Você já ouviu falar na febre reumática?
A febre reumática, também chamada de reumatismo infeccioso, é uma doença inflamatória que se desenvolve após uma infecção anterior, que pode ser de garganta ou de pele, provocada por uma bactéria, chamada Streptococo beta hemolítico do grupo A.
A doença ocorre geralmente em crianças, na idade de 5 a 15 anos de idade. Acomete as articulações, a pele e até mesmo órgãos vitais, como o coração e o cérebro.
A criança, geralmente maior de 3 anos de idade, poderá apresentar a infecção de garganta como qualquer outra criança e, geralmente, uma a duas semanas depois começa a apresentar as queixas da Febre Reumática.
Qualquer criança que tem infecção de garganta, pode adquirir a febre reumática?
Não. Somente aquelas com predisposição para apresentar a doença. Inúmeras crianças apresentam freqüentes infecções de garganta, especialmente nos primeiros anos de vida, porém isto não é suficiente para predispô-las a apresentar a Febre Reumática. A predisposição necessária para apresentar a doença é herdada dos pais e já nasce com a criança.
Quais são as manifestações da doença?
A manifestação mais freqüente é a artrite (inflamação das articulações) que se caracteriza por dor intensa, que dificulta o caminhar, associado a inchaço e calor discretos. As articulações mais acometidas são os joelhos e tornozelos. É comum a dor e as outras alterações passarem de uma articulação para outra permanecendo de 2 a 3 dias em cada uma. A simples presença de dor em uma ou mais articulações ou nas pernas e sem as outras alterações (inchaço e calor), não é um sinal da doença.
A segunda manifestação mais comum na doença é o comprometimento do coração (cardite) caracterizado por inflamação nas três camadas (na membrana que o reveste, no músculo e no tecido que recobre as válvulas). Clinicamente nós identificamos esse comprometimento pelo sopro cardíaco, pelo aumento da freqüência dos batimentos do coração e pelas queixas de cansaço e batedeira aos esforços. Este é o comprometimento mais importante porque pode deixar seqüelas e limitar a vida do individuo.
A terceira manifestação presente é a Coréia que se caracteriza por fraqueza nos braços e pernas, por sensibilidade emocional (a criança se torna mais irritada e chorona) e por movimentos dos braços e pernas que pioram quando a criança fica tensa e desaparecem durante o sono. É importante saber que esta manifestação da febre reumática pode vir isolada (sem a artrite e/ou cardite) e meses após o quadro da infecção de garganta.
nem todas as crianças apresentam febre como manifestação da doença. Ela aparece com maior freqüência durante a infecção de garganta e não necessariamente quando ela começa a apresentar as manifestações da Febre Reumática.
Como é feito o diagnóstico?
Através de uma história da doença compatível. Pelo histórico de uma infecção recente de garganta ou de pele que evoluiu após cerca de 14 dias, com dor articular importante. Essas, associadas às alterações nos exames de sangue que podem comprovar a presença de inflamação: velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C reativa (PCR) e alfa glicoproteína.
A presença de infecção de garganta antes do início das alterações articulares ou cardíacas é muito importante para o raciocínio do médico que poderá comprová-la através da dosagem da anti estreptolisina O (ASLO).
Como se trata a febre reumática?
Primeiramente trata-se a infecção de garganta mesmo que ela tenha acontecido 2 ou 3 semanas atrás e isto deve ser feito com a penicilina benzatina em uma única aplicação.
Então segue-se o tratamento da artrite, feito geralmente com antiinflamatórios com o tempo e dosagem determinada pelo seu médico. Quando há ó acometimento cardíaco, avalia-se o local e grau de acometimento para então se determinar o melhor tratamento. Já a Coreia é tratada com uso de de antipsicóticos.
Embora estas etapas sejam muito importantes no tratamento da criança com Febre Reumática a medida que poderá fazer a diferença na evolução do paciente é o que chamamos de profilaxia secundária, ou seja, a administração da penicilina benzatina nas doses acima referidas a cada 3 semanas (21 dias) para evitar que a criança tenha novos surtos da doença. A duração varia de acordo com a presença de surtos, se há acontecimento cardíaco ou não
A retirada das amígdalas impede que a pessoa tenha a doença ou os surtos?
Não. Isto porque a criança poderá continuar tendo infecções pela mesma bactéria nas paredes da garganta mesmo na ausência das amígdalas.
Adaptado: Sociedade Brasileira de Reumatologia
FEBRE REUMÁTICA

Especialista em Nefrologia e Clínica Médica; Membro titular da Sociedade
Brasileira de Nefrologia Professor da Universidade Federal do Amapá
(UNIFAP); Mestre em Ciências da Saúde Preceptor de Clínica Médica. CRM
892 RQE 386