A ex-esposa, Eli Sarai Duarte Dos Santos, diz no vídeo que, ao tomar conhecimento das denúncias, tomou um susto, “eu tomei um susto não pela atitude dele, mas sim por ter sido descoberto, quem ele é não é surpresa, a surpresa é essas mulheres terem tido a coragem de denunciar, não é de hoje que ele faz isso”.
Eli Sarai relata que o pastor Jeremias comete abusos há muito tempo, e que descobriu porque Jeremias abusou da própria filha, “ele tentou violentar a própria filha quando ela tinha apenas um ano de idade, depois tentou novamente quando ela tinha doze anos, passaram-se mais de 30 anos, mas agora tudo foi descoberto e a justiça finalmente será feita”, desabafou.
Para Eli, Jeremias é doente e não vai parar com os abusos, “eu não acredito na regeneração dele, mais de 30 anos se passaram e ele continua o mesmo, espero que desta vez ele pague, pelos crimes que foram descobertos e por muitos outros que ainda não vieram à tona”.
“A defesa dele é dizer que essas mulheres são mentalmente desiquilibradas, tantas mulheres acusando e a defesa é essa? Que as mulheres são loucas?”, declarou.
Eli Sarai conta que tentou reaver os boletins de ocorrência e os documentos do conselho tutelar para comprovar as tentativas de estupro do pastor Jeremias contra a filha e ajudar na acusação, “faz algum tempo que eu resolvi esquecer e me libertar de toda a violência que eu e minha filha sofremos, joguei muita coisa fora e essa documentação foi junto, mas se for preciso basta procurar o Fórum de Macapá e o Conselho Tutelar que essa documentação pode ser encontrada”.
A ex-esposa do pastor relata também que, além das agressões verbais, psicológicas e tentativas de estupro, ela e a família sofreram violência física e até tentativa de assassinato, “certa vez eu estava na casa da minha mãe, Jeremias esperou que ficássemos sozinhas e invadiu a casa para tentar me levar, mamãe tentou me defender, levou um soco no rosto e desmaiou, ele saiu me arrastando, do lado de fora vi meu pai que estava vindo com meus irmãos, meu pai vinha na frente e correu para me socorrer, mas acabou caindo, Jeremias me soltou, quebrou um pedaço de madeira fazendo uma ponta, ele ia enfiar o pedaço de pau no peito do meu pai, mas meus irmãos vinham correndo e gritaram, ele conseguiu fugir”.
Eli conta que ela e a família cansaram de fazer boletim de ocorrência na polícia, cansaram de buscar justiça, “estávamos cansados, enlouquecendo com as atitudes dele e resolvemos fazer justiça, nós descobrimos que ele estava em uma favela, no meio da bandidagem, lugar ao qual ele pertence, meus irmãos bateram nele, mas ele fugiu, nós também fugimos porque sabíamos que ele seria capaz de nos matar, não me orgulho do que fizemos, sei que foi errado”.
“Algum tempo depois ele pegou a minha filha novamente, ela tinha 12 anos, ele tentou estupra-la novamente, então eu fugi, sai do Amapá, deixei minha família, a minha vida, mas tinha que fazer isso porque ele ia acabar me matando, o que passamos com ele foi monstruoso, um verdadeiro filme de terror, minha esperança é que desta vez ele não fique impune”, finalizou.
Conheça o caso
O pastor evangélico Jeremias Barroso, da Igreja Getsêmani, é acusado de abuso sexual por 13 mulheres, em Macapá, capital do Amapá. Por meio de seu advogado, ele nega as acusações e se diz vítima de calúnias.
Segundo matéria publica pelo Universa, o caso foi investigado em sigilo ao longo do segundo semestre de 2020, após uma das vítimas contar para outras mulheres da igreja o que estava vivendo e descobrir que as amigas também passavam por situações semelhantes.
O advogado, Cícero Bordalo, que representa as vítimas do pastor abusador, remeteu o caso ao Ministério Público do estado no início deste ano e está aguardando o pastor ser denunciado à Justiça, sob acusação de abuso sexual mediante fraude com base no relato de duas vítimas. Outras denúncias ainda estão em investigação sob sigilo.
O advogado espera que o pastor seja condenado a, pelo menos, 20 anos de prisão, somadas as condenações de cada abuso.
“Com relação à menor de 14 anos, o crime é de estupro presumido. Sobre as demais vítimas, seria abuso sexual mediante fraude, que são no mínimo dois anos de reclusão. Como existem pelo menos dez, são 20 anos de reclusão, somando a pena mínima para cada uma das vítimas”, diz o advogado.
Bordalo Júnior pediu prisão preventiva de Jeremias, mas o pedido ainda não foi julgado.
O pastor
Jeremias é uma das principais lideranças religiosas do Amapá e fundador da congregação Igreja Getsêmani em Macapá. Ele ficou conhecido por coordenar a “Marcha para Jesus”, evento evangélico que leva às ruas mais de 100 mil pessoas todos os anos, no estado.
Segundo relato de uma das vítimas, de 24 anos, Jeremias usava da autoridade religiosa para cometer os abusos. Ela procurou a igreja em 2019 em busca de refúgio espiritual, mas desde o primeiro dia já notou algo estranho quando ele passou a pedir conversas particulares com ela.
De acordo com a mulher, ao faltar à igreja em um dia sem energia em casa, ele sugeriu por mensagem que poderia pegá-la em casa e levá-la para tomar um banho. Segundo o relato, ele teria dito: “Preciso orar em você, algo muito grave pode acontecer e precisa estar limpa”, disse a vítima.
Em relato de outra vítima, de 18 anos, também ao Universa, o pastor teria ficado sozinha com ela em uma sala, quando ela ainda era menor de idade, e dito que ela estaria “possuída pelo demônio da pomba-gira” e que eles fariam uma suposta oração para expulsar esse “demônio”, na qual ela deveria se tocar no peito e em suas partes íntimas. Ele ainda a tentou persuadir a usar a mão dele para tocá-la em suas partes íntimas, e disse que ela não poderia namorar com ninguém, pois seria dele.
Outra das fiéis relata que recebeu do pastor um vídeo com ele se masturbando, e um quarto relato de uma fiel diz que ele mandava mensagens pelo Facebook perguntando a cor da calcinha que ela usava ou ligava na madrugada dizendo estar com saudade.
Em mais um relato, uma mulher de 20 anos diz que Jeremias pedia abraços e passava a mão em seu corpo após pedir que ela fosse ao seu escritório. Ele também teria sugerido que eles fossem a um motel depois que ela aceitou uma carona até sua casa.
Outro lado
O Universa procurou o pastor Jeremias Barroso e, por meio de seu advogado, Maurício Pereira, ele negou os crimes e disse ser vítima de calúnia. Pereira acusou o advogado das vítimas de agir de modo antiético, e disse que uma delas tem “problemas psicológicos”.
Sobre o vídeo em que o pastor se masturba e que teria sido enviado a uma das vítimas, o advogado reconhece a veracidade do conteúdo, mas nega que tenha sido encaminhado a ela.
Segundo Pereira, “o chocante vídeo, que envergonha o senhor Jeremias Barroso, sua família e a igreja que presidia foi filmado num momento de fracasso espiritual, quando teve um relacionamento extraconjugal por meio virtual. A pessoa a quem dirigiu o referido vídeo, inclusive, testemunhará este fato”, disse.

