Como conservar todas as aeronaves comerciais?
Desde o advento do 14 Bis do Santos Dumont até hoje com as aeronaves Boeing (EUA), Airbus (Europa), Embraer (Brasil) e ATR (França/Itália) ‘muita água passou sob as pontes’ na aviação que vem se desenvolvendo cada vez mais ao longo do tempo e solucionando problemas complexos. Como o citado na matéria da Reuters, de 03 de agosto de 2026, “Fabricantes de aviões e oficinas de reparo tomam medidas para conservar janelas de aeronaves em um mercado restrito”, assinada por Allison Lamper que transcrevo trechos.
“Fabricantes de aviões, companhias aéreas e oficinas de reparo estão economizando janelas de aeronaves depois que um incidente em uma importante fábrica na Califórnia agravou a escassez de uma peça necessária tanto para novas aeronaves quanto para manutenção de rotina, disseram empresas e fontes do setor. A GKN Aerospace, uma das maiores fornecedoras mundiais de janelas para cabines de pilotos e passageiros, interrompeu a produção no final de maio em sua fábrica nos arredores de Los Angeles, depois que um tanque superaquecido gerou temores de explosão e levou à evacuação de 50.000 moradores das proximidades por vários dias.
Embora o incidente não tenha paralisado a produção de novas aeronaves ou as operações das companhias aéreas, fontes e executivos afirmaram que ele causou atrasos na entrega de peças e preocupações no setor em relação ao fornecimento de janelas para a cabine de comando e para os passageiros. Fabricante de aviões dos EUA Boeing (BA.N), empresa afirmou ter comunicado aos operadores as medidas a serem tomadas para gerenciar os estoques de produtos após o incidente. De acordo com uma fonte de uma companhia aérea norte-americana, a Boeing aconselhou as companhias aéreas a substituírem as janelas apenas quando necessário, e não por outros motivos, como a estética.
A Boeing afirmou em comunicado que continua ‘a trabalhar com o nosso fornecedor e a tomar medidas para mitigar quaisquer potenciais impactos’. GKN, pertencente à Melrose Industries (MRON.L), empresa listada na bolsa de Londres produz janelas para vários modelos da Boeing, incluindo o 737 MAX, juntamente com a rival Airbus (AIR.PA). A Melrose afirmou na sexta-feira que está trabalhando para restaurar a fábrica de janelas, que agora está parcialmente aberta, à produção total até o final de 2026.
A escassez evidencia algumas fragilidades persistentes na cadeia de suprimentos aeroespacial pós-pandemia, apesar das melhorias notáveis na disponibilidade de peças neste ano.
Empresas e analistas afirmam que a demanda das fabricantes de aeronaves, que aumentam a produção, está entrando em conflito com a demanda das oficinas de manutenção que precisam de janelas de reposição para manter as aeronaves em operação, o que reflete a escassez de motores.
‘Existe um mercado de reposição significativo para janelas’, disse Matteo Peraldo, sócio da AlixPartners nos setores aeroespacial e de defesa. ‘Portanto, a demanda não se limita à produção, mas também se soma ao mercado de reposição.’
A Airbus enfrentou escassez de janelas para o A220, mas isso não atrasou a produção, de acordo com uma fonte familiarizada com o programa. Um porta-voz do programa A220 disse que, com a GKN Aerospace retomando a produção, eles estão ‘vendo um progresso positivo até agora em direção ao retorno à normalidade’.
Fornecedor de manutenção Lufthansa Technik (LHAG.DE), afirmou que o fornecimento de janelas para aeronaves, tanto dos principais fabricantes quanto dos demais, já vinha sofrendo com problemas há algum tempo. Os prazos de entrega aumentaram substancialmente, enquanto os custos de aquisição subiram consideravelmente, afirmou a Lufthansa Technik. Para a maioria das aeronaves Boeing que a Lufthansa Technik repara, o fornecimento de janelas geralmente se limita aos casos em que a peça é absolutamente necessária para consertar uma aeronave parada, afirmou a Lufthansa Technik.
JATOS PARTICULARES
Os desafios no fornecimento de janelas também afetaram os fabricantes de jatos particulares, incluindo a canadense Bombardier (BBDb.TO) e a Embraer do Brasil (EMBJ3.SA), juntamente com oficinas de reparação. Na quinta-feira, o CEO da Bombardier, Eric Martel, disse a repórteres que o impacto do incidente no fornecimento de janelas está entre os desafios da cadeia de suprimentos que ‘tivemos que administrar’. A GKN Aerospace produz janelas para o jato Global 8000, carro-chefe da empresa.
Embraer (EMBJ3.SA), fabricante de jatos particulares e comerciais. A empresa já enfrentava restrições no fornecimento de janelas para aeronaves, e o incidente com a GKN estava causando novas preocupações, disse uma fonte. Kenn Ricci, presidente da operadora de jatos particulares Flexjet, que opera jatos Embraer Phenom e Praetor, disse ao podcast americano Technology Business Programming Network em fevereiro que as janelas representavam um problema para a cadeia de suprimentos da Embraer.
‘Se você perguntar à Embraer, perguntar a Mike Amalfitano (presidente da Executive Jets), e perguntar por que as entregas estão atrasando, eles dirão que são as janelas, disse Ricci.
A Flexjet recusou-se a comentar. A Embraer não respondeu aos repetidos pedidos de comentários.”
Não há como se prever o futuro da aviação comercial, os tipos de Janelas que serão usadas e o seu custo.
“Previsões são sempre difíceis, principalmente se forem sobre futuro”. Mark Twain.

