Ministério Público sustenta que crime ocorreu em contexto de violência doméstica; vítima ainda tentou pedir ajuda nas ruas antes de morrer em decorrência dos ferimentos
A Vara do Tribunal do Júri de Macapá aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP) contra Adrielson Costa dos Santos, acusado de matar a companheira, Márcia Loureiro Dias, em um crime classificado como feminicídio.
A decisão foi proferida pela juíza Lívia Simone Cardoso, que entendeu haver elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal.
Ao analisar o caso, a magistrada destacou que o inquérito policial e as provas reunidas pelo Ministério Público apontam indícios de autoria e materialidade do crime, justificando o recebimento da denúncia.
Na decisão, a juíza afirmou que não identificou motivos legais para rejeitar a acusação e considerou que a peça apresentada pelo MP atende aos requisitos exigidos pela legislação, incluindo a descrição dos fatos, a qualificação do acusado, a classificação jurídica do crime e a indicação das testemunhas.
De acordo com a acusação, o crime ocorreu na madrugada de 15 de março de 2026, na residência onde o casal vivia havia aproximadamente dez meses.
Na ocasião, familiares haviam participado de uma confraternização pouco antes do episódio que terminou em tragédia.
Segundo as investigações, Adrielson teria se armado com facas e atacado Márcia com diversos golpes dentro da residência. Mesmo gravemente ferida, a vítima ainda tentou buscar ajuda.
O relato constante na denúncia descreve momentos de desespero. Ferida, Márcia conseguiu sair da casa e caminhar pela rua pedindo socorro. Entretanto, devido à gravidade das lesões, ela caiu em via pública e não resistiu.
A morte foi causada por hemorragia aguda decorrente dos ferimentos sofridos durante a agressão, conforme apontam os elementos reunidos na investigação.
O Ministério Público enquadrou o caso como feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e familiar, uma das formas mais graves de violência contra a mulher previstas na legislação brasileira.
Além disso, a denúncia inclui a qualificadora de emprego de meio cruel, entendimento baseado na dinâmica do crime e na intensidade das agressões descritas pelas autoridades.
A acusação também faz referência à aplicação da Lei Maria da Penha e da Lei dos Crimes Hediondos, dispositivos legais utilizados para o enfrentamento da violência contra a mulher e para a punição de crimes considerados de extrema gravidade.
Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de instrução criminal. Nessa etapa, serão ouvidas testemunhas, analisadas provas e garantido o direito de defesa do acusado.
Ao final dessa fase, caberá à Justiça decidir se existem elementos suficientes para que o réu seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Enquanto o processo avança, a morte de Márcia Loureiro Dias reforça uma realidade que continua preocupando autoridades e entidades de proteção às mulheres: a persistência da violência doméstica e dos casos de feminicídio, que deixam marcas profundas não apenas nas famílias das vítimas, mas em toda a sociedade.

