A ordem para executar o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), teria partido de dentro do sistema carcerário paulista.
Um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), preso no Centro de Detenção Provisória IV de Pinheiros, na zona oeste da capital, é apontado como o suposto responsável por determinar o ataque contra o oficial da Polícia Militar (PM), ocorrido em 27 de junho na região do ABC.
A informação consta de uma denúncia recebida pelo Disque Denúncia (181) e encaminhada às forças de segurança. Segundo documentos, a Polícia Civil de São Paulo passou a apurar o relato e outras informações relacionadas ao planejamento do crime.
Por ainda haver incerteza sobre a autoria intelectual do atentado, o nome do suposto mandante será preservado nesta reportagem.
O registro afirma que o integrante da facção teria transmitido as ordens por intermédio de pessoas que estavam fora da prisão. Ele também teria ligação com membros da alta cúpula da facção. O relato ainda menciona que comparsas teriam providenciado apoio financeiro e operacional para a emboscada contra o tenente.
A denúncia foi classificada como de alta prioridade e relacionada diretamente ao atentado sofrido por Pimentel. Ao analisar o registro, a Polícia Militar confirmou que o homem indicado estava preso preventivamente no CDP IV de Pinheiros desde setembro de 2025.
Ordem da facção
O denunciante afirmou que a motivação do ataque seria uma “ordem da facção” e que o comando teria sido enviado “de dentro da cadeia”.
Outros relatos recebidos pelo canal 181 indicaram que pessoas ligadas à “sintonia final de rua” do PCC, além de lideranças criminosas da zona leste e da favela de Heliópolis, na zona sul, teriam participado das articulações relacionadas ao atentado.
A Polícia Civil descreve o caso como uma “empreitada criminosa complexa”, com vários participantes e divisão de funções. Segundo o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), dois homens foram encarregados de executar os disparos, enquanto outros suspeitos atuaram no apoio e na logística da fuga.
Pimentel foi atacado em 27 de junho, enquanto aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul (assista abaixo). Dois homens chegaram em uma motocicleta e um deles atirou contra a cabeça do oficial, que estava fora de serviço e sem farda. O tenente foi internado em estado grave.
Peça-chave foi morta pela Rota
A motivação do atentado ainda não foi esclarecida. Um dos homens que poderiam ajudar nisso era Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como piloto da motocicleta usada pelos atiradores.
Nego Zum foi morto em uma suposta troca de tiros com policiais da Rota, a mesma tropa de Pimentel. A Polícia Civil só foi comunicada horas depois.
Como revelado, a ação “silenciou” uma peça-chave para que os investigadores descobrissem quem ordenou o ataque e por quê. Ele é um dos sete mortos pela Rota desde o início das apurações do caso.
Golias segue foragido
O principal suspeito de efetuar os disparos, Hércules da Costa Siqueira, o Golias, continuava foragido até a publicação desta reportagem.
Ele fugiu acompanhado da esposa, Cláudia Ferreira Ramos, e das filhas. Registros em vídeo mostraram a família durante a fuga em uma estrada de terra em Peruíbe, no litoral paulista.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro dele. Golias também teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Mais de R$ 30 milhões
O integrante do PCC citado como possível mandante do atentado também responde a um processo em Pernambuco por organização criminosa armada, tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ele atuava como principal fornecedor de pasta-base de cocaína, enviando-a de São Paulo para uma organização que distribuía drogas em Pernambuco e no Ceará.
A acusação afirma que o preso movimentou mais de R$ 30 milhões entre 2021 e 2024. Durante buscas, a Polícia Federal (PF) encontrou na residência dele aproximadamente R$ 135 mil em espécie, munições, balanças de precisão e uma máquina de contar dinheiro.
As suspeitas de que ele tenha ordenado o atentado contra Pimentel ainda são investigadas pela polícia.
Fonte: Metrópoles

