A espera da bola na rede ou da bola suspensa no ar, encaixada nas mãos do goleiro. Também pode ser que ocorra algo inesperado e sejam os pés do goleiro ou de algum zagueiro que a lance longe, bem longe, do quadrangular retângulo que serve de alvo para atacantes intrusos, estes personagens difusos que nos fazem suspender a respiração com a mão sobre o coração.
Bola, mágica bola, nos pés de nossos craques transforma-se em um símbolo patriótico nada anárquico. Atravessa barricadas, derruba muralhas e recupera a dignidade desta gente tantas vezes colonizada e ridicularizada por falsos patriotas em fraude humanitária sinalizada por transações bancárias, terras raras e usurpadas, além de golpes de toda a ordem produzindo total desordem na organização tática demandada para que possa rolar da defesa ao ataque e do ataque à defesa sem nenhum prejuízo ao nosso domínio e soberania estabelecidos pelos ditames da alegria de um povo em festa da fraternidade entre todos os povos.
Afinal é somente o início. Muito bola vai rolar, comentários irá provocar, lágrimas e sorrisos irão destilar, muita grama, ou será “grana”, para amassar, campos para atravessar, vencendo distâncias e superando limites e instâncias, até a exaustão ou a realização chegar. Enquanto isso em Brasília o jogo é pesado, não é jogo jogado, é jogo de cartas marcadas muitas das vezes por malfeitores eleitos por eleitores que sempre acertam na trave e o grito de gol fica engasgado na garganta daqueles para quem “vidas importam”.
Afinal a final? Somente em julho a final. O ponto na narrativa, depois de todos os dribles e lances performáticos expressos em exclamações e vírgulas emblemáticas.

