Termo originado nos Estados unidos da América, a cultura “woke” se refere à conscientização e sensibilidade para questões sociais e políticas, especialmente aquelas relacionadas a justiça racial, desigualdade, discriminação de gênero, direitos LGBTQIA+, e outras formas de opressão. O termo “woke” significava “acordado” ou “desperto”, no sentido de estar ciente e vigilante em relação às injustiças sociais.
No entanto, ao longo do tempo, “woke” começou a ser utilizado de maneira pejorativa por alguns críticos, que o associam ao que percebem como uma postura exageradamente e politicamente correta ou ativismo social extremo, onde se acredita que as ações ou discursos possam ser excessivamente moralistas ou que geram divisões. Para essas pessoas, a cultura “woke” pode ser vista como uma ameaça à liberdade de expressão ou como uma forma de censura cultural.
Por outro lado, há os defensores desse estilo de vida; para eles, a cultura “woke” representa um progresso importante no combate às desigualdades e na promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Eles veem o termo como uma chamada à ação para enfrentar e corrigir injustiças, promovendo empatia e responsabilidade social.
Parece que o século XXI é um palco de degladiações entre culturas tradicionais e novas maneiras de ver, viver e compreender a vida em sociedade. Tudo que foi valor sólido parece estar sendo posto à prova de maneira a ser criticado, ridicularizado e considerado mesmo ultrapassado, ofensivo, fadado ao ostracismo.
Em todas as épocas das sociedades humanas, o velho e o novo sempre se estranharam e se degladiaram, durante muito tempo as oligarquias sociais e econômicas ditaram as regras culturais de forma impositiva e comportamentos que fugissem ao trivial, ao costumeiro, ao consuetudinário era visto de soslaios, era combatido, e por muitas vezes era extirpado pela força.
O amor no mundo antigo era entre os iguais e entenda-se ‘os iguais” como o mundo dos homens, uma vez que mulheres e crianças não tinham a mesma consideração de valor e importância sociais, posto que os iguais eram guerreiros e as mulheres eram úteros para gerarem outros iguais.
No século I da era Cristã, os conceitos culturais começaram a ser reestruturados, e séculos e séculos se passaram até que os agentes humanos fossem vistos e valorizados não só entre os nobres das cortes dos Reinos mas entre os simples plebeus também. A expectativa de vida etária também foi sofrendo alteração nesse decorrer temporal, onde velho se podia ser aos quarenta, depois aos cinquenta, aos sessenta e nos dias atuais os centenários se multiplicam entre nós, desafiando essa cultura do que seja um ser velho ou velha, idos ou idosa.
Mas é preciso fazer um parêntese nos tempos atuais; pelo advento da web, o mundo estreitou-se ainda mais como uma aldeia global, onde a informação, em tempo real circula e no entanto nunca se viveu tanta desinformação, tanta deturpação de valores e padrões, onde, os donos do mundo atual, os oligopólios modernos, editam e manobram as massas a seu bel prazer e interesses.
Apesar disso, inverter princípios basilares da sociedade como por exemplo a célula mater de uma sociedade que é a família, tirar ou reinventar papéis solidificados pelas culturas anteriores como os elementos centrais da família: pai, mãe, filho, avós, irmãos, primos, parentesco definido, ancestralidade preservada, pontos tão fundamentais para a solidez de um povo ou nação. Alterar tais papéis para quê? Qual intuito? Quem será beneficiado a longo prazo, pois, uma geração é alterada em vinte anos de novos paradigmas, de novas hermenêuticas.
Se olharmos para a sociedade asiática da política de um filho único e os desdobramentos que tal sociedade experimentará no longo prazo demonstra as consequências para as futuras gerações.
Em algumas aldeias alemãs, por exemplo a população infantil é zero sujeitos e como ficará a descendência desse povo, dessa nação caso os conceitos sejam totalmente alterados?
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, somos seres complexos sim, temos liberdade de ser e viver como melhor nos aprouver, entretanto se uma cultura tentar sobrepujar a outra, se concepções de gênero, de crenças, de modelo sócio econômico e político for sendo imposto aos poucos ou através de novos oligopólios, poderemos estar diante de um perigo iminente de destruição da espécie humana e de surgimento de vida artificial, como nos filmes hollywoodianos, onde uma minoria humana servirá seu exército de robôs.
Pode parecer ficção científica o que estou analisando aqui, mas, se até em nossa documentação pessoal, ao invés de registros gerais com nomes de pessoas e títulos de pai e mãe, tivermos códigos de espécies ou títulos aleatórios como genitor 1 e genitor 2, por exemplo; nascidos humanos naturais ou ensaios de provetas a partir de células criadas em laboratórios, cujos códigos e letras e números serão nossa base de fabricação…
Cultura woke, cultura tradicional, cultura do bem, cultura do mal, sopa de culturas irão desenhar ou redesenhar a humanidade dos próximos milênios. Levamos dois milênios para chegar onde estamos, de guerras em guerras fomos nos ajustando, nos eliminando, nos perdendo e nos achando.
A vida Planetária é maior que a vida humana, a Terra enquanto Planeta é um organismo vivo e as consequências de bem viver ou mal viver será sentida principalmente por nós, terráqueos que aparecemos nesse Planeta desse Sistema Solar praticamente ontem em sua história evolutiva.
CULTURA WOKE

Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga
clínica e institucional, especialista em gestão pública.