Não é um recurso ruim, muito pelo contrário! O automatismo é um recurso indispensável e uma “mão na roda” do indivíduo para facilitar a ação de viver, pois, o cérebro, registra, decora hábitos e atitudes do dia a dia que seria muito desgastante aprender de novo todos os dias; aqui recomendo um filme muito interessante sobre lesões cerebrais que dificultam ou impedem esse automatismo: “Como se fosse a primeira vez”, que retrata numa comédia romântica uma jovem que, após um grave acidente de carro, perdeu essa capacidade de memória e, todos os dias seus familiares precisam recomeçar do zero as ações do convívio básico.
Todavia, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, os automatismos se não estão em equilíbrio com outras áreas como pensamento, meditação, estudo, escrita, inovação, criação, a mente vai ficando preguiçosa e os adoecimentos emocionais podem ir sendo instalados devido ao pouco uso de outras habilidades e competências que a mente humana possui e precisa ser exercitada, sob pena de entrar no marasmo, na mesmice, na tristeza ou mesmo na depressão.
Claro que esses assuntos que estou citando precisam de mais aprofundamento e de múltiplos olhares especializados para um diagnóstico individual e assertivo, esse artigo não se propõe a isso, mas apenas a iniciar uma percepção acerca do equilíbrio entre nosso piloto automático e nossa mente criativa, poderosa, que fica cada vez mais saudável e feliz quando exercitada e cada vez mais automática quando estamos em estado de alerta porém ligados em nosso piloto automático.
Aliado a esse modus operandi ainda existe outro agravante: as crenças limitantes que aprendemos com nossos formadores, desde o útero de nossa mãe, continua na primeira infância e os processos automáticos da mente fazem a gente pensar que essas crenças são nossas. Vou citar só uma perigosísima que ficou conhecida como síndrome de Gabriela “eu nasci assim, vou morrer assim, vou ser sempre assim…”
Quando Pedro é martelo e só sabe ser martelo, todos os problemas são pregos e o modus operandi de agir é sempre o mesmo: o que um objeto, o martelo faz: bater, puxar, bater de novo.
Cuidamos de tantas coisas ao longo da vida: cabelo, barba, academia de ginástica, igrejas e está tudo certo! Que tal acrescentar os cuidados com nossas inteligências múltiplas? Que tal acrescentar que somos seres multifocais e inteligentes e que o quê é bom pra João pode não ser pra José, e aqui estou usando nomes aleatórios para dizer que somos seres individuais, únicos e precisamos olhar pra dentro de nós mesmos, buscar o nosso melhor, o nosso jeito de ser, de agir, de funcionar.
O desafio de nosso século XXI é gigantesco: estamos em tempos de IA – e a IA, Inteligência Artificial para muitas crianças, jovens, adultos e até idosos está sendo a melhor companhia, a mais assistida, ouvida e atendida; como somos seres gregários, necessitamos do grupo pra viver e nos desenvolver, essa área de nossa mente está ficando desprotegida, desinteressante e corremos um sério risco de alterarmos nossa sociedade de forma drástica, o que só trará prejuízos os mais perigosos para nossa permanência como seres mais inteligentes do Planeta Terra.
De forma nenhuma devemos negar os benefícios da tecnologia e dentre eles, a IA bem utilizada é de um benefício imenso em todas as áreas da vida humana. Importante ouvir médicos, psicólogos, terapeutas, professores que evidenciam com trabalhos científicos que podemos pesquisar na mesma Internet sobre os riscos que as telinhas trazem na primeira infância, eu arrisco dizer, dos meus 40 anos de prática educacional e 20 de terapias que, em qualquer idade do ser humano, o excesso de horas de telas e de jogos ou programas com enfoque em violência, em sexualidade desenfreada, em apologia ao assassinato de crianças no ventre materno – o aborto, as drogas, lícitas ou não, a apologia ao crime como algo que compensa, enfim, em qualquer idade esses posicionamentos aos quais, repetidamente expormos nossa mente, traz prejuízos a si mesmo e ao seu entorno social.
A ciência já tem comprovação de como meditação, oração, a prática desportiva, só melhoram o desempenho da nossa mente e mente saudável refletirá num corpo saudável. Então meu amigo, minha amiga, saia já desse piloto automático e inove, altere caminhos neurológicos, desafie-se, busque ajuda, mas viva em plenitude toda a capacidade que seu cérebro tem pra te oferecer.
A plasticidade cerebral também já vem sendo estudada e comprovada pela ciência; o que nos permite dizer que todo dia é o dia da virada. Todo dia é dia recomeçar e fazer diferente; todo dia é dia de alinhar sonhos com atitudes, sonhos com metas, metas com equilíbrio das nossas cinco saúdes: física, mental, financeira, espiritual e social.
“O choro dura uma noite, mas a alegria, ela vem pela manhã”
Use seu piloto automático sim, mas com conhecimento de causa, com equilíbrio e moderação, de vez em quando, durante o dia, saia do piloto automático e exercite a arte que é viver. E viva em plenitude!
Piloto Automático

Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga
clínica e institucional, especialista em gestão pública.