A esperança é chuvisco respingado nas areias dos desertos.
Refrescante…
Produz o efeito de um sol de verão no lusco fusco das tardes.
Clareia…
Tardes tardias dos dias sem rumo de um viajante sem nexo
nas sombras oculto sem imagem ou vulto, apenas escombros.
A esperança nos faz acreditar em sonhos e visões do paraíso,
remenda farrapos e os transforma em tendências e looks casuais.
Ela incorpora ao corpo o movimento e a graça das festas juninas,
dos desfiles nos palcos e shows distribuindo ilusões bem-vindas.
A esperança é um bêbado cambaleante iluminado por balizadores.
Faz-se a luz…
Conduz pensamentos e atos em uma tocha diante do colapso.
Traz o abraço que envolve, a ternura que conforta e afoga as mágoas.
Mágoas do agora, sonhos de outrora, encantamentos da aurora.
A esperança traduz as memórias dos artefatos ancestrais.
Desenrola pergaminhos e tira os espinhos dos caminhos,
desvendando mistérios ao abrir celeiros de sabedorias.
A esperança é uma flor desabrochando no final da estação.
Perfuma a alma e reacende a alegria dos desfalecidos corações
ao vibrar em cânticos de saltos quânticos por superposições.
A esperança é dança eletrizante a rodopiar sobre os trilhos de trens.
Ninguém vai, ninguém vem, faz o eterno encontro dos desencontros,
seu ritmo dita a desdita e a bendita sorte e benção de alguém.
A esperança é um sorriso de criança ao fitar o insondável destino.
Esperançar…
Verbo ígneo do verbo amar
ecoa e ressoa em admirar e viabilizar.

