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A Gazeta do Amapá > Blog > Colunista > Gil Reis > Canadá planeja 10 reatores nucleares
Gil Reis

Canadá planeja 10 reatores nucleares

Gil Reis
Ultima atualização: 4 de julho de 2026 às 18:41
Por Gil Reis 4 horas atrás
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Gil Reis -​ Consultor em Agronegócio | Foto: Arquivo Pessoal.
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Deverão estar operacionais em 2040

Os reatores nucleares voltaram para o centro do debate por 3 motivos: IA consumindo energia, guerra travando gás russo, e clima apertando meta de NetZero. Os EUA – Voltam com tudo por causa da IA Vogtle 3 e 4: Os 2 últimos reatores gigantes ficaram prontos em 2023-2024 na Geórgia por US$ 35 bi. Fornecem energia pra 1 milhão de casas. SMR da Microsoft + Three Mile Island: Meta 2028. Vão religar parte da usina que teve acidente em 1979 só pra alimentar data center de IA. Meta para 2050: Os EUA querem triplicar capacidade nuclear. Hoje tem 94 reatores = 20% da eletricidade.
Mas, nas Américas os EUA não estão sozinhos, o Canadá segue o mesmo caminho. O site RealClear Energy publicou, em 22 de junho de 2026, a matéria “Ministro da Energia planeja ‘renascimento nuclear’ com a construção de até 10 reatores até 2040”, assinada por Nick Murray · repórter do Canadian Press, que transcrevo trechos.
“O Canadá pretende construir até 10 novos reatores nucleares nos próximos 15 anos, vender reatores de fabricação canadense para mais países e dobrar as exportações de urânio, afirmou o Ministro da Energia, Tim Hodgson, nesta segunda-feira, ao divulgar uma nova estratégia nacional para energia nuclear. ‘Se o nosso objetivo é duplicar a nossa rede elétrica e construir uma economia de baixo carbono em menos de 25 anos, não existe um plano credível para o fazer sem energia nuclear e a energia de base limpa e fiável que ela proporciona’, disse Hodgson numa conferência de imprensa em Newmarket, Ontário.
Ao anunciar a nova estratégia nuclear do Canadá na segunda-feira, o Ministro da Energia, Tim Hodgson, afirmou que o governo acredita que sua nova estratégia nacional para energia nuclear — que visa construir até 10 novos reatores nos próximos 15 anos — dobrará o emprego no setor, ‘passando de aproximadamente 90.000 empregos hoje para mais de 180.000 nas próximas décadas’.
A estratégia prevê o início da construção de dois novos reatores de grande escala até 2035, o planejamento ou desenvolvimento de mais cinco até 2040 e a construção de pelo menos um reator fora de Ontário até 2035. O projeto também prevê que um microrreator de fabricação canadense seja finalizado até 2035 e implantado em uma comunidade remota até o final da década de 2030.Atualmente, o Canadá possui quatro usinas nucleares — três em Ontário e uma em New Brunswick — que geram cerca de 15% da eletricidade do país.
Uma nova instalação proposta para a usina nuclear existente em Darlington, Ontário, abrigaria o primeiro pequeno reator modular do G7, capaz de produzir até 300 megawatts por unidade. Saskatchewan também está avaliando o potencial de colocar pequenos reatores nucleares em operação até meados da década de 2030. O acordo energético entre Ottawa e Alberta também previa a colaboração no desenvolvimento de uma estratégia para a construção de uma usina nuclear.
Autoridades do Ministério de Recursos Naturais do Canadá disseram a repórteres, em uma reunião informal, que a construção dos reatores previstos na nova estratégia nacional pode custar mais de 100 bilhões de dólares. A estratégia não especifica como o Canadá financiaria esses projetos, embora um funcionário tenha mencionado o Banco Canadense de Infraestrutura e o Fundo de Crescimento do Canadá como possíveis fontes de financiamento.
Hodgson afirmou que a estratégia dobraria os 90.000 empregos no setor nuclear canadense ‘nas próximas décadas’. O plano também visa expandir as vendas de reatores CANDU para novos mercados de exportação. Segundo o governo, a meta é entrar em pelo menos quatro novos mercados internacionais até 2040 e ‘engajar de seis a dez novos mercados de energia nuclear ao longo de um horizonte de 15 anos, consolidando o Canadá como seu parceiro preferencial’. Atualmente, trinta reatores CANDU estão em operação em todo o mundo, incluindo na Coreia do Sul, China, Índia, Argentina, Paquistão e Romênia, e há planos para construir mais dois.
O documento afirma que o primeiro-ministro Mark Carney não teve acesso à estratégia e que funcionários do governo disseram que ele não teve participação em seu desenvolvimento devido ao protocolo ético a que está sujeito. Carney possuía opções de ações e ações diferidas tanto na Brookfield Corporation quanto na Brookfield Asset Management, que foram transferidas para um fundo fiduciário cego após sua posse como primeiro-ministro. A Candu compete com um modelo de reator copropriedade da Brookfield. A iniciativa de vender Candu para novos mercados é uma tentativa de consolidar o Canadá como um parceiro confiável na exportação de urânio e de usar a energia nuclear como alavanca geopolítica.
‘As exportações de reatores não são meramente transacionais. Elas estabelecem parcerias de várias décadas, criando relações geopolíticas e comerciais duradouras que promovem os interesses mais amplos da política externa do Canadá’, afirma a estratégia. ‘À medida que o Canadá se esforça para diversificar suas relações comerciais e fortalecer os laços com as potências médias, o Candu pode ser um instrumento central dessa estratégia.’
Caso Ottawa não consiga vender mais reatores CANDU em todo o mundo, a estratégia sugere que o Canadá considere aumentar o enriquecimento de urânio em nível nacional para abastecer outros reatores. Ao contrário da maioria dos outros reatores nucleares, os reatores CANDU não requerem urânio enriquecido. Ottawa afirma que os aliados ocidentais estão se afastando da Rússia, um dos principais fornecedores mundiais de urânio enriquecido.
No início deste ano, o governo lançou um documento para discussão que propunha que as avaliações de impacto de projetos nucleares fossem transferidas da Agência de Avaliação de Impacto do Canadá para a Comissão Canadense de Segurança Nuclear. A estratégia divulgada na segunda-feira reafirmou essa proposta, porém ela ainda não foi implementada enquanto o governo realiza consultas públicas. O período de consulta foi estendido no mês passado após críticas de grupos ambientalistas e indígenas.
‘Nossa abordagem é revogar as leis anti-desenvolvimento, despolitizar a Comissão Canadense de Segurança Nuclear, eliminar os obstáculos impostos pelos liberais para que possamos, de fato, produzir eletricidade e outras formas de energia mais acessíveis e abundantes em todo o país’, disse Poilievre. ‘Mas o foco tem que estar nos resultados, não em mais promessas e ilusões.”
Enquanto o mundo caminha o Brasil tem Angra 3 parado com 67% pronta desde 1984. Custo já passou R$ 25 bi. O atual governo está avaliando retomar ou virar SMR no mesmo terreno. O CNEN aprovou marco regulatório em 2023. Amazônia e Nordeste aparecem no mapa pra reator pequeno em área isolada. O Brasil tem urânio e domínio do ciclo do combustível. Só 3% da matriz é nuclear hoje.
“Havia um homem que se sentava todo dia olhando para a estreita abertura vertical deixada por uma tábua retirada de uma cerca de madeira. Todo dia um asno selvagem do deserto passava do outro lado da cerca, cruzando na frente da abertura, primeiro o focinho, depois a cabeça, as patas dianteiras, o longo dorso castanho, as pernas traseiras e finalmente a cauda. Uma dia o homem pulou com a euforia da descoberta em seus olhos e gritou para todos que pudessem ouvi-lo: — É óbvio! O focinho é a causa da cauda”

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