A pandemia, entre as mudanças que provocou em todo mundo, estão aquelas que afetaram as eleições municipais deste ano no Brasil, com novos procedimentos para o eleitor, os mesários e os fiscais.
Mas, além disso, vimos jogos em estádios vazios, uso obrigatório de máscaras, retrocesso na identificação do eleitor, que volta assinar a folha de votação ou coisa que o valha, sem poder usar a digital para não contaminar o ambiente e as pessoas que nele estão.
Os eleitores deixaram de ser iguais perante a lei no dia da eleição, uma vez que o TSE separou um horário para os maiores de 60 anos; afastou a possibilidade do cochicho devido ao afastamento mínimo; afastou também, conversa na fila sem ser aos gritos, devido à distância obrigatória; e ainda determinou, quem apresentar qualquer sintonia de contaminação pelo coronavírus, a partir do dia 2 de novembro, que fique em casa.
E não vote!
Essa é uma precaução, dentro da precaução, considerada por muitos necessária.
Ora, se todos estarão protegidos por máscaras e os mesários por máscara e álcool em gel, mantendo a distância mágica de metro e meio, com o eleitor usando a sua própria caneta para assinar e, a cada verificação de necessidade o ambiente seja higienizado, então por que o eleitor está sendo orientado a ficar em casa e não votar?
A abstenção registrada nas últimas eleições, sem qualquer restrição, já é grande, pois, há dificuldade de convencer o eleitor a sair de casa e ir até a sua seção eleitoral e voltar.
Certamente será maior a abstenção com a propaganda do TSE, durante o horário eleitoral gratuito, quando manda que o eleitor fique em casa.
Como esperar uma abstenção comportada ou pelo menos na média contabilizada nos últimos anos de eleições?
Mas, é assim! O eleitor tem que ser uma pessoa que compreenda tudo isso, inclusive a dificuldade de terceiros para cumprir a sua própria obrigação.
Nessas circunstâncias me parece que cresce a responsabilidade do eleitor, principalmente daquele que não é engajado politicamente com qualquer ideologia, como oportunista, como devedor de favor, ou mesmo daqueles que se apresentam como mercadoria, estando a venda para quem pagar mais.
O eleitor anônimo é a grande maioria. São os eleitores anônimos ou invisíveis que podem decidir a eleição.
Além desses eleitores formaria maioria, ninguém sabe, antecipadamente, em qual o candidato vai voltar.
É por isso que uma campanha não pode ser apenas resolvida pelo clamor do fígado ou coração, o mesmo do estômago. A maioria das soluções para os problemas de uma campanha passar, obrigatoriamente, pelo cérebro.
Já foi o tempo que os coordenadores de campanha não tinha o planejamento da campanha como suporte, como também já foi o tempo e os candidatos a prefeito não considerarem na campanha o seu plano de governo; dos candidatos a vereador apresentar-se como secretário municipais, querendo fazer coisas com as quais não vai lidar.
É para isso que ainda serve o horário político eleitoral gratuito: para o eleitor avaliar o que pregam e o que dizem esses candidatos.
Aliás, no caso de Macapá, o eleitor não tem do que se queixar por falta de alternativas: são 10 os candidatos.
Mas desejo que o eleitorado uma que aparece e dos demais municípios, compreendam que sou eles que vão decidir. Então que o eleito assuma essa responsabilidade; e se tiver dificuldade, vá por eliminação. É um bom método
Edinho Duarte
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual.