Incertezas sobre as negociações.
O Irã é o lar de uma das civilizações mais antigas do mundo, que começa com a formação do reino de Elam em 2 800 a.C. Os povos iranianos e medos unificaram o país no primeiro de muitos impérios que se iriam seguir em 625 a.C., após a nação se tornar no principal poder cultural e político dominante na região. O Irã atingiu o auge de seu poder durante o Império Aquemênida, fundado por Ciro, o Grande em 550 a.C. após as conquistas de Alexandre, o Grande, mas o país alcançou uma nova era de prosperidade após o estabelecimento do Império Sassânida em 224 d.C., sob o qual o Irã se tornou uma das principais potências da Europa Oriental e da Ásia Central nos quatro séculos seguintes.
A história da humanidade é extremamente mutável e a do Irã não é exceção. A Reuters publicou, em 3 de junho de 2026, a matéria “As tensões no Golfo aumentam com ataques do Irã ao Kuwait e ataques dos EUA perto de Ormuz”, assinada por Ahmed Elimam e Patricia Zengerle que comprovam a afirmativa e que transcrevo trechos.
“As hostilidades no Golfo Pérsico reacenderam na quarta-feira, com ataques iranianos ao Kuwait danificando seu aeroporto e ferindo dezenas de pessoas, enquanto militares dos EUA realizavam ataques perto do Estreito de Ormuz. As negociações diplomáticas para interromper a guerra mostram poucos sinais de progresso. Os ataques são os mais recentes a testar um cessar-fogo instável, fazendo com que os preços do petróleo subissem mais de 2%, enquanto o estreito permanece em grande parte fechado mais de três meses depois de os EUA e Israel terem lançado ataques contra o Irã.
Os voos no Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensos após um ataque com drones e mísseis iranianos que danificou instalações aeroportuárias e missões diplomáticas, matando uma pessoa e ferindo mais de 60, informaram as autoridades kuwaitianas e a mídia estatal. A Kuwait Airways e a Jazeera Airways retomaram os voos posteriormente, após adotarem medidas de segurança, informou a autoridade de aviação civil.
Anteriormente, a mídia iraniana noticiou que a Guarda Revolucionária de elite do Irã havia atacado o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein e uma base aérea americana, além de uma embarcação identificada como Panaya. O Comando Central dos EUA negou que suas bases tivessem sido atingidas e afirmou que os mísseis balísticos iranianos não conseguiram atingir seus alvos na região.
Desde que os EUA e Israel iniciaram os ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã tem atacado repetidamente alvos na região do Golfo, onde estão localizadas bases militares americanas, atingindo alvos civis e militares. As hostilidades ressurgiram ocasionalmente nas últimas semanas, apesar do cessar-fogo acordado no início de abril, à medida que os EUA pressionam para reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota que movimentava cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra.
Na semana passada, o Irã e os EUA sinalizaram progresso em direção a um acordo inicial provisório para interromper a guerra e reabrir o estreito, mas os dois lados ainda não assinaram o acordo, o que deixaria negociações mais complexas para um momento posterior. Mohsen Rezaei, conselheiro militar do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, ‘afirmou que o Irã não permitirá que os EUA ultrapassem seus limites’, seja nas negociações ou nos acordos de cessar-fogo.
Em uma postagem no X, ele alertou que qualquer agressão seria respondida com uma saraivada de mísseis e drones. Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, afirmou que os repetidos ataques ao Kuwait e ao Bahrein exigem uma resposta firme e coesa do Golfo. ‘A agressão não tem como alvo apenas um país, mas todos nós’, escreveu ele no X. Desde meados de março, Trump tem repetidamente afirmado estar perto de um acordo para pôr fim aos combates e abrir caminho para negociações sobre questões espinhosas, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano. Teerã condicionou o acordo ao fim dos combates no Líbano. Também exige acesso a bilhões de dólares em receitas petrolíferas, isenção das sanções às exportações de petróleo bruto, o levantamento do bloqueio americano aos seus portos e a manutenção da influência sobre o estreito.
Trump, que está sob pressão para reduzir os preços dos combustíveis nos EUA sem fazer concessões ao Irã, afirmou que sua principal prioridade é impedir que o Irã adquira armas nucleares. O Irã alega que seu programa atômico tem fins pacíficos. Trump afirmou que as negociações continuam, embora a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim tenha declarado na quarta-feira que o Irã não respondeu aos EUA nos últimos dias e que as trocas de mensagens de texto por meio de intermediários foram suspensas até que as condições do Irã em relação ao Líbano sejam atendidas.
Em uma entrevista em podcast divulgada na quarta-feira, Trump disse que o Irã concordou em não ter armas nucleares e que Khamenei estava envolvido nas negociações. ‘Eles já concordaram que não vão ter armas nucleares’, afirmou. Israel mantém ataques contra o Líbano. A guerra matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, além de causar prejuízos econômicos globais, interrompendo gravemente o fornecimento de energia e outros serviços de transporte marítimo.
Isso também desencadeou a mais recente rodada de conflitos entre Israel e o grupo militante libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, com Israel realizando sua incursão mais profunda no Líbano em 25 anos. Na quarta-feira, ataques com drones israelenses mataram pelo menos seis pessoas no sul do Líbano e atingiram um carro ao sul de Beirute, disseram fontes de segurança libanesas, enquanto Israel afirmou ter interceptado uma aeronave hostil, provavelmente disparada pelo Hezbollah.
Não houve resposta imediata das forças armadas israelenses às perguntas da Reuters sobre os ataques com drones, mas o ataque ao carro parece ter sido o mais próximo de Beirute desde que Trump pediu a Israel que não atacasse a capital libanesa, em virtude de um cessar-fogo parcial mediado pelos EUA e anunciado na segunda-feira. Em seus comentários no podcast, Trump admitiu ter chamado Netanyahu, de Israel, de ‘louco’ em uma suposta troca de mensagens telefônicas repleta de palavrões sobre os combates no Líbano, enquanto buscava um acordo para encerrar o conflito em geral.
‘Em certo momento eu disse: Bibi, temos que parar com isso. Temos que parar com isso’, disse Trump, referindo-se a Netanyahu por seu apelido. Em entrevista à CNBC, Netanyahu disse que ele e Trump às vezes tinham ‘divergências táticas’, mas que concordavam nas principais questões relativas ao Irã.”
Apesar das declarações das partes envolvidas no conflito as atitudes não às corroboram. Declarações não resolvem nada é preciso atitudes que as comprovem.
“Não há ideais, mas somente fatos, nem verdades, mas somente fatos, não há razão nem honestidade, nem equidade etc, mas somente fatos’. Palavras não mudam a realidade dos fatos”. Moniz Bandeira, historiador e pesquisador.

