A Polícia Civil do Amapá desarticulou um sofisticado esquema criminoso de abastecimento do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) por meio de drones. Durante uma operação realizada na noite de quinta-feira (16), um filmmaker de 26 anos foi preso suspeito de ser o piloto responsável por conduzir aeronaves não tripuladas que transportavam drogas, celulares, relógios inteligentes e outros materiais ilícitos para o interior da unidade prisional.
A ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) e também resultou na prisão em flagrante de um motorista de aplicativo, de 25 anos, além da apreensão de equipamentos e produtos avaliados em aproximadamente R$ 700 mil. Segundo a polícia, a operação representa um duro golpe financeiro contra a organização criminosa responsável pelo esquema.
As investigações apontaram que o filmmaker utilizava seus conhecimentos técnicos em operação de drones e produção audiovisual para realizar voos precisos sobre o complexo penitenciário, transportando cargas clandestinas destinadas a detentos ligados a facções criminosas. Os equipamentos empregados possuíam alta capacidade de carga e autonomia suficiente para atravessar as barreiras de segurança do presídio.
O suspeito foi localizado e preso no bairro Pacoval, na Zona Norte de Macapá. Durante o cumprimento das buscas em sua residência, os policiais encontraram três drones profissionais de última geração, avaliados em mais de R$ 100 mil. Também foram apreendidas embalagens utilizadas para acondicionar os objetos transportados e diversos acessórios compatíveis com o esquema investigado.
Segundo o delegado Leonardo Alves, titular da Denarc, o impacto da operação vai muito além da apreensão dos equipamentos.
“Estimamos um impacto financeiro direto de quase R$ 700 mil ao crime organizado, considerando o alto valor comercial de celulares e relógios inteligentes inseridos clandestinamente no comércio paralelo do sistema prisional”, destacou o delegado.
De acordo com as investigações, os aparelhos eletrônicos tinham grande valor dentro do sistema prisional por permitirem a comunicação entre líderes de organizações criminosas presos e comparsas em liberdade, possibilitando a continuidade de atividades ilícitas como tráfico de drogas, extorsões, furtos, roubos e outros crimes.
A primeira prisão da operação ocorreu momentos antes, no bairro Nova Esperança, na Zona Sul da capital. Equipes da Denarc monitoravam a movimentação dos suspeitos quando flagraram a entrega de malas contendo materiais ilícitos a um motorista de aplicativo.
Durante a abordagem, os policiais encontraram drogas e diversos aparelhos eletrônicos já embalados e preparados para serem levados ao ponto de lançamento dos drones.
Segundo a Polícia Civil, o motorista foi preso em flagrante por participar da logística de distribuição dos materiais destinados ao presídio. A investigação busca esclarecer há quanto tempo ele atuava no esquema e qual era seu nível de envolvimento com a organização criminosa.
As investigações revelaram que os drones eram adaptados para transportar cargas relativamente pesadas e utilizavam um sistema de garras mecânicas que permitia prender, transportar e liberar os materiais com precisão sobre áreas previamente determinadas dentro do Iapen.
Os voos eram realizados, principalmente, durante a noite ou na madrugada, horários em que a visibilidade é reduzida e a movimentação externa é menor, dificultando a atuação da vigilância.
Além dos drones, a polícia apreendeu equipamentos utilizados para garantir a estabilidade das aeronaves, baterias de longa duração e acessórios empregados na preparação das entregas.
Durante a operação foram apreendidos:
- 3 quilos de drogas;
- 3 drones profissionais de alta capacidade;
- 23 telefones celulares de última geração;
- 26 relógios inteligentes (smartwatches);
- carregadores;
- cabos;
- garras mecânicas utilizadas para prender, transportar e soltar as cargas durante os voos;
- embalagens utilizadas para acondicionar os objetos lançados no presídio.
Preso comandava o esquema de dentro do Iapen
As investigações também identificaram o detento apontado como responsável por coordenar toda a operação criminosa de dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá.
Segundo a Polícia Civil, o interno encomendava os materiais, organizava os horários das entregas e mantinha contato com integrantes da organização criminosa que atuavam fora da unidade prisional.
O preso será novamente indiciado pelos crimes apurados durante a investigação. A direção do Iapen foi oficialmente comunicada para adotar medidas disciplinares imediatas, incluindo o reforço do isolamento do detento, restrições mais rigorosas de comunicação e outras providências administrativas para impedir que ele continue comandando atividades criminosas de dentro do presídio.
Investigações continuam
A Denarc informou que as investigações permanecem em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa envolvidos na logística das entregas aéreas, incluindo financiadores, fornecedores dos equipamentos e possíveis colaboradores responsáveis por armazenar e preparar as cargas.
A Polícia Civil não descarta novas prisões nos próximos dias e reforçou que continuará intensificando o combate ao uso de tecnologias por organizações criminosas para abastecer unidades prisionais, prática que representa um dos maiores desafios para a segurança pública em diversos estados brasileiros.

