Junho: O Dia do Pastor e o mês da Assembleia de Deus no Brasil
1. Junho Evangélico. O mês de junho consolida-se como um dos períodos mais expressivos no calendário cultural e religioso do povo brasileiro, concentrando marcos históricos e celebrações fundamentais para a comunidade evangélica. Do reconhecimento federal de datas comemorativas aos aniversários das maiores instituições pentecostais do país e do Amapá, o mês reflete a força e a trajetória social desse segmento.
Junho é marcado por importantes celebrações e marcos legais. A relevância de junho se distribui ao longo das semanas, amparada por legislações nacionais e tradições locais:
No primeiro domingo é celebrado o Dia Nacional do Cristão, criado pela Lei nº 14.419, de 20.07.2022.
O segundo domingo é dedicado ao Dia Nacional do Pastor Evangélico. A data foi formalizada em âmbito federal pela Lei Federal nº 14.970, de 13 de setembro de 2024, embora o dia já fizesse parte do calendário de diversos estados e municípios há muitas décadas graças a leis locais.
O terceiro Domingo marca o ápice das comemorações do aniversário da Assembleia de Deus no Brasil. Fundada em Belém do Pará no dia 18 de junho de 1911, pelos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, a denominação protestante pentecostal tornou-se a maior do país, somando hoje cerca de 15 milhões de membros, sem contabilizar os integrantes de outras vertentes protestantes.
O quarto é último domingo do mês representa o apogeu festivo do aniversário da Assembleia de Deus no Estado do Amapá. Considerada a “mãe do protestantismo tucuju”, a instituição foi fundada em 27 de junho de 1917. Conhecida como “A Pioneira”, ela se posiciona como a maior igreja evangélica do estado, reunindo milhares de fiéis distribuídos em mais de 200 sucursais locais, além de filiais na federação e no exterior.
2. Próximo domingo é o Dia do Pastor. Com a proximidade do segundo domingo de junho, as atenções se voltam para a figura dos líderes religiosos. Historiadores e teólogos do segmento ressaltam que, ao contrário do pensamento comum que restringe a atuação pastoral à direção de cultos e à ministração da palavra de Deus, o papel do pastor na sociedade é substancialmente mais amplo.
Essa atuação ampliada fundamenta-se nos relatos bíblicos sobre a vida de Jesus, o “Bom Pastor”, que associava a pregação espiritual a ações práticas de amparo social, como a cura de enfermos, a libertação de cativos dos vícios, das opressões e a multiplicação de pães e peixes para saciar a fome dos necessitados. Esse conjunto de iniciativas de ordem espiritual e material, denominado de “Evangelho Pleno”, define e justifica a relevante função social e política exercida pelos ministros religiosos na sociedade.
3. Junho na historiografia do pentecostalismo brasileiro e amapaense. O mês é apontado como o mais importante para a memória do movimento pentecostal na Amazônia e no Brasil. A narrativa histórica destaca dois momentos-chave: a) Origem Nacional (1911): Em Belém (PA), os suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg iniciaram a trajetória da primeira Assembleia de Deus no país no dia 18 de junho daquele ano; b) Pioneirismo no Amapá (1917): Seis anos mais tarde, o movimento alcançou solo amapaense. Após uma visita preliminar do obreiro Clímaco Bueno Aza em 1916, a primeira igreja tucuju foi oficialmente estabelecida no dia 27 de junho de 1917, sob a condução do obreiro Manoel José de Matos Caravela.
Assim, a cada domingo deste mês, estaremos detalhando todas estas histórias.
4. O papel institucional da igreja: Entre o impacto social e as críticas contemporâneas. A atuação das instituições religiosas e seu real impacto na estrutura social permanecem no centro de debates frequentemente polarizados. Críticos do fenômeno religioso costumam direcionar o foco a episódios isolados — como desvios de conduta de lideranças específicas, a prática da arrecadação de dízimos e escândalos institucionais. Contudo, sociólogos e defensores do segmento apontam que tais ocorrências, embora reais, são falhas humanas inerentes a qualquer grupo social organizado e não devem eclipsar o legado histórico e a função pública dessas instituições, pois, para além da histórica dimensão espiritual mantida ao longo dos séculos, a igreja desempenha um papel prático de forte relevância social e política.
Um dos principais argumentos a favor de sua importância reside na capilaridade global de suas ações, o que permite o alcance de camadas vulneráveis da população onde o Estado, muitas vezes, se faz ausente. A assistência oferecida pelas comunidades religiosas abrange um amplo espectro de vulnerabilidade social, prestando socorro imediato e acolhimento a enfermos e necessitados, viúvas e órfãos, cidadãos em situação de exclusão ou desemprego, dependentes químicos e pessoas em situação de prostituição ou exploração.
No campo político e civil, são as guardiãs dos valores éticos e morais de uma sociedade.
Especialistas apontam que o principal desafio de comunicação das igrejas na atualidade reside no fato de que os incontáveis benefícios gerados por suas ações sociais costumam ser minimizados no debate público. Com frequência, as falhas individuais de membros ou dirigentes que afirmam pertencer à instituição são utilizadas de forma generalizada para desvalorizar e diminuir a relevância histórica e o impacto humanitário da igreja no mundo contemporâneo.
DESTAQUES DA SEMANA
1- No mês de junho os evangélicos brasileiros desenvolvem vasta programação memorial.
2- Os pastores brasileiros atualmente têm atuado em várias esferas da sociedade.
3- A Assembleia de Deus tem contribuído significativamente com o desenvolvimento do país.
GESTÃO
Conselho Estadual de Pastores. Não se deve confundir Conselho de Pastores com Ministério/Igreja, com Convenção, Associação, Ordem, Instituto etc. Os Ministérios, ou Igrejas, são entidades que congregam fiéis de uma determinada denominação; cuidam de “ovelhas” na linguagem bíblica. São instituições voltadas às pessoas em geral, cujo objetivo é ganhar almas para Jesus e prepará-las para o arrebatamento. As demais entidades são representativas, que congregam obreiros (pastores, evangelistas, missionários etc.) de um ou mais ministérios; cuidam da carreira vocacional e ministerial do obreiro.
Os Conselhos estaduais e municipais de Pastores são entidades jurídicas interdenominacionais, pertencentes à estrutura da sociedade civil organizada e voltadas à defesa das prerrogativas e dos interesses exclusivos dos pastores de carreira. São instituições dedicadas aos pastores enquanto autoridades eclesiásticas.
Os Conselhos Pastorais também exercem uma função constitucional de defesa do Estado laico e das liberdades religiosas – CF, art. 5º, VI, VII e VIII e art. 19, I, dentre outros.
ESPECIAL
Iniciamos hoje uma nova série: Livros do Senado sobre o Amapá: Título: Amapá: A terra onde o Brasil começa. Autores: José Sarney e Pedro Costa. Brasília: Senado Federal, Série Nº 35, 4ª ed., 2024, 260p.
A Obra enfoca o fato de o Amapá ser o único estado do Brasil que se tornou brasileiro pela vontade de ser brasileiro. Dizem os autores: “Aqui [no Amapá] a história se contorceu, houve enfrentamentos e sangue. Surgiram heróis e mártires. Foi a luta e a determinação dos homens e mulheres do Amapá que todos os dias, em incursões de idealismo e patriotismo, baixavam a bandeira da França e faziam subir a bandeira do Brasil. O coração de ser brasileiro estava no peito dos amapaenses. Essa vontade vem desde o século XVI. Descoberto o Brasil, os portugueses, limitados em suas condições de ocupar o vasto império dos mares que estava descobrindo, da América às costas da China, dedicados à heroica e caríssima missão de equipar carraças para o caminho das Índias, ficaram visitando o sul do Brasil, em passagens esporádicas, sem verdadeiramente ocupá-lo.”. Recomendamos a leitura deste livro histórico e necessário.
REFLEXÃO
Exemplos de Orações Notáveis da Bíblia: A oração de Jacó por seu irmão. Gn 32.9-11: “9. Disse mais Jacó: Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: Torna à tua terra e à tua parentela, e far-te-ei bem; ¹⁰ menor sou eu que todas as beneficências e que toda a fidelidade que tiveste com teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão e, agora, me tornei em dois bandos. ¹¹ Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú, porque o temo, para que porventura não venha e me fira e a mãe com os filhos.”.
Gênesis 32 relata o retorno de Jacó a Canaã e seu maior temor: o reencontro com seu irmão Esaú, a quem havia enganado no passado. Em vez de depender apenas de suas próprias estratégias, Jacó recorre à oração, reconhece a sua dependência de Deus e tem um encontro transformador que muda a sua vida e identidade.
A oração de Jacó nos ensina a como tratarmos de nossas questões em família. Quantas pessoas há tanto tempo e até hoje sofrem com questões familiares mal resolvidas. Entenda, é preciso primeiro orar, com humildade e discernimento. Assim, todos os embaraços emocionais são resolvidos pelo poder da bondade de Deus.
FICA A DICA
Legislação do Petróleo. Vejamos a partir de hoje algumas das principais legislações infraconstitucionais afetas ao Direito do Petróleo brasileiro.
Lei nº 9.478/1997 – 1ª Parte. Conhecida como o “Código do Petróleo” brasileiro, a Lei Federal do Petróleo nº 9.478, de 06 de agosto de 1997 vige por quase três décadas. Substituiu a Lei nº 2.004, de 3.10.1953 e regulamenta os 9 (nove) artigos da Constituição Federal que tratam sobre o petróleo, como vimos anteriormente.
Esta lei possui 12 (doze) capítulos, sendo dez originais à época de sua promulgação, e dois que foram acrescentados no decorrer do tempo. Também, a lei possui 103 (cento e três) artigos, sendo 83 originais e 20 novos acrescentados.
Ela traz dispositivos com conceituações autênticas, ou seja, possui uma lista de palavras técnicas sobre o petróleo, definidas pelo próprio legislador, que resolveu explicitamente dizer o significado oficial e normativo de cada termo.

