Condicionamentos: Das Experiências de Pavlov à Busca pelo Sentido da Vida
Os estudos sobre condicionamento tiveram início no final do século XIX e foram fundamentais para a compreensão do comportamento humano e animal. Ivan Pavlov, renomado fisiologista russo, conduziu experiências que inicialmente visavam estudar o sistema digestório dos cães, mas acabaram revelando mecanismos profundos de aprendizagem. O famoso “reflexo condicionado” foi identificado quando Pavlov percebeu que os cães salivavam não apenas ao verem comida, mas também ao associarem estímulos neutros, como o som de uma campainha, ao ato de se alimentar. Embora amplamente reconhecido por seus estudos com cães, a influência de Pavlov também se estendeu a pesquisas com ratos e outros animais, permitindo a formulação de conceitos que impactaram a psicologia comportamental.
Com o passar do tempo, os paradigmas sobre aprendizado e comportamento foram evoluindo. Se no início o condicionamento era visto como uma forma mecanicista de resposta a estímulos, abordagens posteriores passaram a considerar a complexidade da mente humana. O behaviorismo de John Watson e B. F. Skinner aprofundou os estudos sobre condicionamento operante, ampliando as aplicações práticas dessas teorias na educação e na terapia comportamental. No entanto, foi apenas com a chegada das abordagens cognitivistas e humanistas que se começou a questionar a redução do ser humano a simples reflexos automáticos.
Viktor Frankl, psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto, trouxe uma nova perspectiva sobre o comportamento humano ao desenvolver a Logoterapia. Diferente das teorias baseadas apenas no condicionamento, Frankl argumentava que o ser humano não é apenas um produto de estímulos e respostas, mas um ser capaz de encontrar significado em sua existência, mesmo diante do sofrimento extremo. Em sua obra “Em Busca de Sentido”, ele descreve como a resiliência e a capacidade de encontrar propósito são elementos fundamentais para a sobrevivência e o bem-estar emocional.
As experiências, as vivências de cada um de nós vão, paulatinamente moldando nossos interesses, nossos condicionamentos, nossa maneira de interagir com o mundo ao nosso redor; haja vista a biografia desse grande psicólogo judeu e as escolhas que sua mente criativa, forte e constante o salvou dos horrores da Guerra. A sensação que passa ér que existe um mecanismo individual de processamento da vivência, inerente ao ser, o qual se for acionado com frequência, torna-se um dínamo de forças psíquicas que impulsiona a pessoa para frente, para a coragem, para a resiliência e para as ressignificações cotidianas necessárias para vencer os obstáculos do viver.
A Teoria dos Jogos, também associada a Frankl, aponta que as escolhas humanas não são determinadas apenas por reforços externos, mas por um senso de liberdade e responsabilidade. Assim, enquanto o condicionamento clássico e operante, ajudaram a compreender aspectos automáticos do comportamento, as contribuições da Logoterapia expandiram a visão sobre a complexidade da existência humana.
Nos dias atuais, vivemos em um mundo onde os reflexos condicionados ainda são utilizados, seja na publicidade, na educação ou nos mecanismos de controle social. No entanto, a busca por um sentido na vida continua sendo um dos principais motores da humanidade. Mais do que respostas automáticas a estímulos, somos seres dotados de consciência, liberdade e capacidade de transcender nossas próprias limitações. A ciência do comportamento e as abordagens humanistas seguem se entrelaçando, mostrando que a verdadeira evolução do conhecimento está na integração entre corpo, mente e espírito.
CONDICIONAMENTOS

Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga
clínica e institucional, especialista em gestão pública.