A mobilização em torno da denúncia sobre a morte de uma adolescente Yanomami motivou as lideranças da região a reforçarem os pedidos de socorro, e lembrarem que há, desde 2020, uma decisão judicial determinando que o governo federal retire os garimpeiros que operam ilegalmente na reserva, em Roraima.
Os Yanomamis vivem na maior terra indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares, e formam uma comunidade de quase 30 mil pessoas. As informações mais recentes indicam que quase o mesmo número de garimpeiros trabalha dentro da reserva, o que é proibido. A expulsão deles foi determinada pelo Tribunal Regional da 1ª Região e o governo federal realiza ações de repressão, inclusive com a destruição de maquinário, mas o problema segue longe de ser resolvido, segundo as lideranças locais.
A Hutukara Associação Yanomami, entidade mais representativa na reserva, divulgou carta nesta sexta-feira (6/5) relatando um longo histórico de violência imposta por garimpeiros na região da aldeia de Aracaça, onde houve a denúncia de que uma adolescente de 12 anos teria sido estuprada e morta e que uma criança teria caído no rio e desaparecido na última semana.
Também nesta sexta, a Polícia Federal divulgou conclusões prévias de sua investigação e alegou que são falsas as informações sobre o estupro e morte e que o relato teria tido origem em um mal-entendido.
Os Yanomamis não comentaram ainda as conclusões da PF, mas relatam que as denúncias em Aracaça não são um caso isolado. “Em todo o território, o garimpo invade nossas terras, destrói nosso modo de vida, nossas roças e gera fome e violência”, diz a carta, que faz um relato sobre essa violência justamente em Aracaça ao menos desde 2017.

