A educação do afeto é um conceito muito em moda na atualidade e educar para o afeto é buscar desenvolver a capacidade de indivíduos expressarem e receberem afeto de maneira saudável e equilibrada ao longo das diferentes fases da vida. Esse tipo de educação é fundamental para o desenvolvimento emocional, social e psicológico, impactando diretamente na construção de relações interpessoais saudáveis e no bem-estar individual.
A priori podemos dizer que o ente humano vai se tornando ser humano não somente como definição de espécie racial mas do ponto de vista psicossocial ele vai evoluindo em toda e cada etapa etária de sua vida, seja ela vida intra uterina, infância, sendo aqui compreendido esse período pelo tempo cronológico que vai dos 9 meses e um dia até os 12 anos de idade.
É direito constitucional inclusive, toda criança receber afeto e afeto consanguíneo e/ou não consanguíneo e, apesar de sabermos que na prática as leis nem sempre são observadas, todavia, é dever do estado e de cada cidadão cuidar de nossas crianças.
E esse cuidado vai refletir num desenvolvimento emocional de qualidade, onde o afeto ofertado na infância é essencial para o desenvolvimento emocional equilibrado. Crianças que recebem afeto sentem-se seguras, valorizadas e mais capazes de enfrentar desafios. Desenvolvem o “Apego seguro’: A criação de vínculos afetivos saudáveis com cuidadores resulta em uma base sólida de apego seguro, que facilita o desenvolvimento de confiança e autoestima.
Outra vantagem de educar com afeto está no Desenvolvimento cognitivo e social: Crianças que são criadas em ambientes afetivos tendem a desenvolver habilidades sociais mais rapidamente e apresentam melhor desempenho escolar.
Mas, não estamos no País de Alice – ‘Alice no país das Maravilhas’ e, infelizmente existem mais ambientes hostis do que se possa imaginar, haja vista as manchetes midiáticas e os números das violências domésticas das páginas policiais demonstram que nossa sociedade está adoecida afetivamente falando e que muitos são os lares nocivos a essa prática afetiva, escolas sem compromisso sócio emocional, comunidades religiosas com segundas e terceiras intenções.
A falta de afeto ou presença de ambientes de violência, negligência ou frieza emocional podem causar traumas, insegurança e dificuldades na formação de vínculos futuros. A Superproteção: Excesso de afeto sem limites ou estrutura pode resultar em crianças mimadas, com dificuldades de lidar com frustrações e limites na vida adulta.
E fases mal constituídas vão como um efeito dominó, muitas vezes, pois não quero ser negativista nem pragmática, a vida é dinâmica e complexa e tudo muda a cada segundo para mais ou para menos, mas, para fins de análise desse tema, uma infância hostil ou afetuosa vai desembocar na Adolescência, período compreendido entre os 12 anos até os 18 anos.
Se a educação do afeto foi positiva teremos adolescentes top das galáxias: com Autoconfiança e identidade: pois o afeto durante a adolescência ajuda na construção da identidade, autoconfiança e capacidade de tomar decisões saudáveis. Outro saldo positivo dessa conta de plantarmos afetuosidade em nossos filhos e filhas é ver jovens com Estabilidade emocional: A presença de figuras afetivas na vida do adolescente proporciona um suporte emocional durante a fase dessa intensa transformação hormonal e psicológica. Mais um fruto do afeto, a Resiliência: Jovens que recebem apoio emocional são mais resilientes diante de conflitos e das pressões sociais.
Todavia, o contrário ou a ausência de afeto cotidiano geram graves resultados: Conflitos familiares são os primeiros da lista: A adolescência é frequentemente marcada por conflitos entre pais e filhos devido à busca de independência. A ausência de afeto ou incompreensão nesse processo pode criar afastamento ou revolta.
Outro ponto negativo quando falha a educação para o afeto é também a pressão social: A influência dos grupos sociais pode fazer o adolescente rejeitar ou minimizar a importância do afeto familiar, o que pode resultar na busca por afeto em relações envolventes.
Da adolescência para a juventude é um piscar de olhos. Vamos compreender a vida jovem dentro da cronologia de que Juventude seja o período que vai dos 18 anos aos 30 anos. Aqui os saldos da educação do afeto se mostram na formação de relações maduras: O jovem que cresceu em um ambiente de afeto é mais vulnerável a formar relações amorosas e de amizade baseadas em respeito, confiança e reciprocidade. Também são frutos desse afeto cotidiano, ano após ano a autonomia emocional: O afeto contínuo na juventude facilita o desenvolvimento da autonomia emocional, onde o indivíduo consegue equilibrar seu espaço e liberdade com suas conexões afetivas.
Os resultados contrários também se apresentam e de forma severa e triste, quando não acontecem desfechos graves também e em todas as classes sociais: Distanciamento familiar: A busca pela independência e a entrada na vida adulta pode gerar um distanciamento emocional da família, o que, sem um suporte afetivo contínuo, pode resultar em solidão ou dificuldades emocionais.
A busca pelo ilusório ou a pressão para sucesso: A juventude é uma fase de construção de carreira e de vida. A falta de suporte afetivo pode aumentar o estresse e a ansiedade em relação às demandas sociais e profissionais.
E na vida adulta, em meu recorte cronológico vou recortar o período da vida entre os 30 e 60 anos, a educação do afeto vai gerar adultos com relações sólidas: Adultos que foram educados no afeto têm maior capacidade de formar relações sólidas, tanto no âmbito pessoal (casamento, filhos) quanto no profissional (relações de trabalho baseadas em respeito e cooperação).
Outro fruto das boas emoções é vermos adultos com bem-estar emocional**: O afeto contínuo promove a saúde mental e emocional, ajudando o indivíduo a lidar melhor com os desafios e responsabilidades da vida adulta.
Entretanto, adultos que não receberam afeto no decorrer da vida serão adultos desregulados, sem rotina e adeptos do distanciamento: Muitas vezes, na vida adulta, o foco na carreira e nas obrigações familiares pode levar ao distanciamento afetivo, tanto com o parceiro quanto com os filhos , o que pode resultar em desgaste emocional e solidão. Outro sintoma se mostra na dificuldade em expressar afeto: Adultos que não receberam uma educação afetiva adequada podem ter dificuldade em expressar emoções, o que pode afetar suas relações familiares e profissionais.
Educar para o afeto gera resultados também na fase final da vida, a velhice, dos 60, 70, 80 ou mais; se existiu no decorrer da vida a educação do afeto, veremos o fortalecimento de laços familiares: O afeto é essencial para a manutenção de laços familiares na velhice, conforto aos idosos um sentimento de pertencimento e valorização.
Qualidade de vida emocional: Idosos que mantêm relações afetivas saudáveis têm melhor qualidade de vida emocional, sendo menos propensos à depressão e ao isolamento. E um dos maiores presentes de convivermos com essas pessoas vividas e sábias é justamente a transmissão de sabedoria emocional: Idosos que cultivam o afeto podem transmitir às gerações mais jovens valores relacionados ao amor, empatia e resiliência.
Sem a educação do afeto, ao contrário, veremos idosos abandonados ou em Isolamento social: A falta de afeto ou de relações familiares pode levar ao isolamento social, um dos maiores problemas enfrentados pelos idosos, perda de parceiros ou amigos: Com o envelhecimento, a perda de entes queridos pode intensificar o sentimento de solidão e abandono, sendo um grande desafio emocional para essa fase da vida.
Outro entrave para o desenvolvimento de seres humanos afetuosos são ambientes familiares disfuncionais: Famílias que apresentam altos níveis de conflito, negligência ou violência criam barreiras para o desenvolvimento de afeto saudável.
Afeto não se impõe, se tem dentro de si mesmo e se dá por amor ao outro ser humano que está imediatamente próximo de você. A regra de ouro ou Modelo e Guia é Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus; caso não o conheçamos, o busquemos em espírito e em verdade e a educação para o afeto será saborosa como o sal, luminosa como o sol e dará sabor e calor aos corações empobrecidos pela falta da educação do afeto.
Educação do Afeto

Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga
clínica e institucional, especialista em gestão pública.