Uma organização criminosa armada foi alvo da Operação Midas Reverso, deflagrada pela Polícia Civil do Amapá, por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc). A investigação aponta que o grupo usava lojas de roupas e moda praia, empregos fictícios e transferências via Pix para esconder dinheiro obtido com o tráfico de drogas no Amapá e no Pará.
As ações começaram na última sexta-feira, 21, e continuavam nesta segunda-feira, 24. Até o momento, oito pessoas foram presas, sendo cinco mulheres e três homens. A polícia ainda segue nas ruas para cumprir um total de 15 mandados de prisão e de busca e apreensão.
Investigação começou após prisão de jovem em Macapá
A investigação teve início após a prisão em flagrante de um jovem de 23 anos, no bairro Ipê, na Zona Norte de Macapá.
Com ele, os policiais apreenderam crack, um tablete de cocaína e dois fuzis de fabricação israelense, calibre .30. Também foram encontrados seis carregadores e várias munições.
Com autorização da Justiça, os investigadores da Denarc passaram a analisar celulares e outros materiais eletrônicos apreendidos. A partir disso, conseguiram identificar, segundo a Polícia Civil, como funcionava a estrutura do grupo, ligado a uma facção criminosa de atuação nacional.
De acordo com a investigação, cada integrante tinha uma função dentro da organização.
O homem preso no bairro Ipê seria um dos principais responsáveis pela distribuição de crack e cocaína em Macapá. Ele também seria encarregado de guardar os fuzis, as munições de grosso calibre e de refinar as drogas antes da distribuição.
Já o chefe da facção no Amapá estaria foragido e escondido no Rio de Janeiro. Mesmo à distância, segundo a polícia, ele e outro líder seriam responsáveis por controlar as rotas de entrega das drogas, definir os preços das cargas, organizar a distribuição e cobrar os valores das vendas.
A droga era distribuída para pontos de venda localizados nos bairros Buritizal, Santa Rita, Novo Horizonte, Brasil Novo, Açaí e Jardim Felicidade.
Uma das principais linhas de investigação envolve a lavagem do dinheiro obtido com o tráfico.
Segundo a Polícia Civil, o grupo usava contas bancárias de terceiros, empresas de fachada e até contratos de trabalho fictícios para dar aparência legal ao dinheiro de origem criminosa.
Entre os negócios usados no esquema, conforme a investigação, estavam supostas lojas de roupas e moda praia no Amapá e no Pará.
As transferências via Pix também faziam parte da movimentação financeira. A polícia investiga dezenas de milhares de reais que teriam circulado por diferentes contas numa tentativa de dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.
Os investigados deverão responder pelos crimes de organização criminosa armada, associação para o tráfico, tráfico de drogas, posse e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e lavagem de dinheiro.
O nome da operação faz referência ao mito do Rei Midas, personagem conhecido por transformar em ouro tudo aquilo que tocava.
Segundo a Polícia Civil, a ideia da Operação Midas Reverso é justamente produzir o efeito contrário: desmontar a estrutura financeira da organização criminosa, retirar os bens e valores obtidos de forma ilegal e levar os envolvidos à Justiça.

