Poemas são mágicos, são ciência. Quem aprende a navegar em seus mares, queimar em suas fogueiras, sentir o vento que sopra… Esse alguém aprende a ler e conjugar os verbos das travessias. Versos são espelhos cuja rima ou ausência de rima nos faz direcionar o raio de luz sobre o foco desejado ou não, não importa, é foco.
Não sei vocês, mas eu a cada dia, nestes dias de tanta insanidade, agressões gratuitas, sinais fechados para o encontro e a empatia, o ser humano abandonado à beira das estradas, chutado nas ruas e favelas, eu sinto mais e mais necessidade de adentrar na selva densa da poesia para descobrir meus mistérios, meus tesouros, aquela bela ametista, e por que não dizer a macrobiótica, os fungos ou os possíveis impostores que invadiram o sagrado espaço de meu templo.
Mario Quintana já dizia, “A vida fica mais fácil se a gente sabe onde estão os beijos de que precisamos.” Saberemos nós onde estão? Saberemos onde se encontra aquilo de que precisamos, se não encontrarmos uma chave para abrir portas e portões ou trilhas que atravessem o desconhecido? Saberemos onde estão os gatilhos para a nossa alegria, para os sorrisos francos, para a ternura e a leveza de nossa presença em um “bom-dia”?
Faço muitas perguntas? Sim, atravesso as horas com perguntas e as respostas, normalmente, estão nos caminhos das poesias. Gosto de me encharcar na chuva de palavras despejadas de um poema encontrado em uma leitura ao acaso. Pode ser uma leitura mil vezes repetida, sempre será uma chuva inesperada, um céu que desaba às vezes até com granizo, outras vezes suaves pingos, garoa de domingo.
E nas trilhas que estou relendo, ou nas cortinas que estou abrindo, encontro mais uma pegada deste poeta genuíno, se você não leu ainda, vale a pena tentar, ou reler sempre que precisar caminhar: “Uma vida não basta ser vivida. Ela precisa ser sonhada”. Juro, esses versos são ecos dos meus passos. Quintana os ouviu, meus passos, em algum tempo espaço e lhes deu acolhida.