidas por aqueles que usam jornais apenas no banheiro, de onde se arriscam a sair com a tinta de impressão por todo ‘traseiro’, onde mantém o que gastamos horas escrevendo