DR. LAÉRCIO LIMA
CRO-AP 763
Convidado
Dr. Fábio Lins: CEO da Affia Saúde, Fisioterapeuta e Quiropraxista da Seleção Brasileira de Taekwondo.
A Conexão Mandíbula-Coluna: O Fim da Plaquinha e a Nova Fronteira entre Odontologia, Fisioterapia e Quiropraxia
A história se repete diariamente nos consultórios: o paciente com dores intensas na face, estalos na articulação e dores de cabeça acorda frustrado. Ele já tentou de tudo, inclusive dormir todas as noites com uma placa de acrílico rígida, a famosa “plaquinha” de bruxismo. O alívio, quando ocorre, é temporário. Logo a dor volta, muitas vezes irradiando para o pescoço e os ombros.
O erro não está no paciente, mas na abordagem. A odontologia tradicional passou décadas tratando a mandíbula como se ela flutuasse no espaço, desconectada do resto do corpo. A verdade anatômica é muito mais complexa: a sua mandíbula é diretamente dependente da sua coluna cervical.
Para compreender a biomecânica desse problema, basta observar que a cabeça humana pesa, em média, cerca de 5 quilos. Quando a projetamos para frente, uma postura típica de quem passa horas no celular ou no computador, a sobrecarga na região cervical aumenta drasticamente. Essa alteração postural gera uma reação em cadeia. Os músculos que ligam o pescoço à mandíbula são tracionados, puxando-a para trás e para baixo. O resultado é a compressão da Articulação Temporomandibular (ATM), a diminuição do espaço da via aérea, o que favorece o ronco e a apneia, e o choque traumático entre os dentes.
Tentar resolver todo esse colapso estrutural apenas entregando uma placa para o paciente morder à noite é um tratamento incompleto. A placa protege o desgaste dos dentes, mas não corrige a origem da compressão articular.
É exatamente para romper com essa visão limitante que o Método Consciente foi estruturado. Reposicionar a mandíbula em um paciente que possui a coluna cervical travada e desalinhada é como tentar construir um telhado perfeito sobre alicerces tortos. Por isso, o sucesso terapêutico definitivo exige a união de três forças fundamentais, baseadas em uma atuação multidisciplinar.
Para debater e ilustrar essa integração, os doutores Laércio Lima e Rivaldo Bueno tiveram o prazer de convidar para a construção deste artigo o Dr. Fábio Lins, CEO da Affia Saúde. Fisioterapeuta e quiropraxista da Seleção Brasileira de Taekwondo, com vasta experiência no alto rendimento — incluindo os Jogos Olímpicos de Tóquio e Campeonatos Mundiais —, o Dr. Fábio explica que a base do tratamento começa pela fundação do corpo. Através da quiropraxia, atua-se na correção das subluxações vertebrais, devolvendo a mobilidade e o alinhamento correto da coluna cervical e torácica. Em conjunto, as intervenções fisioterapêuticas promovem a liberação miofascial, eliminando a tensão muscular descendente e ajustando a postura global do paciente. O corpo é, assim, preparado para receber as mudanças na face.
No que diz respeito à estrutura e função, segundo o cirurgião bucomaxilofacial Dr. Laércio Lima, com a base cervical estabilizada e a musculatura relaxada, entram as diretrizes do Método Consciente. O foco deixa de ser apenas proteger os dentes e passa a ser o reposicionamento tridimensional da mandíbula. O objetivo é descomprimir a articulação temporomandibular, reabilitar a função mastigatória sem dor e garantir o ganho de espaço para a via aérea.
Para garantir a estabilidade de todo o processo, a ortodontia se faz essencial. Segundo o especialista Dr. Rivaldo Bueno, de nada adianta alinhar a postura e reposicionar a mandíbula se a mordida não travar nessa nova posição saudável. É aqui que a ortodontia entra como a chave de ouro. O tratamento ortodôntico vai guiar os dentes para que eles se encaixem perfeitamente nessa nova dimensão, garantindo a estabilidade funcional e estética do sorriso a longo prazo.
Como resultado, obtém-se um tratamento definitivo, e não apenas uma muleta. Quando a fisioterapia, a quiropraxia e a odontologia especializada unem forças, o paciente deixa de ser refém de tratamentos paliativos. Não estamos apenas relaxando músculos ou protegendo o esmalte dental; estamos devolvendo a harmonia biomecânica entre a coluna, o crânio e a mandíbula.
Se você sofre com dores faciais crônicas, travamentos ou dores de cabeça que parecem não ter fim, o primeiro passo não é fazer um molde para uma placa. O primeiro passo é entender que o seu corpo é um sistema integrado e que o tratamento definitivo exige profissionais que o enxerguem por inteiro.

