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Patrício Almeida

O Dilema na Prateleira da Farmácia: O Remédio “Essencial” que Ameaça Silenciosamente a Próxima Geração

Patrício Almeida
Ultima atualização: 30 de novembro de 2025 às 01:11
Por Patrício Almeida 2 meses atrás
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Epidemiologista e Professor Doutor em Engenharia Biomédica | Foto: Arquivo Pessoal
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Imagine, por um momento, a cena. Uma mulher — chamemos de Ana — vive com epilepsia. Para ela, o mundo pode, sem aviso, ser virado de cabeça para baixo por uma tempestade elétrica em seu cérebro. Mas Ana possui um escudo: um comprimido diário que acalma essas tempestades e lhe permite trabalhar, dirigir e sonhar. Esse medicamento, classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “essencial”, é o passaporte que a mantém estável.
Agora imagine que Ana e seu parceiro decidem ter um filho. A expectativa preenche o ambiente; porém, dentro daquele frasco que lhe deu liberdade, existe um segredo perturbador. O mesmo remédio capaz de protegê-la pode se tornar uma ameaça ao ser mais vulnerável que ela poderia conceber: seu bebê. Esta não é ficção médica; é a realidade envolvendo o valproato, tema de uma análise global conduzida pelos pesquisadores Dr. Adrienne Chan e Professor Ian Wong, da Universidade de Aston, em cooperação com a OMS. Após mergulhar em dez anos de dados de 73 países, o estudo revelou uma dualidade inquietante: ao mesmo tempo em que o acesso a medicamentos essenciais aumenta, a segurança no uso desses medicamentos permanece profundamente desigual.

Capítulo 1: O Super-Herói com um Calcanhar de Aquiles Radioativo
O valproato, se fosse um personagem de quadrinhos, seria o veterano confiável: eficaz, barato, versátil. Descoberto por acaso no século XX, tornou-se um dos mais importantes anticonvulsivantes já desenvolvidos. Controla crises de epilepsia, estabiliza o humor no transtorno bipolar e ajuda a prevenir enxaquecas. Sua eficácia, baixo custo e ampla disponibilidade o colocaram na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS.
Mas todo herói tem uma fraqueza. A do valproato é devastadora: a gravidez.
Durante o primeiro trimestre, quando órgãos e sistemas fundamentais do feto estão em formação, o valproato atravessa a placenta e provoca danos graves. A exposição pré-natal está associada a defeitos como espinha bífida, fendas palatinas, malformações cardíacas e anomalias nos membros. Além das malformações físicas, há impactos profundos no neurodesenvolvimento: QI reduzido, atrasos na linguagem, dificuldades cognitivas e risco elevado de transtorno do espectro do autismo.
O mesmo medicamento que estabiliza a eletricidade cerebral de um adulto pode desordenar a arquitetura neural de um feto. É essa dualidade que transforma o valproato em uma figura ambígua na farmacologia moderna: essencial, eficiente e — para gestantes — potencialmente devastador.

Capítulo 2: O Relatório Global — Dois Planetas Farmacêuticos
O estudo conduzido por Chan e Wong analisou dados de vendas de medicamentos anticonvulsivantes entre 2012 e 2022, cruzando informações de 73 países. O panorama encontrado revela o que os autores chamam de um “conto de dois mundos”.
De um lado, países de baixa e média renda mostram crescimento consistente no acesso aos anticonvulsivantes — uma vitória significativa. Esse avanço significa pessoas com epilepsia deixando para trás anos de estigma, isolamento e risco permanente.
Por outro lado, ao observar quais medicamentos impulsionam esse crescimento, o valproato destaca-se. Ele é, frequentemente, a opção mais usada justamente nos contextos com menor infraestrutura de segurança. E é aqui que as conquistas se convertem em alerta.
Nos países ricos, há anos órgãos reguladores implementaram políticas rígidas: consentimento informado, programas de prevenção de gravidez, acompanhamento contínuo e substituição do valproato por alternativas mais seguras para mulheres em idade fértil. O uso caiu de forma acentuada.
Já em grande parte da África, Ásia e América Latina, essa engrenagem de proteção não existe ou funciona mal. Alternativas, como lamotrigina ou levetiracetam, são caras e escassas. Profissionais sobrecarregados muitas vezes não recebem treinamento adequado. Pacientes têm pouco acesso a informações sobre riscos e planejamento reprodutivo.
Assim, o medicamento mais disponível é também o mais perigoso para milhões de mulheres. É como construir uma rodovia que melhora a mobilidade, mas esquecer de instalar semáforos, placas e guardrails. Acesso cresce; riscos também.
O estudo, portanto, expõe uma desigualdade estrutural: a segurança de uma criança por nascer depende, em grande medida, do país onde sua mãe vive — e não da ciência disponível.

Capítulo 3: O Quebra-Cabeça da OMS — Quando “Essencial” Significa “Use com Cuidado Extremo”
Por que, então, a OMS mantém o valproato na Lista de Medicamentos Essenciais? Porque saúde pública global exige decisões difíceis. A lista prioriza eficácia, segurança e custo-efetividade. Para milhões de pessoas — homens, mulheres pós-menopausa, indivíduos sem risco reprodutivo — o valproato continua sendo a opção mais eficaz e acessível.
Retirá-lo da lista poderia eliminar o acesso ao único tratamento viável para populações inteiras.
Por isso, a OMS adota uma estratégia dupla: reconhece o valproato como essencial, mas reforça diretrizes rigorosas. A organização orienta expressamente que ele não seja usado em mulheres e meninas com potencial para engravidar, a menos que alternativas não funcionem ou não estejam disponíveis.
O problema é que essa advertência, em muitos países, não chega às mãos de quem prescreve e muito menos às de quem toma o medicamento.
Assim, o “essencial” é ouvido com clareza, enquanto o “cuidado extremo” ecoa como um sussurro. O desafio que se apresenta à OMS é estrutural: comunicar e operacionalizar as salvaguardas de forma eficaz em sistemas de saúde profundamente desiguais.

Capítulo 4: Atrás dos Números — Vidas na Balança
Para compreender a dimensão do problema, basta comparar duas realidades.
Maria, 25 anos, vive na Alemanha. Usa valproato desde a adolescência. Ao mencionar ao neurologista que deseja engravidar, imediatamente é migrada para uma alternativa segura. Recebe acompanhamento, folhetos, orientações, assinatura de consentimento e planejamento reprodutivo.
Adama, 25 anos, vive em uma região rural da África Subsaariana. Recebe valproato gratuito do governo — é o único anticonvulsivante disponível. O médico, atendendo dezenas de pacientes por dia, não discute riscos. Adama engravida e continua tomando o medicamento, acreditando que está protegendo a si e ao bebê. Meses depois, o filho nasce com espinha bífida e, anos mais tarde, apresenta dificuldades cognitivas severas.
A diferença entre as duas histórias não é biológica; é sistêmica. E o estudo mostra que Adamas existem aos milhares, talvez milhões, espalhadas pelo mundo, invisíveis nas estatísticas agregadas de consumo.

Capítulo 5: O Próximo Passo — Do “O Quê” para o “Quem”
A pesquisa é abrangente, mas possui limitações: os dados analisados são de vendas, não de prescrição individual. Sabemos o que é comprado e onde, mas não sabemos por quem. A próxima etapa, defendem os autores, deve investigar:
• Quantas mulheres em idade fértil estão recebendo valproato?
• Há alternativas disponíveis nessas regiões?
• Os médicos conhecem os riscos?
• As diretrizes são aplicadas ou ignoradas por falta de recursos?
Sem essas respostas, qualquer política corre o risco de atacar sintomas, não causas. Uma campanha educativa é inútil se o problema for falta de alternativas; e alternativas não resolvem nada se os profissionais desconhecem protocolos.
O estudo serve como alerta e mapa. Ele mostra onde as falhas estão, mas não explica por que acontecem. Essa é a próxima fronteira da pesquisa.
Capítulo 6: Uma Receita para o Futuro — Educação, Acesso e Empoderamento
Como corrigir esse problema? A solução exige uma abordagem integrada.

  1. Educação contínua de profissionais
    Neurologistas, clínicos, enfermeiros e agentes comunitários precisam entender, de forma clara, que o valproato é extremamente eficaz, mas altamente arriscado para gestantes. Treinamentos periódicos, protocolos unificados e comunicação assertiva são fundamentais.
  2. Regulamentação inteligente
    Não se trata de banir o valproato, mas de estabelecer:
    • consentimento informado obrigatório,
    • revisão anual da terapia em mulheres,
    • rótulos de risco mais visíveis,
    • programas de prevenção de gravidez.
    Em países ricos, isso já reduziu drasticamente danos.
  3. Acesso real a alternativas seguras
    É necessário viabilizar financeiramente e logisticamente anticonvulsivantes mais modernos. Isso envolve:
    • negociação de preços,
    • licenciamento voluntário,
    • programas internacionais de subsídio,
    • parcerias público-privadas.
    Sem alternativas no estoque, não há escolha segura.
  4. Empoderamento das pacientes
    Mulheres precisam ser informadas em sua língua, sua cultura e seu contexto. Cartilhas, campanhas comunitárias, redes de apoio e transparência total sobre riscos podem transformar pacientes em agentes ativos de proteção.
    Uma mulher informada perguntando “Este remédio é seguro se eu quiser engravidar?” pode ser a barreira mais eficaz contra a tragédia.
    Conclusão: A Promessa de uma Prescrição Consciente
    O caso do valproato é um alerta para a medicina contemporânea. Ele mostra como um medicamento milagroso pode, simultaneamente, carregar uma falha estrutural. Demonstra que ampliar o acesso sem ampliar a segurança é criar um novo problema enquanto resolvemos outro.
    A missão da saúde global não é apenas chegar mais longe, mas chegar melhor. Não basta colocar medicamentos nas prateleiras; é preciso garantir que sejam usados com sabedoria e proteção.
    A promessa da medicina moderna é permitir que as pessoas vivam não apenas mais, mas melhor — e que possam construir famílias sem riscos evitáveis. Proteger gestantes e bebês das consequências conhecidas de um medicamento “essencial” não é opcional; é um compromisso ético.
    O objetivo final é claro: um mundo onde nenhuma mulher precise escolher entre sua própria saúde e a saúde de seu filho. Onde cada prescrição seja um ato consciente, informado e seguro.

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Patrício Almeida 30 de novembro de 2025 30 de novembro de 2025
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Por Patrício Almeida
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