Talvez um nome, uma imagem sem janelas, Orides Fontela.
Assim de supetão tomei ciência da obra desta poetisa paulista homenageada pelo evento denominado Festa Literária Internacional de Paraty, como haveria de ser óbvio, realizado em Paraty, no Rio de Janeiro. Neste ano, 2026, foi a sua 24ª edição.
Sim, no Rio de Janeiro há eventos literários e não só literários, mas de todas as ramificações culturais e experiências artísticas. Isso me levou a uma reflexão, já estamos tão habituados a interligação daquele estado a notícias diárias de violência ou de maus políticos (o que não é privilégio de tal região, antes fosse) que nos causa estranheza, em um primeiro momento, tal delicadeza. Mas, já diziam os sábios, “toda generalização é burra”. E, novamente, talvez… Talvez aí esteja uma chave de sobrevivência, um ato de resiliência. O ser humano diante das maiores agruras e horrores oriundos da ignorância sobre o valor humano e da falta de percepção do divino em si encontrará sempre uma porta que se abre para receber o sol e o ar puro das montanhas das musas: as ARTES.
Quando não uma porta, no mínimo, uma fresta. Fresta a fazer a diferença neste mundo envolto em brumas e neblinas espessas de imagens lúgubres.
Depois da digressão aqui feita, o foco, o foco objetivo, meu olhar se fixa nos escritos de Orides. E o que ela diz sobre poema, talvez, talvez apenas, pois o que habitava sua alma somente ela poderia penetrar, esclareça a minha reflexão:
“Saber de cor o silêncio
— e profaná-lo, dissolvê-lo
em palavras.”
Assim está dito no texto POEMA, do seu livro Alba.
Sim, somente ela poderia penetrar; no entanto, nos deixou frestas de alumiar. E no livro A Teia há uma transcrição de adivinhações que estabelecem um elo ou fio com a arte de poetar igual a arte da vida de vivenciar:
“Adivinha (…) o que é invisível, mas dói”.

