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A Gazeta do Amapá > Blog > Colunista > Gil Reis > Moscou e Síria negociam
Gil Reis

Moscou e Síria negociam

Gil Reis
Ultima atualização: 11 de julho de 2026 às 19:06
Por Gil Reis 4 horas atrás
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Gil Reis -​ Consultor em Agronegócio | Foto: Arquivo Pessoal.
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Rússia negocia centro de logística em porto sírio.

A Rússia trabalha seriamente para manter sua influência sobre a Síria enquanto Washington tenta, de forma mais distante, a mesma coisa. Em 9 de julho de 2026 a Reuters publicou a matéria “Autoridades dizem que a Rússia prevê iniciar em meados de julho a operação de um centro de logística comercial em um porto sírio”, assinada por Feras Dalatey, que transcrevo trechos em benefício dos leitores.
“A Rússia espera ter, até meados de julho, um centro de logística comercial em funcionamento em um dos dois cais da base naval que arrenda no porto sírio de Tartous, mantendo, ao mesmo tempo, uma presença militar no outro, disseram autoridades sírias à Reuters.
O centro de distribuição irá movimentar uma ampla gama de produtos russos, incluindo trigo e grãos, e terá como meta um volume inicial de carga de cerca de 250.000 toneladas por mês, disse um dos funcionários.
Segundo as autoridades, o projeto é fundamental para os esforços russos de manter e expandir sua influência na Síria por meio de canais econômicos, após a queda do ex-presidente Bashar al-Assad em 2024 ter privado Moscou de seu aliado mais fiel no Oriente Médio.
Mas muito mais do que negócios está em jogo, com uma batalha por influência em curso, enquanto Washington busca maneiras de garantir não apenas que a Síria conceda contratos a empresas americanas, mas também de limitar a presença militar de Moscou.
VELHO ALIADO, NOVA REALIDADE
Moscou apoiou a Síria por décadas e interveio militarmente em 2015 para apoiar Assad em uma guerra civil que já dura 14 anos. Sua queda levantou questões sobre o futuro do acordo de arrendamento que garante à Rússia sua base naval em Tartous, na costa do Mediterrâneo, e o destino de sua base militar em Hmeimim, a sudeste da cidade de Latakia.
Desde a queda de Assad, Damasco tem buscado estreitar laços com os países ocidentais e do Golfo, ao mesmo tempo em que coopera com Moscou em áreas como importação de energia e alimentos e relações militares.
Moscou e a Síria estão agora negociando o futuro das bases russas em Tartous e Hmeimim.
Em 2025, o novo governo da Síria cancelou um contrato de 49 anos que concedia à empresa russa Stroytransgaz o direito de desenvolver instalações comerciais em Tartous. A DP World, dos Emirados Árabes Unidos, garantiu um contrato de concessão de 800 milhões de dólares, com duração de 30 anos, para revitalizar e operar o porto.
Mas em 6 de junho, o Conselho Empresarial Russo-Sírio, um órgão que opera sob a tutela do Ministério da Indústria e Comércio da Rússia, anunciou planos para estabelecer um ‘centro de montagem e distribuição de produtos russos’ em Tartous.
O projeto está sendo desenvolvido pela empresa de logística síria Rus Line em cooperação com empresas russas agrupadas no Conselho Empresarial Russo-Sírio.
Os organizadores do projeto afirmam ter chegado a um acordo com o Fundo Soberano da Síria para a gestão conjunta do centro logístico, proporcionando uma ligação direta com o principal veículo de investimento do Estado.
Ossama Ajaj, gerente geral da Rus Line e consultor do Conselho Empresarial Russo-Sírio, afirmou que o centro inicialmente lidará com trigo, grãos, ração animal, óleos vegetais, madeira, aço, clínquer, carvão, arroz, açúcar e óleos minerais russos.
‘PONTO DE VIRADA’
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, disse em junho que Moscou e Damasco estavam discutindo uma possível ‘reestruturação’ das instalações militares russas na Síria e que a cooperação entre os dois países estava se desenvolvendo ativamente.
Ajaj e dois funcionários do Ministério das Relações Exteriores da Síria disseram que o projeto foi apresentado em uma reunião realizada em 28 de janeiro em Moscou entre o presidente sírio Ahmed al-Sharaa e o presidente russo Vladimir Putin. Os funcionários consideraram a reunião um ponto de virada nos esforços para reativar a cooperação econômica.
Um documento conceitual de maio, preparado pelo Conselho Empresarial Russo-Sírio, afirma que o projeto prevê a utilização de empresas de segurança privada sírias para proteger as cargas quando necessário. O documento descarta a participação de empresas de segurança russas.
Os EUA acompanham de perto.
O centro logístico comercial deverá ampliar ainda mais o já significativo papel econômico de Moscou na Síria. Cerca de 85% do trigo importado pela Síria — 2,9 milhões de toneladas para a safra de 2025-26 — provém da Rússia e da Crimeia, território ocupado pela Rússia, conforme revelou um documento da alfândega síria.
A Reuters também noticiou que a dependência da Síria em relação às importações de petróleo bruto russo aumentou desde a queda de Assad. O país recebeu cerca de 16,8 milhões de barris de petróleo russo em 2025 e uma estimativa de 60 mil barris por dia nos primeiros meses de 2026.
A agência de inteligência militar da Rússia, o GRU, recomendou o aumento do apoio e do investimento a agentes econômicos capazes de fortalecer a influência russa na Síria, afirmou uma fonte da inteligência a par de um relatório confidencial do GRU enviado à administração presidencial russa em dezembro de 2025.
O projeto poderia ajudar a Rússia a manter sua influência, independentemente da forma que venha a ser sua presença militar, afirmou Nanar Hawach, consultor sênior para a Síria no International Crisis Group.
‘O domínio da Rússia sobre a Síria se baseia no que ela fornece e mantém, além de seu voto no Conselho de Segurança (das Nações Unidas), o que lhe confere uma influência que perdura mesmo após a retirada de tropas’, disse ele.
‘O papel logístico reforça isso, mantendo a Rússia fisicamente presente no porto e fortalecendo sua posição enquanto o futuro da base está sendo decidido.’
Os EUA, entretanto, estão observando atentamente.
No mês passado, o deputado Joe Wilson garantiu uma emenda ao orçamento do Pentágono, orientando-o a avaliar opções para reduzir a influência da Rússia na Síria e garantir a retirada de suas forças de Tartous e Hmeimim.
‘Acompanhamos de perto os projetos comerciais e logísticos apoiados pela Rússia na Síria e estamos preocupados com o fato de que tais iniciativas possam não contribuir para a estabilidade do país’, disse um funcionário do Departamento de Estado dos EUA em resposta a perguntas da Reuters.
A autoridade afirmou que os EUA estavam incentivando a Síria a buscar parcerias com ‘empresas confiáveis – especialmente empresas americanas’ durante a recuperação e reconstrução do país após a guerra civil, ao mesmo tempo em que instavam Damasco a respeitar as sanções americanas contra a Rússia.”
Que fique bem claro aos leitores que a Geopolítica não é estática, pelo contrário é extremamente dinâmica.
“Nada é permanente, exceto a mudança.” Heráclito de Éfeso (540 a 470 a.C.). Reforçando a ideia da mudança (devir), Heráclito afirmou também a impossibilidade de se entrar num mesmo rio duas vezes. Ao retornar, o rio e suas águas já estariam mudadas, já seria outro rio, pois tudo o que existe está em constante transformação.

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Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (CTBMF). Especialista em DTM e Dor Orofacial pelo MEC. Professor de Pós-graduação em Implantodontia do Instituto Br Clin

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Gil Reis 11 de julho de 2026 11 de julho de 2026
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