Uma pergunta ancestral e atual que cada um de nós, a partir de tenra idade, tipo três, quatro ou cinco anos, quando começamos a ter memória de nós mesmos iniciamos o processo de auto conhecimento, de auto consciência e, não paramos mais até o ocaso da nossa vida, o game over dessa consciência humana nesse avatar que chamamos de corpo físico.
Muito se houve falar de que fulano é só Ego, beltrano é muito egóico e, pelo senso comum muitos pensam que o ego é quase um inimigo, um xingamento, uma parte de nossa mente que precisa ser controlada, julgada e muitas vezes autocondenada por você mesmo.
Esse artigo traz esse desafio: entender os domínios do Ego, do Id e do Superego; o que de fato significa cada um desses termos e, dar mais um passo no nosso auto conhecimento e, consequentemente em nosso empoderamento pessoal.
O teórico que, no século XIX criou esses termos e, por isso ficou conhecido como o Pai da Psicanálise, em 1896, foi o austríaco Sigmund Freud. Esse teórico criou a teoria da personalidade e definiu a casa mental como sendo composta por três estamentos que giram entre si e se comunicam e se interconectam e vão delineando nossa experiência como seres de mentes pensantes: Os elementos são Ego, Id e Superego.
Para Freud e os demais psicanalistas que vieram depois dele, esses componentes mentais trabalham juntos e moldam nossos comportamentos humanos numa complexidade previsível e imprevisível, haja vista que somos de uma mesma espécie homo sapiens sapiens, todavia nossa individualidade faz de cada ser humano um tipo único e irrepetível, mesmo no caso de gêmeos univitelinos.
O Id representa a parte mais primitiva de nossa personalidade, está presente desde o nascimento e sua atuação é totalmente no âmbito do inconsciente. Freud definiu o id como o princípio do prazer, onde a mente busca a gratificação imediata dos desejos, vontades, necessidades básicas e, se esses desejos quando sentidos não forem atendidos o ser humano sofre com ansiedade ou tensão.
Um exemplo clássico desse desejo do id é a fome ou a sede que desencadeiam na pessoa pequena ou grande uma tentativa imediata de comer ou beber. O id na primeira infância norteia a vida do bebê, pois é ele, o Id que garante a comunicação da criança com seu entorno para que possam satisfazer suas necessidades básicas e que garantem a sobrevivência daquele ser tão pequeno e frágil.
Pronto, o id garante a necessidade básica imediata, porém, seguir exclusivamente o princípio do prazer imediato não é uma regra socialmente aceita pois, gera dissabores e situações as mais diversas em ferir o princípio de convivência salutar com os demais membros da sociedade.
E por isso, o Id cria imagem mental do objeto desejado como forma de se auto satisfazer caso não possa ser atendido imediatamente à sua vontade ou desejo.
O Ego é nossa consciência em ação, ele age como mediador entre o Id e o mundo à sua volta e esse componente da mente se desenvolve a partir do Id mas possui componentes conscientes e inconscientes. Um Ego saudável é guiado pelo princípio da realidade e modula os impulsos do Id para gerar comportamentos socialmente aceitos pela sociedade circundante.
Dra. Meire Yamaguchi em sua teoria de auto cura afirma que nascemos incríveis, consciências saudáveis, felizes, capacidades infinitas e luminosos, no decorrer das convivências vamos nos apequenando, aceitando rótulos e perdendo nossa luz interior. Até os três anos a criança é uno com a mãe, depois, paulatinamente vai ganhando auto consciência de si mesma como um ser diferente da mãe e, dependendo do que o seu entorno vai lhe oferecendo ela vai expandindo sua consciência positiva ou negativamente.
Todo bebê, ou pelo menos deveria ser assim, é visto por seus pais e família como um tesouro, como um ser de luz, extremamente amado, quando vai crescendo, se receber rótulos de gordo, feio, burro, desengonçado etc , vai construindo uma auto imagem negativa e perdendo sua luz interior; caso contrário, quando recebe estímulos de amor, de positividades vai construindo uma auto imagem de expansão de sua luminosidade interna.
Pronto! É só olharmos para as doenças da alma em nossas crianças e adolescentes para vermos quais estímulos estão sendo oferecidos por adultos adoecidos, encrencados emocionalmente e que, vão adoecendo aqueles pequeninos que um dia crescerão e terão dificuldades em posicionar Id, Ego e Superego.
E finalmente vamos falar do terceiro elemento que Freud estudou e desenvolveu e que nada mais é do que as interações morais. O superego internaliza padrões morais dos pais e da sociedade na qual esse indivíduo irá conviver, gerando na pessoa uma avaliação constante das suas ações aplicando julgamentos morais. E é aqui que inicia os processos mentais de sentimentos de culpa, de orgulho com base em se estamos alinhados ou não com os comportamentos padrões que vão sendo ensinados ao longo de nossa vida.
Em síntese, o Id busca o prazer imediato, o Ego media a realidade, busca o equilíbrio e o superego julga com base nos padrões morais que foram ensinados. Esses três elementos, juntos e misturados vão delineando o comportamento humano. E a pergunta que não quer calar: Quem é você? Você sabe? Você se conhece? Seu superego está alinhado com seu ego consciente e inconsciente? Seu Id está sob controle? Seu ego é mocinho ou vilão? Não responda de imediato, apenas se pergunte, as perguntas nos movem, nos levam para os próximos níveis de consciência; as respostas podem estar viciadas em padrões morais que não fazem o menor sentido para você