O recém-formado Miguel Tavares Chaves, egresso do Instituto Federal do Amapá (Ifap), foi selecionado para uma bolsa internacional de mestrado na Universidad de Jaén, na Espanha. Entre candidatos de todo o país, ele foi um dos apenas quatro estudantes escolhidos em chamada pública promovida pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), em parceria com o Escritório de Educação da Embaixada da Espanha no Brasil.
Natural do Amapá, Miguel concluiu em 2026 o curso superior de Tecnologia em Recursos Humanos no Campus Santana do Ifap e se prepara para embarcar rumo à Europa em setembro, quando iniciará o mestrado em Gestão Administrativa, com duração de um ano.
A conquista representa mais um passo em uma trajetória marcada pela dedicação aos estudos. Em 2025, ele já havia participado de um intercâmbio acadêmico no Canadá por meio de programas do Ifap, experiência que ampliou sua visão de mundo e fortaleceu o sonho de uma formação internacional.
“É uma oportunidade única, sem precedentes. Fico feliz por ter vindo da escola pública e conseguir passar em uma seleção nacional competindo com estudantes de todo o Brasil. Minha intenção, além de me capacitar, é mostrar que é possível”, afirmou.
Localizada na região da Andaluzia, a Universidad de Jaén é reconhecida por seus programas de internacionalização e bolsas voltadas a estudantes estrangeiros.
Além de Miguel, foram contemplados dois estudantes do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e um do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Outros nove candidatos ficaram em lista de espera.
Apesar da conquista, o desafio financeiro ainda faz parte da jornada. A bolsa cobre apenas a matrícula, taxas administrativas e seguro escolar. Gastos com passagens aéreas, visto, seguro saúde internacional, tradução juramentada de documentos, apostilamento e estadia deverão ser custeados pelo próprio estudante.
Segundo Miguel, após a conclusão do curso superior, o vínculo institucional com o Ifap é encerrado, o que impede a concessão de auxílio financeiro por parte da instituição. Diante disso, ele buscou apoio junto ao Governo do Amapá, que possui programas voltados à pesquisa e internacionalização acadêmica. Até o momento, recebeu apenas a confirmação de recebimento do pedido, sem resposta definitiva sobre eventual apoio.
Para viabilizar a viagem, o estudante decidiu criar uma campanha de arrecadação online e mobilizar amigos, familiares e apoiadores da educação.
Mais do que uma oportunidade acadêmica, Miguel vê a aprovação como um marco histórico para sua família. Filho de pais oriundos de comunidades do interior amazônico, ele destaca que a conquista simboliza a superação de barreiras que atravessaram gerações.
“Para mim, vai muito além de um mestrado. É a quebra de ciclos. Nem minha mãe nem meu pai tiveram oportunidade de estudar por serem do interior, ribeirinhos. Minhas irmãs foram as primeiras a concluir o ensino superior na família e, se Deus permitir, serei o primeiro mestre”, declarou.
A história do jovem amapaense se tornou exemplo de como a educação pública pode abrir portas para oportunidades internacionais e transformar realidades, levando talentos da Amazônia para os mais importantes centros de formação acadêmica do mundo.

