Nesta madrugada silenciosa, enquanto a casa repousa e o mundo parece desacelerar por alguns instantes, deixo a saudade escapar dos meus olhos em pequenas gotas salgadas que insistem em cair. Tento conter o soluço preso na garganta, sufocar o grito de ausência que ecoa dentro do peito, porque Ariel e Benjamim dormem serenamente, e eu não quero desperta-los com a dor da minha lembrança.
A casa é só minha agora. Minha e das memórias que você deixou espalhadas em cada canto. Minha e do som da tua gargalhada, que ainda consigo ouvir como se o tempo não tivesse ousado te levar para longe dos meus braços.
E é justamente agora, mãe, que eu finalmente compreendo. Compreendo o tamanho do teu amor. A profundidade do teu cuidado. O quanto você se entregou inteira por nós sem nunca pedir nada em troca. Hoje eu sei que amor de mãe não cabe em palavras, porque ele ultrapassa o corpo, o tempo, a distância e até a ausência.
Sinto uma dor funda, daquelas que apertam o peito e roubam o ar por alguns segundos. Mas, no fundo da alma, existe também uma paz silenciosa. Porque eu sei que você está bem. Sei que continua viva em tudo aquilo que construiu dentro de nós.
Você, Ivanilda Costa Viana, nossa querida D. Vanda, foi a mulher mais extraordinária que conheci na vida. E nunca tive tanta certeza de algo quanto tenho dessa verdade.
Você escolheu amar. Escolheu amar cada um dos seus oito filhos com uma intensidade rara. Escolheu carregar no ventre, enfrentar dores, renunciar sonhos, suportar medos e seguir em frente mesmo quando a vida certamente parecia pesada demais para os ombros de uma mulher tão jovem.
Você poderia ter desistido, mãe. Poderia ter escolhido um caminho mais leve. Mas permaneceu. Ficou. Lutou. Nos alimentou de comida, de cuidado, de dignidade e, acima de tudo, de amor.
Mesmo depois de adultos, teu amor continuava ao nosso redor como um abraço invisível. Era ele quem nos aquecia nos dias frios da alma. Era ele quem unia nossa família quando tudo parecia querer desmoronar. Era ele quem nos equilibrava.
E como não te amar profundamente por isso?
Você foi a pessoa mais autêntica que conheci. Nunca aprendeu a esconder o que sentia, nunca maquiou palavras para agradar ninguém. Falava o que pensava, defendia quem amava e enfrentava o mundo sem perder sua essência. Havia coragem até na forma como você amava.
Enquanto escrevo estas palavras, um sorriso atravessa minhas lágrimas. O tempo marcou meu rosto, meus cabelos já carregam sinais da vida, sou uma mulher madura agora… mas quando lembro do calor dos teus braços, do som da tua voz e da maneira como você me olhava, volto imediatamente a ser aquela criança que encontrava proteção no teu colo.
E talvez seja isso que o amor verdadeiro faz: ele nunca nos abandona completamente.
Hoje quero apenas agradecer.
Obrigada pelo carinho que nunca faltou.
Obrigada pelas noites em claro.
Obrigada pelas orações silenciosas.
Obrigada pelos abraços que curavam dores que ninguém via.
Obrigada por ter me ensinado, através da tua própria vida, o que significa ser mãe.
Foi você quem me mostrou que amar não depende de hora, condição ou recompensa. Foi você quem me ensinou que o amor de mãe é o sentimento mais puro, mais resistente e mais infinito que existe.
Agora, sendo mãe, consigo compreender melhor cada renúncia tua, cada preocupação escondida, cada gesto simples que carregava um oceano de amor.
Você vive em mim, mãe.
Vive na forma como abraço meus filhos.
Na maneira como protejo.
Na forma como cuido.
Na intensidade com que amo.
E enquanto existir amor dentro de mim, você jamais partirá por completo.
Neste Dia das Mães, a saudade dói, mas também floresce em gratidão. Porque tive o privilégio de ser filha de uma mulher inesquecível.
Eu te amo para além da vida, D. Vandinha.
E vou te amar eternamente.

