As práticas agrícolas convencionais como o cultivo de culturas e gado, bem como o desmatamento que não respeitam os limites, são responsáveis por um quarto estimado das emissões globais de gases de efeito estufa, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental (EPA).
A agricultura regenerativa, também conhecida como agricultura ecológica, conta com processos diferenciados de manejo de solo e colheita, tendo um viés ecológico que o distingue da agricultura extrativa.
A origem do termo agricultura regenerativa vem dos Estados Unidos, e a adoção deste método implica no estudo dos processos de regeneração nos sistemas de plantio ao longo do tempo. Esse tipo de agricultura, de caráter ecológico e sustentável, tem o intuito de promover a regeneração e a manutenção não apenas das culturas, mas de todo o sistema de produção alimentar, inclusive das comunidades rurais e dos consumidores.
Por causa dessa perspectiva que adota uma visão total da natureza, a agricultura regenerativa também leva em consideração conceitos econômicos, sustentáveis e éticos além de igualdade social.
A agricultura regenerativa funciona com o cuidado com o solo é um aspecto importante desse tipo de agricultura. Nesse caso, o trabalho de regeneração do solo possui grande relevância. Graças a essas características, é possível recuperar solos empobrecidos e garantir o bom uso deles.
Nesse contexto, a agricultura regenerativa valoriza os microrganismos presentes no solo, visto que eles são essenciais para a manutenção da terra. Por isso, um dos aspectos desse tipo de agricultura é o desenvolvimento e a utilização de biofertilizantes preparados com materiais naturais e ecologicamente corretos, que são posteriormente disponibilizados para o agricultor. Esses biofertilizantes tornam o solo mais rico e beneficiam a cultura com microrganismos.
Nesse aspecto, os microrganismos promovem um ciclo de simbiose e disponibilizam os nutrientes que já estão no solo para as plantas. Além disso, dentro do contexto da agricultura regenerativa, os biofertilizantes são produzidos em uma perspectiva autossustentável.
No caso da regeneração de um solo compactado, pobre e gasto, os procedimentos visam disponibilizar água, alimento e ar, podendo torná-lo apto para o plantio novamente. Em solos agrícolas tomados pela erosão, por exemplo, é preciso também recolocar o seu teor em micronutrientes, que vão auxiliar o seu processo de regeneração.
Diante da perspectiva de uma consciência ecológica, a agricultura regenerativa se apresenta como benefícios como uma alternativa sustentável que visualiza a prática agrícola inserida em um contexto amplo. Além disso, os métodos adotados por ela acarretam em uma maior economia e, ao mesmo tempo, não agridem o meio ambiente.
Diante destas características, a agricultura regenerativa consiste em um método bastante eficaz de sustentabilidade, pois consegue aliar economia e benefícios para a natureza.
Nesse contexto, Robert, filho de J.I. Rodale, decidiu dar um passo à frente na agricultura orgânica, cunhando o termo orgânico regenerativo. Essa abordagem holística da agricultura baseia-se nos princípios da agricultura orgânica combinados com práticas de saúde do solo e gestão da terra que imitam a natureza. As principais práticas da agricultura regenerativa são:
• Rotação de culturas ou cultivo sucessivo de mais de uma planta na mesma terra;
• Cobrir o cultivo ou o plantio o ano todo, para que a terra não fique em pousio durante as entressafras, o que ajuda a evitar a erosão do solo;
• Cultivo conservador, ou menos aração de campos;
• Pastagem de gado, que estimula naturalmente o crescimento das plantas;
• Diminuição do uso de fertilizantes e pesticidas;
• Nenhum (ou limitado) uso de Organismos Geneticamente Modificados para promover a biodiversidade;
• Bem-estar animal e práticas justas de trabalho para os produtores.
Diante desse contexto e para quem conhece o SAF, este é ou não uma agricultura regenerativa? [email protected]