E que há sombras no olhar de quem pena ou carrega incrustrado no olhar idiossincrasias extremas a contrapor-se à alegria de crianças a pular poças d´água, explodir balões, estourar plástico bolha, fazer experimentos alquímicos com água, areia, grãos e farinhas enriquecidas com gauche ou cola colorida…
Quais sombras assombram?
Sombras, assombrosas sombras, esparramam-se no percurso do andar claudicante do ignorante arrogante a espalhar a miséria, a dor, o impropério ou a blasfêmia. Sobrevoam, cheirando a esgoto, a misericórdia estéril do que promete divisas ou paraísos e de seu semelhante rouba a carteira, o brio, a vida …
Ah, mas há a sombra da natureza refrescante no verde guarda-sol das árvores em alamedas e ruas dos passantes sob o sol escaldante ou nos caminhos poeirentos dos retirantes.
Há as sombras luminosas que sobre ti, sobre mim ou sobre nós se lançam e inspiram a escrever poemas alçando voos em um tema com ou sem pena, talvez cheiro de magnólia ou alfazema; aquele tom que te, ou a nós, leva a compor uma aquarela sobre a tela em harmonias jamais vistas; aquela música que nos faz dançar sozinho no quarto, na sala, na varanda ou nos braços que imaginamos.