O reverso do verso.
Sorver as palavras
com sabor e frescura.
Inexplorados vocábulos
a brotar da terra pura.
Sorver epílogos,
epítetos em rascunhos,
rasuras aos goles
de sublinhadas travessuras.
E há momentos…
Sim, há espaços onde,
não é que a voz se esconde,
é que do papel o branco
fala tão alto, alto…
É tão chamativo, um grito,
UM BRADO,
que explode em silêncios.
Silêncios cinzas ou escuros.
Sorver os choques…
Os abanos de gestos insanos
dos incendiários remanescentes
de impérios podres e decadentes.
Os entreguistas, os falsos crentes,
os golpistas, os alienados ou inconscientes.
Resumindo: um mar de escolhos
Sorver da aurora a fluidez.
Das manhãs a limpidez
bailando no firmamento.
E tal qual equilibrista em salto,
duplo, triplo ou quarto,
ouvir o tamborilar reverso
esculpido nos versos
suspensos nos sorrisos
das crianças anoitecidas.

