“Mas, se o senhor pode, então nos ajude. Tenha pena de nós! Jesus respondeu: — Se eu posso? Tudo é possível para quem tem fé. (Marcos 9.22b-23). Essas palavras da conversa de Jesus é sem dúvidas uma das palavras que intrigam, pois de uma lado um homem com uma necessidade urgente e a angustia de ver seu filho sendo literalmente morto aos poucos. Do outro, o autor da vida, Jesus. Jesus como poder de dar uma ordem e a pessoa ser liberta dos seu(s) demônio(s) que aprisionava e o machucava. Uma situação bem complexa num primeiro momento. Um pai que clama por ajuda e um Salvador que aguarda até uma confissão publica de fé deste homem. Que registro histórico incrível que passa nesta perícope do Evangelho. Vamos acompanhar todo o registro do Evangelho de Marcos 9.14-29: “(14) Quando eles chegaram perto dos outros discípulos, viram uma grande multidão em volta deles e alguns mestres da Lei discutindo com eles. (15) Quando o povo viu Jesus, todos ficaram admirados e correram logo para o cumprimentarem. (16) Jesus perguntou aos discípulos: — O que é que vocês estão discutindo com eles? (17) Um homem que estava na multidão respondeu: — Mestre, eu trouxe o meu filho para o senhor, porque ele está dominado por um espírito mau e não pode falar. (18) Sempre que o espírito ataca o meu filho, joga-o no chão, e ele começa a espumar e a ranger os dentes; e ele está ficando cada vez mais fraco. Já pedi aos discípulos do senhor que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram. (19) Jesus disse: — Gente sem fé! Até quando ficarei com vocês? Até quando terei de aguentá-los? Tragam o menino aqui. (20) Quando o levaram, o espírito viu Jesus e sacudiu com força o menino. Ele caiu e começou a rolar no chão, espumando pela boca. (21) Aí Jesus perguntou ao pai: — Quanto tempo faz que o seu filho está assim? O pai respondeu: — Ele está assim desde pequeno. (22) Muitas vezes o espírito o joga no fogo e na água para matá-lo. Mas, se o senhor pode, então nos ajude. Tenha pena de nós! (23) Jesus respondeu: — Se eu posso? Tudo é possível para quem tem fé. (24) Então o pai gritou: — Eu tenho fé! Ajude-me a ter mais fé ainda! (25) Quando Jesus viu que muita gente estava se juntando ao redor dele, ordenou ao espírito mau: — Espírito surdo-mudo, saia desse menino e nunca mais entre nele! (26) O espírito gritou, sacudiu o menino e saiu dele, deixando-o como morto. Por isso todos diziam que ele havia morrido. (27) Mas Jesus pegou o menino pela mão e o ajudou a ficar de pé. (28) Quando Jesus entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram em particular: — Por que foi que nós não pudemos expulsar aquele espírito? (29) Jesus respondeu: — Este tipo de espírito só pode ser expulso com oração.”
Este texto para o mundo moderno parece que não diz muito, pois todos os sintomas a priori descritos parecem ser de uma pessoa que tem convulsões. Tão logo alguns vão dizer: pastor, mas isso não era uma possessão demoníaca, mas sim, uma atribuição a demônios por falta de remédios conhecidos para o caso. Também, digo: Sim! Eu também penso deste modo, mas a questão é que neste caso era sim uma questão de possessão demoníaca e que Jesus o expulsa. O próprio Jesus assim o afirma quais as características deste demônio, mas isso não nos autoriza a demonizar doenças que são tratadas pela medicina. Não nos autoriza olhar para alguém enfermo seja qual for a questão e dizer: demônio eu lhe expulso. Nem, rejeitar o tratamento feito com medicamentos. Não, podemos agir assim. Contudo, isso não significa que estou desprezando as orações e as curas/milagres que Jesus faz em nossa vida. Mas, estou afirmando que cada caso é um caso e precisa ser tratado com o seu devido diagnóstico.
Frente ao que já falamos podemos nos perguntar: Quem já teve ou tem alguém dá família passando por algum problema de saúde? São os momentos que você provavelmente pediu a Deus, orou de joelhos, mas pensou que não teve fé suficiente porque o quadro de saúde do familiar não mudou. Pelo contrario, até piorou. Ou você não teve força na sua oração. Ou, talvez a oração que você fez foi até a seu favor pedindo por uma cura. O que aconteceu? E para piorar nosso estado físico e emocional, ouvimos pelos meios de comunicação que se você tem fé então Deus tem de te atender do contrário você não teve fé. (É o que dizem os pregadores das mídias)
Não sei se vocês perceberam, mas há um grande risco aqui. Quando achamos que pessoas queridas e amadas não podem sofrer ou por termos fé não devemos sofrer, afinal de contas, temos fé, como Jesus nos deixa passar por dificuldades? Nesta hora somos lembrados por Jesus que: “No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo (João 16.33)”.
É por isso que não posso colocar o desejo de mudança, de melhora, de cura em cima de uma fé criada em minha cabeça, uma falsa fé. Quando pensamos que nossa “fé” irá dar curas então está tudo errado. Nossa fé nos coloca na frente de Deus por meio de Jesus que sofreu e morreu por nós. A grande verdade é que a vontade de Deus prevalece sobre as nossas vidas. Quer dizer: que por mais que Acabamos querendo tomar as rédeas de nossa vida em nossas próprias mãos, é Deus quem tem os nossos dias contados sejam eles na enfermidade ou fora dela.
O Evangelho de Marcos nos fala de um pai que dirige uma palavra a Jesus. Quando Jesus chega e se coloca no meio da multidão. Ele encontra um clima de preocupação, de choro, de desespero, de aflição, de medo e de discussão. Os mestres da lei discutindo com os discípulos de Jesus. Em meio a todo esse clima, Jesus dirige sua pergunta: O que vocês estão discutindo com eles? Uma pergunta que não ganha resposta com palavras, mas um pai que sai do meio daquela multidão aflito, preocupado, sofrendo por ver o filho sofrer a tanto tempo e explica tudo para Jesus.
Hoje em dia não é muito diferente. As pessoas se perdem em discussões vazia querendo discernir o porquê de muitos acontecimentos. Muitos se questionam o porquê de não ter respostas imediatas, outros falam tanto pelos cotovelos que perdem a razão.
No contexto do evangelho as pessoas discutiam, mas o foco da discussão só tem um objetivo e Jesus vai ao seu encontro e ouve o pai dizer: “Meu filho está dominado por um espírito mau e não pode falar, eu o trouxe aqui. Se o Senhor pode nos ajude. Tenha pena de nós.” Palavras de um pai que ama seu filho e não suporta vê-lo sofrer mais. Um pai que busca ajuda para seu filho.
As palavras de Jesus, não joga para o pai a responsabilidade de acabar com o sofrimento. Mas são palavras de convite como Jesus sempre faz. “Tudo é possível para que tem fé.” E o fato daquele pai chegar até Jesus mostra a sua fé. Sua confiança que talvez ainda tímida, está no objeto certo. Está em Jesus.
Onde está a sua confiança? Está no objeto certo? Depositar nossa confiança em Jesus é também saber aceitar as dificuldades que estão sobre as nossas vidas. Saber que o Senhor vem ao encontro de nossas fragilidades sempre querendo nos socorrer. Ter a confiança no lugar certo é deixar Deus pautar a nossa vida. É se dedicar em primeiro lugar a Deus. Perceber que é Deus quem tem as rédeas de nossa vida em sua mão. E não adianta fazermos nada para mudar essa ordem. É ele que veio e continua vindo ao nosso encontro para cuidar de nós amorosamente.
(Por quê?) Jesus vem ao nosso encontro
Jesus sempre faz o que é certo e suas palavras estão de acordo com a vontade de Deus conforme Isaías 50.4a: O Senhor Deus me ensina o que devo dizer a fim de animar os que estão cansados. Jesus morreu por amor a nós, ele tinha a certeza de que (Isaías 50.9):O Senhor Deus é quem me defende, e por isso ninguém poderá me condenar. Todos os meus inimigos desaparecerão; serão como um vestido que as traças destruíram.
Jesus atendeu o pai daquele menino como atende a cada um de nós, nas nossas dificuldades mais particulares. Mais intimas. Ele nos ajuda em nossa falta de fé. O homem com o filho doente confiante na ajuda de Jesus confessa a sua fé dizendo por resposta a pergunta de Jesus: (Mc 9.24) Eu tenho fé.(imaginem o impacto que isso deu perante as autoridades que consideravam Jesus um impostor, um agitador. Assim também eis o impacto que você causa quando diz tenho fé em Jesus e vive esta fé. Com certeza as pessoas te observam no meio da multidão da rua, da empresa, escola e querem seguir o motivo da tua fé.
Como Jesus vem ao seu encontro hoje? Como Jesus chega até sua vida, até seu coração hoje?
Na prática ainda hoje Jesus vem para o seu povo por meio de sua palavra e sacramentos. Ele vem por meio da Palavra que ouvimos aqui hoje. Ele vem ao nosso encontro quando revivemos o nosso batismo na confissão de pecados e pelo perdão que recebemos de Deus. Ele vem ao nosso encontro por meio da Santa Ceia ao irmos no culto (no culto Luterano os membros confessos, recebem a Santa Ceia, isto é, Pâo-corpo e vinho-sangue) que nos fortalece. Assim como Jesus animou o pai dizendo: (Marcos 9.23: “Tudo é possível para quem tem fé). Assim também pela Palavra e Sacramentos, Jesus nos ensina a ter fé verdadeira e confiar que em Jesus mesmo em meio aos sofrimentos ele sempre vem ao nosso encontro para acudir e dar certeza que não interessa o que os outros digam a respeito de Jesus, ele é sempre o único que ouve o nosso clamor.
Assim como aquele pai clama a Jesus em favor do filho nós também podemos clamar pela cura. Mas se ela não acontecer, não precisamos nos desesperar, porque o nosso Senhor continua ao nosso lado. Dando-nos fé, força e alegria para continuarmos confiando e testemunhando o seu amor. Eis um grande consolo do Salmo 116.15: O Senhor Deus sente pesar quando vê morrerem os que são fiéis a ele. E diz mais em Mateus 28 20b: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos.
Por isso, mesmo que tenhamos medo da morte, lembre-se Jesus está do teu lado, Jesus morreu e ressuscitou para te garantir que a morte já morreu, Cristo a venceu. Ou ainda, mesmo que as nossas dificuldades sejam os ressentimentos. Jesus vem ao nosso encontro com o perdão nos ajudando, nos ensinando também a perdoar.
Jesus vem ao nosso encontro em nossas fraquezas para nos ajudar a crer. Por isso que Jesus nos convida a crer e convida simplesmente dizendo: “(Mateus 11.28) — Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve.”
Ele nos convida a crermos nele como Senhor e Salvador. “(João 11.25): Então Jesus afirmou: — Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” Amém
Cura ou Abandono?

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique