Quando minha filha Anna tinha perto de sete meses, eu e meu então marido estávamos vivendo um verdadeiro drama doméstico: as cólicas.
E não eram cólicas comuns, dessas que a criança reclama um pouco, a mãe dá uma massagenzinha e todo mundo volta a dormir. Não. As cólicas da Anna pareciam ter sido enviadas diretamente para testar os limites psicológicos de dois seres humanos.
À noite, ela chorava, gritava, se retorcia e fazia uma expressão de sofrimento que partia nosso coração. Nós tentávamos de tudo: massagens com óleos, compressas de água morna, movimentos com as perninhas, oração, promessa e, se alguém tivesse sugerido uma dança da chuva às três da manhã, provavelmente nós teríamos feito.
Nada resolvia.
Passávamos a noite inteira acordados. E muitas vezes chorávamos junto com ela. No dia seguinte, tínhamos que trabalhar. Curiosamente, durante o dia, justamente quando nós precisávamos estar acordados e produtivos, Anna conseguia dormir um pouco melhor.
Resultado: nós dois andávamos pela casa e pelo trabalho parecendo figurantes de filme de zumbi.
Eu tinha 30 anos e aquela certeza absoluta que só uma mãe de primeira viagem consegue ter: ninguém sabia cuidar da minha filha melhor do que eu.
Minha mãe e minha sogra, duas mulheres experientes, insistiam:
— Essa fórmula pode estar dando cólica nessa menina.
E eu, com meus gloriosos 30 anos e meu diploma imaginário de especialista em tudo, respondia, em pensamento:
— Claro que não. A fórmula é própria para a idade dela. Como poderia fazer mal?
Hoje, olhando para trás, tenho a humildade de reconhecer: eu estava a um passo de descobrir que experiência de mãe e de sogra não se compra em farmácia.
Certo dia, minha mãe foi nos visitar e encontrou a cena de sempre: eu com Anna no colo, a menina aos berros e nós dois praticamente em estado de calamidade pública.
Mamãe pegou Anna nos braço, aqueceu um pouco de azeite de andiroba e começou a massagear a barriguinha dela.
Em poucos minutos, o milagre aconteceu.
Anna se acalmou.
E dormiu.
Eu olhei para minha mãe como quem tinha acabado de presenciar um fenômeno sobrenatural.
— Tá vendo? — ela parecia dizer com os olhos.
Depois de algum tempo, ela perguntou se precisávamos sair para resolver alguma coisa. Eu disse que sim.
— Então vão. Eu fico com a minha neta.
E nós fomos.
Confesso que demorei mais do que o necessário.
Quer dizer… depois de meses sem dormir direito, qualquer oportunidade de sair de casa sem carregar uma criança chorando parecia férias em Cancún.
Quando voltamos, encontramos uma cena digna de comercial de fraldas: Anna dormindo pesadamente, tranquila, serena, parecendo um anjinho.
Na minha cabeça, não havia dúvida.
Era o azeite de andiroba.
Aquela mulher tinha descoberto o segredo da humanidade.
Mas então olhei para o sofá.
Ao lado da minha mãe estava a mamadeira.
Estranhei.
Anna é adotiva e eu só consegui amamentá-la durante dois meses. Depois, precisei recorrer à fórmula infantil. Então conhecia muito bem a cor do leite que ela tomava.
Aquele líquido na mamadeira não era da mesma cor.
Cheguei mais perto.
Abri.
Cheirei.
Banana.
Meu coração quase parou.
Olhei para minha mãe, desesperada:
— Mãe… a senhora deu vitamina de banana para a Anna?
Ela respondeu com a tranquilidade de quem tinha acabado de servir água:
— Dei.
— VITAMINA DE BANANA?
— Sim. Com leite Ninho.
Naquele momento, minha sogra, que também havia chegado, resolveu entrar na conversa.
E foi aí que recebi um sermão.
Um sermão completo.
Daqueles com introdução, desenvolvimento, conclusão e referências bibliográficas.
Ela praticamente me explicou que eu precisava aprender a ouvir mulheres mais experientes, porque nem tudo que está escrito na embalagem de uma fórmula resolve os problemas de uma criança.
Eu, porém, não estava ouvindo absolutamente nada.
Meu pensamento era apenas um:
“Meu Deus, ela deu vitamina de banana para uma criança de sete meses!”
Passei os minutos seguintes esperando alguma reação.
Uma cólica.
Um choro.
Uma reviravolta.
Talvez uma ligação da pediatra perguntando o que eu tinha feito.
Mas nada aconteceu.
Anna continuou dormindo.
Dormiu como um anjo.
Aliás, acho que dormiu melhor do que todos nós havíamos dormido nos últimos meses.
E foi naquele dia que começou o vício.
Minha filha simplesmente se apaixonou por vitamina de banana.
A partir de então, bastava sentir o cheiro de banana sendo descascada que ela já parecia saber que algo maravilhoso estava prestes a acontecer.
E eu, que durante meses tinha feito massagens, compressas, movimentos com as perninhas e praticamente uma pós-graduação em cólicas infantis, descobri que talvez a paz da minha casa estivesse escondida dentro de uma mamadeira.
Até hoje, quando lembro daquela cena, imagino minha mãe no sofá, tranquila, com a neta dormindo profundamente no colo e a mamadeira de vitamina de banana ao lado.
Enquanto isso, eu entrava em pânico achando que tinha acabado de cometer um crime gastronômico.
Minha mãe apenas me olhava com aquela expressão clássica de mãe experiente, que não precisa dizer muita coisa.
Mas, se fosse colocar em palavras, provavelmente seria:
— Um dia, minha filha, você ainda vai descobrir que mãe e sogra sabem de muitas coisas.
E descobri.
Principalmente que, naquela casa, entre azeite de andiroba, noites sem dormir e dois pais transformados em zumbis, a verdadeira heroína tinha sido uma simples vitamina de banana com leite Ninho.
E Anna?
Bom, Anna não teve reação nenhuma.
Pelo contrário.
Dormiu como um anjo.
E acordou oficialmente viciada em vitamina de banana.
O dia em que minha filha descobriu a vitamina de banana

