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Rev. André Buchweitz Plamer

“Fidelidade e Vigilância: Vivendo e Testemunhando até o Fim”

Rev. André Buchweitz Plamer
Ultima atualização: 25 de janeiro de 2026 às 01:39
Por Rev. André Buchweitz Plamer 5 horas atrás
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Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique | Foto Arquivo Pessoal
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Amados irmãos em Cristo Jesus, que possamos a exemplo do Salmista do salmo 71.15, dizermos a respeito do amor e misericórdia de Deus enquanto esperamos a sua vinda, que: “Anunciarei que tu és fiel; o dia inteiro falarei da tua salvação, embora não seja capaz de entendê-la.”
Não há como discordar desta verdade de que vivemos em um tempo marcado pela pressa, pela instabilidade e pela incerteza. Tudo parece provisório: relações, compromissos, valores, promessas. O mundo ensina que nada precisa durar muito, que tudo pode ser descartado quando deixa de ser conveniente. Nesse cenário, palavras como fidelidade e vigilância soam estranhas, até incômodas. Entre nós na igreja não está diferente: Por exemplo enquanto o pastor ou alguém não me corrige do meu pecado, tendo a considerar tudo bem, mas basta uma chamada de atenção para nos revoltarmos e considerarmos a pessoa a nossa pior inimiga e se não bastasse isso ainda arrastamos a nossa família para este caos arriscando a fé e consequente salvação de todos os envolvidos. A fidelidade, e o respeito parecem que se tornaram voláteis assim como os valores do mundo. A liquidez parece que chegou à fé, dos fracos na fé, até mesmos que a vida toda estiveram na casa do Senhor tem se revoltado contra a pregação do Evangelho. A vigilância na vida de fé tem diminuído e sempre de novo o cristão tem tendido a ceder as pressões do mundo a abandona a fé.
No entanto, a Palavra de Deus nos conduz por um caminho diferente. Ela nos chama a uma vida marcada pela perseverança, pela confiança constante no Senhor e por uma espera ativa, cheia de compromisso e testemunho. Os textos bíblicos de hoje falam exatamente disso: de homens e mulheres que vivem sustentados por Deus ao longo do tempo, que permanecem fiéis à fé recebida e que são chamados a vigiar, não com medo, mas com responsabilidade e esperança. A vida de fé, é uma vida de renúncia às futilidades e um apego cada vez maior ao que é essencial. Não há pastor que sirva se a pessoa não quer ouvir, não há pregador na face da terra que sirva se as pessoas querem os prazeres da carne. O que você tem buscado? Os nossos textos hoje nos chamam a vivermos de modo dedicado e fiel a Deus. Como tenho vivido a fé? Com humildade ou com desculpas e acusações. Meus irmãos, o Escritor de Hebreus nos lembra que não tem como ser cristão e ter Salvação se não estivermos em Cristo e comunhão na Palavra. Ele diz que é necessário estarmos em comunhão com o Senhor da Igreja e sua Igreja: “(25) Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês veem que o dia está chegando. (26) Pois, se continuarmos a pecar de propósito, depois de conhecer a verdade, já não há mais sacrifício que possa tirar os nossos pecados. (27) Pelo contrário, resta apenas o medo do que acontecerá: medo do Julgamento e do fogo violento que destruirá os que são contra Deus. (Hb 10.25-27)”
Vejamos que o tema de hoje, que nos une é claro: “Fidelidade e Vigilância: Vivendo e Testemunhando até o Fim.” Esses textos nos mostram que a fé cristã não é apenas um ponto de partida, mas um caminho a ser percorrido até o fim, com os olhos atentos e o coração firmado no Senhor. Não tem como voltarmos ou abandonar a corrida. Abandonar a corrida é ser abraçado pelo diabo, seguir na corrida é perseverança que nos coloca na presença do Deus vivo que enxuga as lágrimas do nosso rosto e sermos declarados que somos “… os que atravessaram sãos e salvos a grande perseguição. São as pessoas que lavaram as suas roupas no sangue do Cordeiro, e elas ficaram brancas… Pois o Cordeiro, que está no meio do trono, será o pastor dessas pessoas e as guiará para as fontes das águas da vida. E Deus enxugará todas as lágrimas dos olhos delas. Apocalipse 7.14,17).”
A este Deus que se mantem fiel, nos mantem também na fidelidade que atravessa toda a vida – algo muito particular conforme o testemunho na oração do Salmo 71, especialmente nos versículos 15-24, que mostra como é a oração de alguém que caminha com Deus há muito tempo. Não se trata de uma fé recente, empolgada apenas pela novidade, mas de uma fé amadurecida pelas experiências da vida. O salmista olha para trás e reconhece a fidelidade de Deus em todas as etapas de sua história. Ele declara: “Anunciarei que tu és fiel; o dia inteiro falarei da tua salvação, embora não seja capaz de entendê-la. (Sl 71.15, NTLH).”
Aqui está um testemunho precioso: quem anda com Deus por muito tempo aprende que a fidelidade do Senhor não falha. Também pode declarar conforme o profeta Jeremias no livro de Lamentações 3.31: “O Senhor não rejeita ninguém para sempre.” Assim também o salmista mesmo em meio às lutas, perseguições e fraquezas, ele confessa que Deus foi sua esperança desde a juventude: “Toda a minha vida tenho me apoiado em ti; desde o meu nascimento tu tens me protegido. Eu sempre te louvarei. (Sl 71.6, NTLH).”
Essa fidelidade não gera acomodação, mas louvor e testemunho. O salmista deseja anunciar às próximas gerações o que Deus fez: “Agora que estou velho, e os meus cabelos ficaram brancos, não me abandones, ó Deus! Fica comigo enquanto anuncio o teu poder e a tua força a este povo e aos seus descendentes. (Sl 71.18, NTLH).”
A fidelidade cristã não é apenas permanecer crendo, mas testemunhar, contar, ensinar, passar adiante. A fé que não se comunica corre o risco de se apagar. Por isso, o salmista une fidelidade e missão: viver com Deus e falar de Deus.
Este viver se mantem em fidelidade para ser vivida na comunidade, na comunhão entre irmãos, no engajamento para o testemunho na fé. Temos em Atos um maravilhoso exemplo de Timóteo. No livro de Atos, vemos a fidelidade ganhando forma concreta na vida da igreja. Paulo encontra Timóteo, um jovem que havia recebido a fé por meio da sua família e da comunidade cristã. O texto diz: “Todos os irmãos que moravam em Listra e Icônio falavam bem de Timóteo. (At 16.2, NTLH).” Então: como você tem procedido com relação aos seus irmãos na fé? Como você tem falado deles? Bem, ou, tens aproveitado as oportunidades para falar mal e te engrandecer pelas costas deles? Deus queiram que aproveitemos em o tempo que temos com os que não temem a Deus e com os que temem possamos exaltar as obras de Deus na vida dos nossos irmãos na fé.
Vejamos, Timóteo não era apenas alguém que cria em silêncio; sua fé era visível, reconhecida pela comunidade. Paulo o chama para caminhar junto, para aprender, servir e ser testemunha. E o resultado desse trabalho fiel aparece no versículo 5: “Assim as igrejas ficavam mais fortes na fé, e o número de cristãos aumentava cada dia mais.” (At 16.5, NTLH).
Aqui aprendemos algo fundamental: fidelidade cristã não é individualismo espiritual, mas é comprometimento mútuo e verdadeiro. Ela se vive na comunhão, no discipulado, no cuidado com a fé do outro. Paulo investe em Timóteo, Timóteo cresce na fé, e a igreja é fortalecida. Em quem tens investido para que a pessoa seja fortalecida na fé? Cristão fortalece aos cristãos. Não espere que os outros façam isso. É com você.
Num mundo que valoriza apenas o sucesso imediato, Atos nos lembra que o Reino de Deus cresce por meio da fidelidade cotidiana: ensinar, acompanhar, corrigir, caminhar juntos. É assim que a fé atravessa gerações.
Na primeira carta a Timóteo, em 1 Tm 6.11-16, Paulo fala com a autoridade de quem já percorreu grande parte da jornada. Ele sabe que perseverar até o fim exige luta espiritual. Por isso, exorta: “Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros.” (1Tm 6.11, NTLH).
Vigilância, aqui, não é medo do fim dos tempos, mas disciplina espiritual, atenção constante ao caminho. Paulo usa a imagem da corrida e do combate: “Corra a boa corrida da fé e ganhe a vida eterna. Pois foi para essa vida que Deus o chamou quando você deu o seu belo testemunho de fé na presença de muitas testemunhas. (1Tm 6.12, NTLH).” Meus irmãos, é preciso vigiar, é não se deixar seduzir pelos falsos valores do mundo. É manter os olhos fixos naquele que é o verdadeiro Senhor: “Cumpra a sua missão com fidelidade, para que ninguém possa culpá-lo de nada, e continue assim até o dia em que o nosso Senhor Jesus Cristo aparecer. (1Tm 6.14, NTLH).”
É preciso entender que a vigilância cristã está profundamente ligada à esperança na volta de Cristo. Quem espera o Senhor vive de forma responsável, consciente de que sua vida é um testemunho diante de Deus e do mundo.
Tão logo, no Evangelho de Mateus 24.42-47, Jesus nos chama à vigilância por meio de uma parábola simples e profunda. Ele diz: “Fiquem vigiando, pois vocês não sabem em que dia vai chegar o seu Senhor. (Mt 24.42, NTLH).”
Mas Jesus deixa claro que vigiar não é ficar parado, olhando para o céu. Pelo contrário, é servir fielmente enquanto o Senhor não chega. Ele fala do servo fiel e prudente, que continua cumprindo sua missão: “Feliz aquele empregado que estiver fazendo isso quando o patrão chegar! (Mt 24.46, NTLH).” Contudo, devemos nos perguntar: Tenho sido um servo feliz e vigilante enquanto o meu Senhor não volta? Qual é a tua resposta?
A vigilância cristã se manifesta no cuidado com aquilo que Deus nos confiou: a fé, a Palavra, a comunidade, o amor ao próximo. O servo fiel não sabe quando o Senhor voltará, mas vive todos os dias como se Ele pudesse voltar hoje.
Vejamos: Conta-se que, em uma costa perigosa, havia um farol responsável por guiar os navios durante a noite e nas tempestades. O trabalho do vigia não era emocionante: todas as noites, ele precisava manter a luz acesa, limpar as lentes, verificar o combustível. Ninguém o via, ninguém o aplaudia. Certa vez, alguém perguntou: “Como você aguenta fazer sempre a mesma coisa, noite após noite?” O vigia respondeu: “Eu não vejo os navios passando, mas sei que, se a luz se apagar, muitos morrerão.” Assim é a fidelidade cristã. Muitas vezes, ela parece simples, repetitiva, silenciosa. Mas é justamente essa fidelidade vigilante que preserva vidas, sustenta a fé e mantém o testemunho aceso até o fim.
O salmista manteve sua confiança ao longo da vida. Paulo discipulou Timóteo com perseverança. Timóteo foi exortado a vigiar e lutar o bom combate. E Jesus nos chama a permanecer fiéis no serviço até sua volta.
Queridos irmãos e irmãs, os textos de hoje nos lembram que a fé cristã não é uma corrida curta, mas uma caminhada longa. É uma vida inteira sustentada pela graça de Deus. Fidelidade e vigilância caminham juntas: fidelidade ao Senhor que nunca nos abandona, e vigilância para não nos afastarmos do caminho.
O salmista nos ensina a confiar em Deus do início ao fim da vida. Atos nos mostra que a fé cresce quando é vivida e transmitida. Paulo nos chama a lutar o bom combate com perseverança. E Jesus nos lembra que a verdadeira vigilância se expressa no serviço fiel.
Vivamos, portanto, com os olhos atentos e o coração firmado em Cristo. Que nossa vida seja um testemunho constante, até o dia em que o Senhor voltar e nos encontrar fiéis.
E então ouviremos a promessa que sustenta toda a nossa esperança: “Feliz aquele empregado que o patrão, quando voltar, encontrar fazendo assim!” (Mt 24.46, NTLH). E em nossa caminhada possamos declarar a respeito da graça do Senhor Deus que: “Anunciarei que tu és fiel; o dia inteiro falarei da tua salvação, embora não seja capaz de entendê-la. (Sl 71.15, NTLH).” Amém!

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Rev. André Buchweitz Plamer 25 de janeiro de 2026 25 de janeiro de 2026
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