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A Gazeta do Amapá > Blog > Colunista > Ivonete Teixeira > Entre formigas, tamanduás e dinossauros: uma análise da presença humana no Planeta Terra
Ivonete Teixeira

Entre formigas, tamanduás e dinossauros: uma análise da presença humana no Planeta Terra

Ivonete Teixeira
Ultima atualização: 11 de janeiro de 2026 às 07:16
Por Ivonete Teixeira 13 horas atrás
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Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga clínica e institucional, especialista em gestão pública.
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Antes que o primeiro ser humano deixasse suas pegadas sobre a terra úmida, o planeta já pulsava vida. Florestas, oceanos, insetos minúsculos e gigantes colossais — como os dinossauros — dominaram eras inteiras sem jamais escrever uma linha de história, mas deixando registros profundos nas camadas do tempo. A Terra existiu, prosperou e se reorganizou inúmeras vezes sem a presença humana. A pergunta que ecoa, então, é inevitável: somos nós o ápice da criação ou o seu maior risco?
Do ponto de vista arqueológico, a espécie humana é recém-chegada. Enquanto os dinossauros reinaram por mais de 160 milhões de anos, o Homo sapiens ocupa o planeta há cerca de 300 mil anos — um piscar de olhos na escala geológica. Antes de nós, outras espécies humanas surgiram e desapareceram, como o Homo neanderthalensis e o Homo erectus, confirmando que a extinção não é exclusividade dos animais ditos “inferiores”.
O darwinismo nos ensina que a vida evolui por adaptação e seleção natural. Nesse processo, não há hierarquia moral, apenas sobrevivência. As formigas, por exemplo, superam os humanos em número, organização e resiliência. Elas constroem sociedades cooperativas altamente eficientes, sem destruir o ecossistema que as sustenta. Os tamanduás, por sua vez, cumprem um papel silencioso e essencial no controle populacional de insetos. Cada espécie, à sua maneira, integra um equilíbrio delicado.
O ser humano, entretanto, carrega um diferencial: a capacidade cognitiva de se reconhecer como presença consciente no mundo, e não apenas como instinto. Somos capazes de abstrair o cosmos, de nos ver dentro e fora dele, de perguntar quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Nossa natureza morfogenética — em constante transformação — nos permite criar cultura, ciência, arte, religião e tecnologia. Mas essa mesma capacidade nos conduz a um paradoxo inquietante.
Se somos a espécie mais inteligente, por que nos tornamos o pior predador do próprio habitat?
A teologia acrescenta outra camada a essa reflexão. Nas tradições judaico-cristãs, o ser humano é apresentado como criatura feita “à imagem e semelhança” do Criador, incumbido de cuidar da Terra, e não de saqueá-la. O domínio concedido ao homem jamais foi licença para a destruição, mas um chamado à responsabilidade. No entanto, a história revela uma humanidade frequentemente dominada pelo orgulho, pelo egoísmo e pela ilusão de supremacia absoluta.
Se somos um com a Inteligência suprema, Causa Primeira de todas as coisas somos imortais, porém vivendo uma experiência nesse pequeno e lindo Planeta azul. E, se a vida na Terra começou na água e o homem adâmico veio do pó e ao pó voltará, a eternidade humana não é desta Terra, logo, se teve um começo poderá ter um fim.
Aqui surge a gangorra existencial: de um lado, o homem, criatura dotada de razão; do outro, o Criador, fonte da vida e da ordem. Quando o equilíbrio se rompe, a inteligência se transforma em tolice, o progresso em colapso, e a consciência em negação. O resultado é um planeta exaurido, mudanças climáticas extremas e a ameaça real de uma sexta extinção em massa — desta vez provocada não por meteoros, mas por decisões humanas.
Entre formigas, tamanduás e os fósseis dos dinossauros, a natureza parece nos lembrar que nenhuma espécie é eterna na Terra. A pergunta que permanece não é se a Terra sobreviverá sem o homem — porque isso já aconteceu antes —, mas se o homem será capaz de sobreviver à própria arrogância.
Seremos, afinal, uma espécie inteligente o suficiente para aprender com a história do planeta, ou apenas mais um capítulo encerrado nas camadas da Terra? A resposta não está escrita nas estrelas, mas nas escolhas cotidianas de uma humanidade que ainda precisa decidir se quer ser guardiã da vida ou autora do próprio fim.

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Ivonete Teixeira 11 de janeiro de 2026 11 de janeiro de 2026
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Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga clínica e institucional, especialista em gestão pública.
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