Estamos no final de mais um mês de outubro. Mês dedicado a conscientização para com a saúde das mulheres. Alguns tem outras prioridades. Ainda outros ignoram a campanha da saúde. Outros especialmente as escolas de inglês no Brasil, incentivam os seus alunos a celebrar o tal do Halloween com caricaturas nada alegres e convidativas. São influências culturais que não combinam com a cultura cristã que temos em nosso país. Como um colega pastor Luterano, chamado Bruno Serves que escreve semanalmente artigos e compartilha com seus contatos. Ele escreveu um com o tema: Doçuras que escondem travessuras, alerta para o fato que é preciso ter discernimento com uma “festa” que celebra por detrás das fantasias, celebra a morte e o obscuro. Já vi pessoas dizendo e procurando cristianizar o que parece ser impossível. O paganismo facilmente adentra dentro da igreja cristã. Todavia, nós cristãos luteranos, no dia, 31 de outubro, celebramos o retorno da Palavra de Deus às mãos do povo. Sim! Talvez você que lê, diga: pastor, mas quem tem autoridade para ler e explicar a palavra são os religiosos. Mas, respondo que a Palavra veio para todos e é dever de todos conhecê-la e repassar para os outros. Sim! É função dos religiosos estudar para melhor explicar a Palavra, mas é preciso que esta esteja na mão de cada pessoa.
A história nos conta que no tempo escolhido por Deus, Jesus levantou um homem chamado Martinho Lutero, (um padre católico da ordem dos Agostinianos), para que esse de dentro da Igreja da época, fosse erguido e chamado para ajudar o povo voltar-se a Palavra e abandonar a idolatria que já prevalecia no seio da igreja. Quem é este homem? Vejamos:
Breve histórico: Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483, em Eisleben – Alemanha e criou-se em Mansfeld na Turingia. Era filho de João Luther que trabalhava como mineiro e, Margarida Luther, sua mãe. Lutero conforme a própria história, teve uma infância normal, ele frequentou escolas em Mansfeld, Magdeburg e Eisenach, como qualquer menino de sua classe social. Lutero com 18 anos ingressa na universidade de Erfurt (1501). Na época o maior Centro universitário da Alemanha. Lutero foi aluno do colégio de Artes que preparava aos outros cursos como: Teologia, Direito e Medicina. Naquela época a teocracia prevalecia ainda sobre a Antropologia.
O medo de Lutero era o de ser condenado ao inferno e conforme costume da época o melhor meio de se estar perto de Deus era estar enclausurado em um mosteiro. Fato que o faz adentrar ao mosteiro da Ordem de Santo Agostinho. Em 1507 recebe então sua ordenação sacerdotal na Catedral de Santa Maria. Sob a supervisão de João Staupitz (superior da ordem), foi incumbido de estudar teologia, Staupitz queria fazer de Lutero um professor da ordem, o seu sucessor, ao que em 1512, recebe o grau de doutor em teologia já em Witenberg.
Wittenberg abrigava o Duque Frederico da Saxônia, integrante do império Romano da Nação alemã. Este príncipe fundou uma Universidade, em 1502, com o apoio dos monges agostinianos. Com apoio exclusivo de João Staupitz… Lutero começou lecionando filosofia em 1508. Mas interrompe a docência para então formar-se doutor e ser professor da cadeira de Lector in Bíblia, – Professor de interpretação das Escrituras Sagradas.
Lutero, lecionava sobre os Salmos, as epístolas de Romanos, Gálatas e Hebreus. Tinha como recurso o NT Grego de Erasmo de Rotterdam. A maneira tradicional de interpretação bíblica procurava encontrar, em cada texto quatro sentidos: o histórico, o alegórico, o tropológico (linguagem figurada) e o anagógico (sentido espiritual).
Como os humanistas cristãos, Lutero passou a fixar-se no sentido próprio ou literal do texto. Deixou os comentários dos teólogos escolásticos e passou a apoiar-se nos comentários de Santo Agostinho, que tinha por clareza que a Salvação decorria da misericórdia de Deus e não da realização de obras próprias.
Mas lecionando sobre os livros da Bíblia que Lutero faz a descoberta que resolveu as suas angústias e fez dele um Reformador. Em Romanos 1.17: “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.
“O justo viverá por fé” já havia sido citado em Habacuque 2.4. Até ler e refletir sobre o texto de Romanos 1.17: “Pois o evangelho mostra como é que Deus nos aceita: é por meio da fé, do começo ao fim. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus.” Até então, Lutero tinha a compreensão que parecia que o evangelho não era tão evangelho assim, era lhe exigido mais que do que realmente poderia dar. Algo muito parecido ainda acontece hoje em dia, quando vejo denominações exigindo que obras sejam feitas para agradar a Deus, outros, querem que seus membros façam propósitos exigindo a obediência de Deus a seus desejos pecaminosos. As pessoas estão invertendo os valores, a exemplo do que acontecera na idade média. Onde o perdão era comprado, a indulgência era cobrada, mas não se via os frutos do arrependimento. Sem a Palavra não se cria um coração novo.
Para Lutero pareceu óbvio que se o significado da palavra Evangelho era boa notícia, por qual motivo as pessoas não estavam vivendo essa boa notícia. Algo estava muito errado, ele também vivia com medo, até encontrar nas Escrituras o alento e conforto. Mas se era assim, então o Evangelho que significa boa notícia não era evangelho, era lei ou a lei era anunciada como evangelho. Todavia, se era lei precisa o ser humano merecer, a graça não existia. Mas como entender isso se até então os seus antecessores e os seus pares, não viam deste jeito.
Como poderia a Salvação ser um presente? Ser graça? Eis, que começa neste texto o estopim e uma maneira de Deus agir para que sua graça ressurgisse como verdade revelada no evangelho.
Pois, o nome e significado da palavra graça é exatamente receber sem merecer, e na prática é isso que a graça de Deus nos faz, recebemos de Deus sem ter que pagar. Graça é a essência da misericórdia de Deus que age graciosamente na vida de todas as pessoas.
O grande mistério da graça é a bondade de Deus. Neste sentido, até outra palavra Bíblica tem sentido, isto é, a palavra misericórdia. Porque no contexto Bíblico, misericórdia divina está vinculada no fato de Deus vir e compadecer-se de nós em Cristo.
Jesus assume a minha miséria do coração e renova as esperanças. O que Deus quer em troca é o que nos é dito no Salmo 51.16-17: “(16) Tu não queres que eu te ofereça sacrifícios; tu não gostas que animais sejam queimados como oferta a ti. (17) Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração humilde e arrependido.” Isto é reafirmado por Paulo em Romanos 12.1-2: “Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.” Nada disso estava em acordo com a prática e as penitências impostas naquele contexto religioso. Lutero descobre pela Palavra o verdadeiro sentido do Evangelho que significa: boas notícias.
Tão logo: – Os diferentes significados da palavra “evangelho”: (Conforme o dicionário Internacional de Teologia): Evangelho, Evangelizar, Evangelista. Tem sua origem no Grego e anunciam notícias novas. Boas notícias para quem espera. Então vamos lá: “euangelion” = boas novas, evangelho; também por sua vez “euangelizõ” = trazer ou anunciar boas novas, proclamar, pregar. Ainda podemos ver que “euangelizomai” = trazer boas novas, proclamar boas notícias, proclamar, pregar; e por fim “euangelistes” = proclamador das boas novas do evangelho, evangelista. Somando o todo é fácil perceber que na vida do cristã se não tiver uma boa notícia de paz da parte de Deus com o seu povo, nunca poderá alguém levar a notícia de paz para outrem. Assim sendo, creio que é imprescindível um olhar meticuloso para as diferentes vertentes evangélicas cristã. Também não é aceitável que o povo de Deus queira de dividir em evangélicos e católicos, pois se somos alcançados pela graça de Deus que é um só será que iria Deus separar cada grupo num lugar no céu? Claro que não. Todos têm um único Senhor e Salvador e todos que creem em cristo são portadores das boas notícias, ou seja. Somos evangélicos, os que tem a boa nova da salvação que é cristo e por adoção somos então aceitos por Cristo como nos diz Paulo em Romanos 5. 1-5: “(1) Agora que fomos aceitos por Deus pela nossa fé nele, temos paz com ele por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. (2) Foi Cristo quem nos deu, por meio da nossa fé, esta vida na graça de Deus. E agora continuamos firmes nessa graça e nos alegramos na esperança de participar da glória de Deus. (3) E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, (4) a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. (5) Essa esperança não nos deixa decepcionados, pois Deus derramou o seu amor no nosso coração, por meio do Espírito Santo, que ele nos deu.”. Novamente a respeito deste amor de Deus que nos agrega por causa de Jesus, nós lemos em Gálatas 3.26-29: “(26) Pois, por meio da fé em Cristo Jesus, todos vocês são filhos de Deus. (27) Porque vocês foram batizados para ficarem unidos com Cristo e assim se revestiram com as qualidades do próprio Cristo. (28) Desse modo não existe diferença entre judeus e não judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus. (29) E, já que vocês pertencem a Cristo, então são descendentes de Abraão e receberão aquilo que Deus prometeu.” A igualdade que destrói culturas e valores individuais, para formar um só povo o povo de Deus unidos por causa do que Cristo fez.
Para os luteranos é importante compreender a riqueza que a Salvação é fruto da obra de Deus no mundo por meio do seu filho Jesus Cristo. que a exemplo do registro do evangelista João, diz que: “(16) Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. (17) Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo. (João 3.16-17.”
Sobre estas verdades que falamos. Sobre essas verdades que Lutero desejava que a Igreja voltasse a anunciar. Um padre, amado por uns, mas odiado por muitos outros que eram coniventes com o pecado, o erro e a rejeição da palavra. Inclusive a história nos conta que o papado na época era conivente com o erro. Ainda bem que houve a reforma, mudou muito. O papado dos contextos modernos é muito mais próximo daquilo que se ensina nas escrituras. Como num contexto geral. A vida de fé das pessoas mudou e mudou para melhor depois da Reforma Luterana. Sim! Assim como naquela época que tinha os exploradores da fé. Hoje tem, e são muitos, adeptos a riquezas e não estão nem aí para a vida de fé das pessoas. A igreja cristã precisa estar sempre em Reforma, isto é, atenta para não se afastar da fé recebido do Senhor Jesus, nem mesmo se afastar da sã doutrina bíblica. É importante ajuntar pessoas para a salvação. É importante reconhecer que assim como em todas as denominações temos pessoa que são abusadores e exploradores da fé, assim também milhares são sinceros e buscam a paz e a salvação que vem de Deus. Que Deus nos ajude. Amém!
(Meus amados, semana que vem iremos escrever sobre a Trivium no qual se alicerça a fé e convicções de Lutero… Não peca semana que vem aqui na sequência a segunda parte- até lá… Fui!!!)
REFORMA LUTERANA – UMA HISTÓRIA QUE VAI ALÉM DE UM HOMEM CHAMADO LUTERO

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique