Ele utiliza imagens de Satélite LANDSAT, que possui resolução espacial original de 30 metros. Tal resolução pode ser melhorada (LANDSAT 7 e 8) através da fusão de bandas. Entretanto, pelo PRODES, as imagens são redimensionadas para pixel de 60 metros e parte das imagens pode não ser analisada devida a cobertura de nuvens. Entretanto, estas áreas são consideradas no cálculo do incremento estimado para cada imagem, através de tratamentos estatísticos.
O conflito entre o tempo necessário para processamento de todas as imagens e a data prevista para a divulgação da taxa é um fator que contribui para a não observação de algumas imagens. Neste caso, as imagens são selecionadas de forma a cobrir o máximo possível de áreas desmatadas no ano anterior.
A detecção do desmatamento ocorre apenas dentro da estação seca. Assim, para cada imagem do satélite LANDSAT, a estação seca foi estabelecida baseada em parâmetros climatológicos.
Anualmente a taxa do desmatamento dos Estados que compõem a Amazônia Legal é divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). As taxas anuais de desmatamento para o estado do Amapá (www.obt.inpe.br/prodes) desde 1992, não excedem 100 km².
Os valores mais altos são observados para o período inicial do projeto, entre os anos de 1988 a 1991 e para o período de 2008 a 2011. Apenas para esses períodos a taxa excedeu o valo de 50km²/ano.
Embora a quantificação do desmatamento da Amazônia seja realizada pelo INPE através do PRODES, o Amapá não é satisfatoriamente avaliado. O fator que corrobora para uma quantificação imprecisa de nossas áreas alteradas pelo PRODES é o fato deste projeto ter sido concebido para monitoramento de grandes áreas alteradas, como o “arco do desmatamento” no Pará e Mato Grosso.
O Amapá apresenta um padrão de desmatamento, onde áreas isoladas e pequenas constituem parte representativa das alterações. A área mínima mapeada pelo PRODES corresponde a 6,5 ha, enquanto que no Estado, de acordo com relatório do desmatamento do estado, onde para o biênio 2013/2014, cerca de 61% das áreas alteradas possuem polígonos menor que 6,5 ha.
A fim de complementar informações sobre o desmatamento no Amapá, desde 2002, faz-se a estimativa da quantificação e a distribuição espacial dos polígonos de desmatamento ocorridos no Estado, com a utilização de imagens do Satélite LandSAT obtidas gratuitamente através do site do INPE.
A vetorização manual realizada dos polígonos de desmatamento, o que infere um maior grau de subjetividade aos resultados, uma vez que o resultado da análise estará relacionada à experiência do intérprete. Entretanto, mesmo em análises automáticas, o intérprete é necessário para edição dos resultados. Isso contribui como fator positivo para o monitoramento do desmatamento, o fato deste ser realizado por técnicos de geoprocessamento que residem no Amapá e possuem maior conhecimento sobre o território que monitoram. Além disso, a interpretação manual de uma série histórica de imagens de satélite aumentou a experiência e a qualidade de interpretação dos técnicos ao longo dos anos.
Hoje trabalha-se com os parâmetros originais da imagem, píxel de 30×30 metros e isso permite que a menor área mapeada seja de aproximadamente 0,1 ha. Já o PRODES, faz a classificação automática adotando o parâmetro de 16 pixels de 60×60 m para determinar a área mínima a ser mapeada (6,5 ha).
Os dados gerados pelo Estado para monitoramento do desmatamento em área de floresta, considerando imagens de 1997 até 2014, tem um total acumulado de 2.768,36 km², o que corresponde a aproximadamente 2,5% da área de Floresta do Amapá. Os dados acumulados do PRODES totalizam aproximadamente 1.530 km² de área desmatada entre os anos de 1988 a 2016. A diferença entre os valores do PRODES e SEMA denotam que metodologias diferentes podem mostrar resultados bem distintos. [email protected].
Marcelo Creão
Ex-secretário de Estado na SEMA-AP, mestre em Biologia Tropical e Recursos Naturais, professor de Gestão Ambiental na FAMA.