Há dias em que não queremos enveredar pelo óbvio.
No entanto, algo há que se destacar:
seria o óbvio tão óbvio?
Era esse o dilema expresso em seu olhar.
A geopolítica dos insanos virou o planeta do avesso.
Nos canteiros de plânctons transplantou-se a ignorância temática.
Há dias em que queremos ser leves.
Flutuar!
Espaço breve para relaxar.
Sentir-se mar. Imenso mar.
Não obstante, ouço “apito de cachorro”,
por todos os lados e ladeiras,
feito estribo e estrídulo de tumultuar.
É a elucubrada infância eletrocutada,
nas areias quentes de Gaza,
por quem outrora crucificou Cristo no Gólgota.
Não há uma só gota de àgua.
No Sul, do sul da América do Sul,
as geleiras dos Andes, a Patagônia e outros pagos
por incêndios criminosos são assombradas.
Mirabolantes escândalos,
reino dos falsários,
onde o que vale é o câmbio, a lábia e outros penares.
A hipocrisia por indumentária.
Deixo para trás a Faria Lima e Wall Street
Pouso meu olhar no pouso do passarinho.
Buscamos ambos um ninho livre de predadores.
Livre das influências dos poderosos esfomeados,
esganiçados com bicos arqueados sugando vidas.
Lembro-me, nesse enredo, das flores das campinas.
Observo consciente, em reflexão sobreposta,
em amanhecer azul, sobrevoando as encostas,
que em ervas daninhas flores também eclodem em festa.
Percebo, enfim, no fim o começo do sem-fim.
Novo e perpétuo arremesso.
Somos flores e sementes, somos jardineiros e jardins
a perfumar, a secar e reverdecer e reflorir.

