A Escritura mostra que a acusação é a língua oficial do reino das trevas. Satanás é chamado de “acusador dos irmãos”.
A calúnia não é apenas uma mentira. É uma mentira com intenção, com arquitetura e com propósito estratégico.
Em toda Biblia você pode ver como um inimigo trabalha com narrativas distorcidas. Os inimigos de Jeremias criaram contra ele dossiês falsos. Tobias e Sambalate inventaram mentiras para desestabilizar Neemias. Em muitos salmos Davi nos revela como sua vida foi marcada por acusações falsas. Jesabel promoveu um assassinato judicial contra Nabote. José foi para a prisão por conta de uma mentira da mulher de Potifar. Paulo foi perseguido por Alexandre o Latoeiro e por outros tantos por toda vida. A ponto de afirmar: “tenho prazer nas injúrias e perseguições”.
A calúnia é o veneno que o inimigo coloca nas conversas de pessoas feridas, irresponsáveis ou ingênuas.
É quando a mentira encontra uma boca apressada, um coração amargo ou um ouvido sem discernimento. Uma mentira bem contada finge ser fato e caminha com postura de evidência. E ela se torna “verdade” para quem já queria acreditar nela.
“A testemunha falsa profere mentiras.” (Provérbios 6.19)
Existem três mecanismos espirituais que transformam fofoca em “verdade”:
A Repetição
“As palavras do maldizente são como petiscos deliciosos que descem até o íntimo.” (Provérbios 26.22)
Repetidas muitas vezes, a mentira cria familiaridade. A familiaridade gera sensação de verdade e vira tatuagem na mente dos tolos e distraídos.
A Confirmação Emocional
A fofoca se torna verossímil não porque é verdadeira, mas porque combina com o preconceito oculto de quem a ouve. Pessoas feridas acreditam no que justifica sua ferida. Pessoas invejosas acreditam no que diminui o invejado.
A ausência de testemunho direto
A maioria que repete fofoca não viu nada, não foi testemunha, simplesmente ouviu dizer. E o resultado é que a calúnia cria realidades falsas que produzem dores reais.
É como uma flecha envenenada que fere, infecta e deseja demonizar sua vitima. A língua se transforma em arma.
Davi descreve esse mecanismo com brutal poesia: “Eles afiaram a língua como espada”. (Salmo 64.3)
A Bíblia descreve três tipos de bocas que carregam a calúnia:
A boca precipitada fala sem apurar. Transmite sem conferir. Seu trabalho as vezes é por apenas uma interrogação.
A boca ressentida não transmite fatos. Transmite dores.
A boca vazia que não têm uma missão na vida e portanto ocupa-se da vida alheia.
A fofoca é o passatempo de quem desperdiçou o seu próprio destino.
Então, como se proteger da calúnia?
Viva de forma que a mentira não encontre lugar para pousar.
A melhor resposta à calúnia é coerência. Pedro diz para vivermos de modo que “os que falam mal de vós sejam envergonhados” (1 Pedro 3.16). Sua reputação por algum tempo está nas mãos dos homens, mas sua consciência está nas mãos de Deus. Proteja a consciência, e Deus defenderá o seu nome.
Outra coisa: Não recompense injustiça com vingança
A calúnia tenta roubar duas coisas: sua alegria e seu destino. Resista ao convite espiritual de revidar no mesmo nível. Guarde o seu coração da amargura. Falar mal de quem fala mal de você é igualar-se a essa pessoa.
Então cerque-se de pessoas que têm frutos, não daqueles que carregam ruídos.
Quem caminha com gente íntegra não se contamina com narrativas tortas. Às vezes você está no lugar errado co

