Nesta semana, que em tese, a sociedade está ocupada em homenagear as Mães, sinto uma saudade imensa, quase presença, de quem aqui já não está, a minha mãe. Uma presença marcante daquela pequenina que, em seus 1,56m, esbanjava coragem de gigantes, ousadia para enfrentar feras e temporais sem perder a beleza das almas criativas. Plantava pomares, jardins e hortaliças com a mesma paixão com que criava rendas e tecituras com agulhas e linhas.
Era rápida, seus movimentos eram ligeiros e se destacavam na generosa diversidade de sempre acrescentar um algo a mais, uma combinação diferenciada, em tudo que fazia. Na esteira dessas lembranças percebo o aroma dos pães e bolachas cujo destino era o forno aquecido com braseiro vivo de madeiras escolhidas.
Cultivava sonhos e esperanças nos trilhos e mochilas dos filhos.
Havia algo nela que a tornou imortal em minha vida, ela não suportava mentiras. Foi uma luta de minha mãe por vida inteira. Creio que já havia se dado em conta que a humanidade se perdera neste emaranhado de cipós tortuosos entre urtigas. Uma mentira poderia até parecer inocente, mas seus ramos iriam florescer com o odor das “flores do mal”.
No entanto, as verdades para que se as diga não basta que sejam verdadeiras. Necessário se faz reconhecê-las. É crucial que se queira saber e buscá-las sem medo dos sustos, dos imprevistos indesejáveis que levam ao negacionismo, última moda dos desfiles luxuosos.
Negacionismo – este abominável respiro seco que conserva as pessoas nas suas zonas de conforto gerando o desconforto do mundo. Assim, normalizando as zonas de genocídios e torturas, os sequestros de vidas e de bens, as ausências do generoso encanto que há entre uma criança e uma mãe plenas de vida e alegrias

