Faltando menos de um mês para a Páscoa, os brasileiros terão que adaptar o cardápio da celebração às mudanças nos preços dos alimentos, pois de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, os produtos mais consumidos no feriado acumularam uma inflação de até 83% nos últimos 12 meses, tomando o mês de fevereiro como base.
No geral, os chocolates em barra e bombons, presentes tradicionais do período, tiveram um aumento de 10,74%. Já os açúcares e derivados, usados em doces e sobremesas, acumularam uma alta de 19,85%. O açúcar refinado, por exemplo, chegou a ficar 43,77% mais caro.
O gerente do IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pedro Kislanov, explica que o açúcar foi prejudicado pelas questões climáticas, tanto pelas geadas de inverno quanto pelo período de seca: “Tivemos altas seguidas de mais de 4% ao mês no preço do açúcar no segundo semestre de 2021. A cana-de-açúcar tem uma competição como produto alimentício e como base para a produção de etanol”, disse.
Além dos doces, o bacalhau, principal item do almoço de Páscoa, também teve uma alta de 6,26%. Em relação ao item, Kislanov destacou que a variação de preço pode mudar conforme o período de procura: “O aumento dos preços desse tipo de peixe é sazonal, ocorre principalmente na época de Páscoa e no mês de dezembro. O bacalhau apresenta variações pequenas e tem mais peso no Rio de Janeiro e no Maranhão”, declara.
Além do peixe, os reajustes se estendem a outros itens das receitas, tanto que o maior aumento, de 83%, veio da cenoura, usada em saladas e cozidos. Ao mesmo tempo, o preço da batata-inglesa subiu 10,55%, enquanto a cebola teve uma leve elevação, de apenas 1,05%.
Tradicionais acompanhantes do bacalhau, o azeite e a azeitona também tiveram aumentos de 8,86% e 8,65%, enquanto o arroz seguiu o caminho inverso e teve queda inédita no período de 17,92%.

