Eu sempre quis entender por que se fala “vidas negras importam“, em vez de “todas as vidas importam“!
Fui buscar respostas, e as encontrei numa reflexão que fiz sobre as desigualdades sociais no Brasil e no mundo, sob o ponto de vista da espiritualidade.
Todas as vidas importam, claro, mas se você quiser entender esse fenômeno social, precisa primeiro estudar e compreender os registros históricos de brutalidade e violência velada contra a raça negra.
A morte de um homem negro nos Estados Unidos, no dia vinte e cinco do mês passado, provocou um levante antirracismo em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, como um despertar para este fato social, que por aqui, andava meio adormecido.
No caso dos Estados Unidos, é preciso entender as marcas deixadas pela escravidão e pela segregação racial, herança maldita da colonização americana. A morte de George Floyd desencadeou uma série de protestos que tem como bandeira principal o movimento “Black Lives Matter”-“Vidas negras importam”, e obrigou o presidente Donald Trump, depois de 22 dias de intensas manifestações contra a violência policial e o racismo, a assinar um decreto que determina a reforma policial no país.
Vale lembrar que, embora não tenhamos tido um apartheid por aqui, como na África do Sul, por exemplo, o Brasil foi um dos últimos países do mundo a abolir a escravatura, em 1888. A violência policial portanto, é sem dúvida, uma de nossas heranças escravagistas.
Em meio a esses tristes episódios de intolerância e estupidez humana, uma imagem me marcou muito, registrada numa manifestação contra o racismo em Londres: um homem negro, carregando nas costas um homem branco, para evitar que o matassem. Essa imagem viralizou nas redes sociais, como um recado ao mundo que “somos todos iguais”.
Este é um exemplo claro que “vidas negras importam”, mas ainda precisamos entender que “todas as vidas importam”, porque para Deus, somos todos membros de uma só família chamada humanidade.
Gosto muito do que diz a doutrina espírita sobre o parentesco corporal e o parentesco espiritual”…os verdadeiros laços familiares não são, pois, consanguíneos, mas os da simpatia e da comunhão de pensamentos que unem os espíritos antes, durante e após a sua encarnação. Disso se conclui que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo espírito do que se fossem pelo sangue. Podem se atrair, se procurar, se dar bem juntos, enquanto que dois irmãos de sangue podem se repelir, assim como podemos ver todos os dias. Há, portanto duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais; e as famílias pelos laços corporais.
A pigmentação da pele de uma pessoa é apenas o resultado da genética, como produto da relação de seus pais biológicos. Mas, para Deus, somos todos espíritos preexistentes, criados por Ele, para uma experiência existencial, independentemente dos traços materiais da cor da pele. Portanto, “todas as vidas importam”!
Edinho Duarte
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual
VIDAS IMPORTAM
